Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
Notícias

Líder da histórica greve da PM, deputado estadual Platiny Soares vai focar na Segurança Pública

Em entrevista para A CRÍTICA, o mais jovem parlamentar da ALE-AM declarou ter se “decepcionado” ao entrar para a PM, e que mesmo tendo liderado a greve dos policiais em 2014, não se considera um rebelde



1.jpg Platiny Soares
07/02/2015 às 22:19

Em menos de um ano, o ex-soldado Platiny Soares (PV), migrou de líder de movimento grevista dos policias militares, que exigiu mudanças na estrutura da Polícia Militar, a deputado estadual mais jovem eleito na história da Assembleia Legislativa do  Amazonas – com 22 anos.

Platiny, antes de comandar uma das maiores paralisações já registradas da Polícia Militar do Estado, havia sido expulso da corporação em 2012, permanecendo fora por cerca de um ano. Neste meio tempo fundou a Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam) que o conduziu ao posto de líder do movimento, segundo ele, “reivindicatório”, e não “grevista”, como ficou conhecido.



Agora deputado, Platiny afirma que a sua principal bandeira será a Segurança Pública do Estado, em especial a Polícia Militar. Em entrevista para A CRÍTICA, o parlamentar declarou ter se “decepcionado” ao entrar para a PM, e que mesmo tendo liderado a greve dos policiais em abril de 2014, não se considera um rebelde.

Quais vão ser suas bandeiras na Assembleia?

A minha principal luta será voltada para a segurança pública, especificamente a Polícia Militar (PM). Apesar disso não posso me escusar da responsabilidade de representar a sociedade como um todo e não posso também deixar de levantar a bandeira do Partido Verde, ao qual pertenço, e nós vamos trabalhar a sustentabilidade, a preservação do meio ambiente. Fora isso, quero trazer a juventude para próximo do parlamento.

O que o atraiu na carreira da Polícia Militar?

Ingressei na Polícia Militar com 18 anos. A Polícia Militar impõe um respeito, e isso enche os olhos dos mais jovens que querem iniciar a sua profissão. E a gente sempre espera, ao entrar na PM, que nós tenhamos uma carreira e venhamos a subir nos níveis hierárquicos. Isso é o que todo jovem quer ao iniciar uma carreira profissional.  Mas ao entrar na PM eu me deparei com uma realidade um pouco diferente do que estava esperando. Por exemplo, a ascensão na escala hierárquica, a estrutura da PM muito ruim. Isso foi o que primeiro me decepcionou. A gente tinha policiais com 26 anos de serviço que nunca tinham recebido uma promoção. E várias outras deficiências que me fez começar a reivindicar e começar a brigar por melhorias, para se aproximar daquilo que eu esperava da PM quando entrei. Mas quando fui expulso fiquei magoado.

O fato de ter sido uma liderança de um movimento grevista já lhe credenciou e garantiu experiência suficiente para disputar e integrar o Legislativo?

Acredito que foi uma soma de fatores, como algumas poucas, mas ricas experiências profissionais, a experiência enquanto liderança na PM na presidência da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam), a liderança em algumas outras reivindicações até aqui mesmo dentro da ALE, mais a época que eu era representante estudantil, como um bom servidor público no Tribunal de Justiça (técnico judiciário), então acredito que a soma desses fatores me credenciou para o parlamento. Mas esse nome “Platiny” não surgiu apenas no dia do movimento reivindicatório, pois em momentos anteriores dentro da polícia militar essa liderança já existia.

Qual sua avaliação sobre o novo secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes?

Acredito que ele venha para contribuir e moralizar a segurança pública. E ele é um secretário que caso procure o apoio da Assembleia eu estarei aqui, pronto para ajudar.

A população acredita na PM?

Boa parte da população não acredita na PM. Essas pesquisas que são divulgadas sempre trazem que a PM não é tão acreditada pela população.

E o comandante da Polícia Militar?

Eu acho o coronel Gouvêa um cara super capacitado. Acredito que ele vem para melhorar a instituição, vem com espírito público. E ele (coronel Gouvêa) tem uma cabeça aberta, sabe no que as policiais de outros estados do Brasil evoluíram, e acredito que a postura dele seja completamente diferente da de outros (comandantes) que passaram anteriormente pelo comando da PM.

A Polícia Militar é bem treinada?

Eu acredito que exista uma evolução histórica. Acredito que a PM entrou numa tendência de melhoria. Ela (Polícia Militar) há um tempo atrás foi uma PM despreparada. Eu posso dizer que era uma PM que tinha, ainda, muita proximidade com o militarismo exacerbado. Eu acredito que hoje a gente passou da parte da brutalidade  para a técnica. Ainda não estamos 100%. Temos algumas deficiências. Mas, por exemplo, antigamente na academia a preparação do policial militar era exclusivamente usando a força e armas letais, hoje a gente já tem treinamento que usa equipamento não letal, a gente já tem dentro da sala de aula instruções sobre direitos humanos, direito penal. É o ideal? Não. Tem que melhorar muito ainda o treinamento da polícia militar, enquanto policial militar.

Como é a sua relação com o deputado Cabo Maciel?

