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Lava Jato: ‘Culpa não é da Petrobras, é de alguns’, afirma novo ministro Eduardo Braga

Na pasta que também gere a área de petróleo e gás do País, ex-governador diz que vai lutar para resolver os apagões em Manaus 04/01/2015 às 17:48
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Eduardo Braga sustentou que manterá uma relação institucional com o governo do Estado e a Prefeitura
Ana Cláudia Leocadio Manaus (AM)

Depois de quatro anos no Senado, dois como líder do governo na Casa, o senador licenciado Eduardo Braga (PMDB) assumiu, efetivamente, o Ministério de Minas Energia, na última sexta-feira (2).

Com uma carteira de projetos para desenvolver, sobretudo na área de petróleo e gás, área esta que passa por graves denúncias de corrupção na Petrobrás, que envolvem os dirigentes das maiores empreiteiras do país e, ainda, agentes públicos, o novo ministro diz não temer que as denúncias atrapalhem seu trabalho na pasta.

Em entrevista a A CRÍTICA, antes da transmissão de cargo do ex-ministro Edson Lobão, em Brasília, Braga afirmou que espera resolver os problemas que causam os constantes apagões em Manaus, mas que alguns gargalos precisam ser resolvidos para alcançar essa segurança.

Ele sustentou, ainda, que manterá uma relação institucional com o governo do Estado e prefeitura, a partir de agora como ministro, sem deixar de exercer no plano regional a oposição já declarada após as eleições de 2014, quando foi derrotado pelo governador reeleito José Melo (Pros).

Tendo definido seu nome como ministro de Minas e Energia, qual foi a orientação que a presidente Dilma lhe deu, efetivamente, para assumir esse cargo?

Foi de que nós possamos trabalhar intensamente para que cada vez mais ofertemos ao povo brasileiro não só um sistema elétrico robusto, confiável, mas também o mais justo possível do ponto de vista tarifário.

Por outro lado, compete também ao ministério de Minas e Energia a questão do óleo e gás, que são questões estratégicas. Sem óleo nós não conseguimos fazer com que o país tenha energia, para área a urbana, para as indústrias, energia para todos e o gás é, sem nenhuma dúvida, uma matriz energética importante e muito necessária para que o Brasil como a sétima economia mundial possa ser competitivo em muitas das nossas áreas industriais. 

O Plano Decenal de Expansão de Energia destina quase 73% dos investimentos para petróleo e gás até 2022. Diante desse quadro (de denúncias de corrupção) que assola a Petrobras, o senhor acredita que poderá melhorar a situação para cumprir essas metas ou ainda virão coisas para atrapalhar esse plano?

Eu acho que a Petrobrás está acima disso, pelo menos nós precisamos fazer com que ela esteja acima disso. Questões de malfeito, corrupção etc.,  isso precisa ser enfrentado de forma transparente pelos órgãos de fiscalização, comando, controle, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Justiça, Tribunal de Contas da União, CGU.

A nós compete formularmos políticas públicas e compete implementarmos gestões  cada vez mais comprometidas com a ética e com a transparência, que assegurem que a Petrobrás fará com que o Brasil seja aquilo que Deus nos destinou como um destino importante.

Ele não nos deu o pré-sal para que nós não sejamos um país com destaque na produção de óleo e gás, não nos deu a Amazônia para que nós não sejamos um destaque na produção de óleo, gás, minério etc., e transformar todas essas riquezas em desenvolvimento socioeconômico para o nosso povo. A Petrobrás ela é um dos pilares deste modelo de desenvolvimento socioeconômico do povo brasileiro.

Considerando que as investigações (da operação Lava Jato) citaram nominalmente seu partido PMDB, PP e o PT, e ainda não chegaram aos agentes políticos, o senhor teme uma nova onda que possa atrapalhar esse início de trabalho aqui em relação ao seu partido e aos outros?

Deixa eu lhe dizer. A minha função como ministro não é de investigar, a minha função como ministro é de formular políticas públicas, implementar a gestão, equacionar problemas e resolver problemas.

Todo e qualquer malfeito que porventura apareça no presente, no passado, no futuro, todos eles serão investigados, serão apurados, os culpados punidos, e as instituições cada vez mais aprimoradas, preservadas para o bem do Brasil.

A culpa do que está acontecendo não é da Petrobrás, é de alguns. Esses devem ser julgados, com amplo direito de defesa e, caso seja comprovado, condenados e que paguem pelos seus erros. Nós não podemos é fazer com que o povo brasileiro pague por erros de uns poucos que não corresponderam à confiança que foi dada a eles.

Qual é a sua primeira providência no cargo de ministro? 

Nossa estratégia é que nos próximos 90 dias possamos ter um diagnóstico dos problemas e desafios, propostas de solução para todos esses problemas e desafios, para que possamos ter um detalhamento no curto, médio e longo prazos com relação à geração, distribuição e a transmissão de energia, e que nós possamos ter conversas com os diversos setores sobre as questões estruturantes e regulatórias olhando para o quadriênio 2015-2018.

Vou viajar pelo Brasil, quero conhecer todos os problemas in loco, entender a questão da energia eólica, transmissão da energia eólica, a questão de Santo Antônio e Jirau (hidrelétricas do rio Madeira) com relação à transmissão, quero conhecer cada um dos gargalos que nós temos e oferecer no prazo de 90 dias um cronograma que represente ações de curtíssimo prazo, de médio prazo e de longo prazo.

Em Manaus, as pessoas reclamam muito dos apagões. O que o senhor, agora que está aqui (no ministério de Minas e Energia), poderá fazer em relação a isso em curto prazo?

O problema de energia no Amazonas é grave e de muito tempo. Não se esqueça que em 1998 antes do Brasil sofrer com o apagão na época do Fernando Henrique nós passamos um ano com racionamento e apagão, exatamente porque é um sistema isolado e não era um sistema robusto o suficiente para dar suporte ao crescimento econômico do polo industrial.

No governo do presidente Lula, quando a então ministra presidenta Dilma estava no Ministério de Minas e Energia, e eu no governo do Estado, e foi aí que eu a conheci, na transição discutindo exatamente questão de energia para o Amazonas, nós construímos um programa para o Amazonas que era de curto, médio e longo prazo. Tiramos o Amazonas do apagão e do racionamento.

Passamos então a investir numa solução robusta, que era o linhão Tucuruí-Manaus e o gasoduto Urucu-Coari-Manaus. Essas duas obras estruturantes estão prontas e agora vem a parte final, que é exatamente a conclusão das subestações que formarão um anel de alta tensão para distribuição dentro do perímetro urbano, não mais em 69 (KV), mas em regime de 138 e 240 KV.

Nós conseguimos chegar com o linhão de Tucuruí e entramos na Subestação de Lechuga, fazendo com que ela pudesse pegar algumas subestações já de 240 KV. Por outro lado, entramos também na subestação que recebe o linhão de Tucuruí juntamente com a linha de Balbina e fizemos com que o setor leste da cidade de Manaus recebesse também essa contribuição.

E o que falta?

Está faltando fechar o anel. Além de fechar o anel de distribuição, está faltando complementar algumas obras na área de alimentadores que precisam ser substituídos e trocados. Eu diria que aquilo que nós vivíamos em 2002 para o que nós vivemos agora em 2015 há uma diferença muito grande.

Estamos a poucos passos de poder ter, finalmente, Manaus dentro do sistema interligado, com padrão hídrico de energia, porque é de Tucuruí, com um ciclo combinado aberto de geração a gás.

Há uma termoelétrica a gás que está paralisada sua obra, esse é um dos desafios que tenho porque essa termoelétrica é fundamental para garantir que em momentos de estiagem nós tenhamos uma reserva de geração que garanta segurança energética para a nossa região. 

E o polo petroquímico? O Plano de Expansão de Energia prevê a criação da GTL Parafinas até 2022. O senhor acredita que isso será possível? 

Eu acho que a questão da Petroquímica é uma questão de tempo. Nós não temos alternativa. Nós vamos cada vez mais estar presentes com a petroquímica, inclusive no nosso Estado.

Uma das questões estruturantes mais motivadores do meu aceite ao convite honroso da presidenta Dilma, além de tudo o que nós já falamos, é a questão da silvinita. Sem energia, a silvinita nunca deixará de ser uma esperança. Nós precisamos ter a energia para poder transformar a silvinita em potássio.

Acho que a minha presença no ministério de Minas e Energia poderá representar para o Amazonas que o Linhão de Tucuruí, que já chegou até Manaus, chegue a Itacoatiara, a Parintins, Nova Olinda, passando por Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Maués, Urucurituba. E então, a interligação estratégica de Santo Antônio e Jirau com a linha de Tucuruí, que fecharia o circuito elétrico brasileiro.

É uma expectativa de que nós poderemos ter o desenho de uma arquitetura de projeto energético para o Amazonas, que garantirá os próximos 50 anos da Zona Franca (de Manaus-ZFM) com energia para que possamos crescer. Se nós temos um projeto industrial para os próximos 50 anos, precisamos ter um modelo de fornecimento de energia que seja confiável e que garanta o crescimento do nosso Estado e da nossa região pelos próximos 50 anos. 

O que os quatro anos de Senado lhe deixaram como lição?

O Senado é uma escola política de alta formação. Lá estão ex-governadores, ex-ministros, ex-presidentes da República. Lá, estamos com a excelência da política brasileira acontecendo. Você aprende até por osmose dentro do Senado da República. Os quatro anos foram importantes para o meu amadurecimento.

O senhor declarou que seu grupo vai ser oposição ao governo do Amazonas. Qual será sua relação a partir de agora como ministro com o governo do Estado e Prefeitura de Manaus?

Eu tenho uma relação republicana e institucional. Agora isso não significa que no meu campo regional o meu partido não fará oposição àquilo que ele discordar, mas eu enquanto ministro e enquanto senador da República sempre fui assim e sei perfeitamente separar a minha posição partidária regional dos compromissos republicanos e institucionais com o governo do Estado e com a prefeitura.

O grande sonho do Amazonas é a recuperação da BR-319. O senhor como ministro do governo Dilma, e vindo da liderança, acha que vai conseguir  influenciar em relação a essa obra, ou como BR ou como ferrovia?

Eu espero poder contribuir. Essa é uma obra estruturante e necessária. O Amazonas vai precisar da BR-319 para poder avançar sobre outros aspectos. Portanto, já conversei isso com a presidenta Dilma, conversei nesta quinta-feira na posse de forma até bem-humorada com o ministro Antônio Carlos (Rodrigues, ministro dos Transportes), que também foi meu colega senador, de que nós vamos precisar conversar sobre BR-319.

Qual é o plano do PMDB  no Amazonas para 2016?

Disputar eleições, mas eu não sou candidato a prefeito.

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