É uma relação boa. O deputado Cabo Maciel tem um histórico dentro da PM como líder e ele também preside uma outra associação que representa a classe (Associação dos Cabos e Soldados do Amazonas (ACSPMAM)). Nós tivemos uma certa oposição de ideias dentro da Polícia Militar durante um bom tempo. Hoje entrei no parlamento me opondo a ele em muitos pontos, mas, mesmo nos pontos que nós nos opomos, ele vê uma melhoria para a instituição e eu também vejo uma melhoria para a PM, mas de uma forma um pouco diferente. Então acredito que seja um momento em que não temos por que nos opor. Eu preciso dele para alcançar meus objetivos, enquanto lutas de classes, e ele precisa de mim, também, para alcançar os dele. E é o momento de unirmos forças.

É comum ver jovens pouco interessados em fazer ou até mesmo falar sobre política. Como o senhor avalia isso?

Esse desinteresse do jovem na política é uma forma errada de se manifestar. Acredito que essa apatia política não deva existir. Acredito que o que soluciona o que há de errado dentro do poder público inteiro não é a apatia política, e sim ter atividade política. A gente não pode se escusar da responsabilidade de melhorar a proposta pró-sociedade. A política vai existir independente da vontade ou não de se envolver com ela. Quando os bons se calam, os maus ascendem.

Dos deputados eleitos, com quem o senhor tem mais afinidade, que pode pedir ajuda, conselho, orientação?

Eu tenho uma amizade anterior a política com o deputado David Almeida, que foi acadêmico juntos comigo. Nós éramos da mesma sala na faculdade. Mas eu tenho uma grande afinidade com o deputado Josué Neto, que é o presidente da  Casa e sempre me apoiou muito moralmente. Tenho afinidade também com o deputado Abdala Fraxe, Orlando Cidade, Sidney Leite. Dos novatos uma altíssima afinidade com o deputado Dermilson Chagas, com o Augusto Ferraz, a Alessandra Campelo. Tenho procurado também conversar com ex-deputados, como o Tony Medeiros e o Marcelo Ramos.

O ex-governador Amazonino Mendes disse que a sua conduta como líder de um movimento grevista e a postura do deputado Cabo Maciel são exemplos de que a Polícia Militar está desmoralizada e que não se respeita hierarquia. O senhor concorda?

Não. Eu acredito que o cidadão Amazonino Mendes, pois hoje ele não ocupa cargo político algum,  vem de uma política que já foi abandonada, que foi uma política de quando a sociedade  não tinha esclarecimento político. E ele falar que isso é uma quebra de hierarquia acaba desconsiderando a vontade popular. Não existe a possibilidade de quebra de hierarquia. Lá (greve) não houve desrespeito hierárquico.

Na greve, o senhor questionou o Governo do Estado e agora anuncia ser membro da base do governo. O que mudou?

À época exatamente eu não contestei o Governo do Estado. Se nós pegarmos o histórico das entrevistas e das reivindicações nós apelávamos ao Governo para que intervisse dentro da instituição Polícia Militar e que nos trouxesse alguns direitos que nos foi cerceado há muito tempo, então,  a partir daquele momento o Governo acolheu as nossas reivindicações e fizeram com que algumas coisas que buscávamos há bastante tempo fossem levadas a uma mesa de reunião, fossem discutidas, e que algumas delas fossem implementadas de imediato e outras com um maior debate.

O Ronda no Bairro é um programa que funciona?

O programa Ronda no Bairro é uma excelente iniciativa, mas que precisa de manutenção. Hoje o que falta para o programa é  efetivo policial. Precisamos que o governador faça imediatamente novo concurso para polícia. Acredito que o programa aproximou a polícia do povo, mas que ainda pode fazer mais.

O senhor decidiu sozinho ou foi motivado por alguém para ser candidato?

Eu tinha uma outra vontade profissional, que era advogar, mas eu acredito que a política te escolhe. Você não escolhe ser candidato, pois você vê muita gente aí que escolhe ser candidato e a política não te deixa que essas pessoas entrem na política. E eu acredito que a política me escolheu e a classe aprovou. A associação que eu presidia fomentou isso dentro da tropa e eu fui escolhido candidato da Polícia Militar em uma assembleia geral da própria associação.

O senhor recebeu doações de campanha do Governador José Melo e do deputado Pauderney. Como fica sua independência com relação a ele?

Na verdade, no site da Justiça Eleitoral tudo aparece como valores, de fato, são doações, mas não são doações de valores. Isso aí se trata de material (de campanha) conjunto com o Pauderney, se trata de viagens de campanha eleitoral feitas junto com o governador José Melo. E isso tudo aparece no site, mas é o valor correspondente ao gasto, mas se tratam de coisas como essa. Mas era uma recíproca. Aquilo ali é apoio político. É uma reciprocidade dentro da política.

O senhor assumiu muitos compromissos durante a campanha com aliados e apoiadores? Deve seu mandato ou favores a alguém?

Não. A gente fez uma campanha muito em cima da classe e aí a gente não precisou assumir compromissos políticos ou financeiros com ninguém. A nossa campanha foi bem simples. Não devo favores a ninguém. Na verdade devo o meu mandato apenas aos meus eleitores.

O senhor entrou com 18 anos na PM, com 21 anos liderou um movimento grevista. O senhor se considera um rebelde?

Não. Eu acredito que o policial militar  independente de ser militar,  é  um trabalhador. Quando você reivindica direitos legítimos, acredito que não se pode criminalizar os atos(...) Eu não fui um mau exemplo.

Perfil

Nome: Platiny Soares Lopes

Idade: 22 anos

Estudos: Bacharel em Direito, pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)

Experiência: Soldado da Polícia Militar; técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). Presidente-fundador da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (APEAM).


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.