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Cotidiano
OPERAÇÃO LAVA JATO

Líder da oposição ao prefeito na CMM leva Óleo de Peroba para vereadores governistas

Vereador Waldemir José levou vidro de óleo usado para lustrar móveis para caçoar de parlamentares que defenderam o prefeito das citações na Lava Jato no plenário da Casa Legislativa 13/12/2016 às 05:00 - Atualizado em 13/12/2016 às 11:06
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Após manifestação do vereador Mário Frota em favor de Artur Neto, o petista Waldemir José disse: ‘Eu trouxe aqui um Óleo de Peroba para o senhor passar na sua cara de pau' (Montagem: A Crítica)
Lucas Jardim Manaus (AM)

O vereador Waldemir José (PT), líder da oposição à gestão Artur Neto (PSDB) na Câmara Municipal de Manaus (CMM), levou um vidro de Óleo de Peroba, produto utilizado para lustrar móveis de madeira, para o plenário da Casa Legislativa durante a sessão desta segunda-feira (12).

Ele utilizou o vidro para chamar de “cara de pau” o vereador Mário Frota (PHS), o primeiro de vários membros da bancada governista a tomar a tribuna para defender o prefeito das acusações trazidas à tona na delação premiada feita por Cláudio Melo Filho, diretor de relações institucionais da construtora Odebrecht, à Força-Tarefa da Operação Lava-Jato na semana passada.

“Eu trouxe aqui um Óleo de Peroba para o senhor passar na sua cara de pau”, disse o parlamentar petista após Mário Frota ter usado a tribuna duas vezes para se manifestar em favor de Artur e contra a gestão do PT no Executivo nacional. O assunto transformou o plenário no palco de um jogo de acusações entre o oposicionista e os vereadores aliados.

O líder do prefeito na Casa, Elias Emanuel (PSDB), que havia comunicado através de sua assessoria que não se pronunciaria sobre a menção de Artur na Lava Jato, e já havia pedido a palavra no pequeno expediente tão somente para pedir um minuto de silêncio por conta de um falecimento, acabou se manifestando sobre o acontecimento após a provocação de Waldemir.

“Cabe a pergunta agora: quanto é que o vereador Waldemir José está ganhando para fazer esse merchandising do óleo, que eu nem vou dizer o nome para não dizerem que eu estou dividindo com ele a cota de patrocínio. Brincadeiras à parte, não é o prefeito Artur Neto que ironiza a Lava-Jato. Quem ironiza a Lava-Jato, o juiz Sérgio Moro, é o PT. O prefeito Artur Neto confessou que em 2010 houve doação lícita porque a legislação da época lhe permitia”, declarou o vereador.

Mário Frota reiterou a legalidade da conduta do prefeito: “A lei permite isso. Se a empresa dá o dinheiro, o que tem que ser feito é declarar o recebimento desse dinheiro e usá-lo na campanha e isso o prefeito fez quando recebeu R$ 80 mil e declarou esse valor à Justiça Eleitoral. Mais do que legal, mais do que correto. Se ele tivesse recebido R$ 300 mil, claro que ele teria feito a mesma coisa”, argumentou o parlamentar, que juntamente com Luiz  Carijó (PTB), Professor Samuel (PHS) e o  Presidente da Casa, Wilker Barreto (PHS), defenderam Artur na tribuna.

“O que nós queremos neste momento, o que o povo de Manaus quer, é que a Lava-Jato não pare e essa foi a afirmação do próprio prefeito. Se esta for a intenção dele, é necessário que se apure essa delação feita por membros da Odebrecht e que no final, caso o prefeito tenha cometido crime de caixa dois, como ele é acusado, que tenha o destino que toda a nação brasileira quer”, disse Bibiano (PT).

‘O prefeito não tem veia democrática’

Fora da bancada do PT, Marcelo Serafim (PSB) foi um dos parlamentares mais incisivos nas críticas a Artur na Câmara ontem. Antes de entrar no plenário, ele declarou que o prefeito precisava se explicar perante a sociedade manauara. “As acusações são gravíssimas. [...] Ele recebeu esse dinheiro com um único intuito: ser um facilitador da Odebrecht no caso de reeleição como senador”, declarou.

No entanto, o vereador descarta a chance de chamar o prefeito para prestar esclarecimentos à Casa. “A Câmara é um poder submisso ao prefeito Artur Virgílio. Nós somos um quintal da prefeitura. [...] Eu não tenho muitas condições nem de convidar o prefeito para jantar na minha casa porque sei que ele não vai, que dirá convidá-lo à Câmara Municipal. O prefeito, infelizmente, não tem a veia democrática que ele sempre disse que tinha quando era parlamentar. Ele jamais viria a esta Casa, até porque esta Casa está de joelhos para ele”, disse.

Blog: Wilker Barreto, vereador pelo PHS e presidente da CMM

“Tem que ter muito cuidado. Quem é esse senhor [Claúdio] Melo? O Artur, em 2010, era oposição.  [Melo] deixou muito claro que queria ter relações com políticos que tinham influência no governo. O prefeito não tinha influência no governo à época, porque era oposição. Por sinal, era duro opositor do governo. O que o prefeito recebeu foi de forma legal, como afirmou o [Tribunal Superior Eleitoral] TSE. Se o Artur é parceiro da Odebrecht, por que a Odebrecht não veio para Manaus nenhuma vez enquanto ele foi prefeito? Já que o que [Melo] deixou bem claro é que existia conluio, que era um ‘toma lá, da cá’, qual era o ‘toma lá, dá cá’ que o prefeito podia dar à época, como líder da oposição, para a Odebrecht? Ou seja, o Artur atrapalhava mais do que ajudava, se fosse uma troca de favores. Não tem nenhum cabimento. Ouço isso com muita tranquilidade”.

Pagamento visava apoio

Cláudio Melo Filho, em delação premiada entregue à Força-Tarefa da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, disse que Artur Neto recebeu R$ 300 mil em propinas da construtora Odebrecht durante a campanha para o Senado Federal em 2010. 

Conforme o delator, Artur Neto era conhecido como ‘Kimono’ - o político amazonense é faixa-vermelha de jiu-jitsu, a maior graduação da arte marcial e que a doação se justificava porque ele “certamente seria um parlamentar de expressão no Congresso Nacional”.

Em nota, Artur disse que recebeu uma doação legal da empresa, com valor a menor. “Recebi, de modo legal e com o devido registro na Justiça Eleitoral, R$ 80 mil, a título de colaboração da empresa Odebrecht, através de sua subsidiária Leyroz de Caixias Indústria, Comércio e Logística, para a minha campanha de 2010 para o Senado. Essa é a verdade única. Daí porque recebi, surpreso e revoltado, a notícia de que o delator Claudio Melo teria me citado como suposto beneficiário de R$ 300 mil nessa mesma eleição”, escreveu, anunciando também, no documento, que pretende processar Cláudio Melo e a Odebrecht, como forma de reagir ao que chamou de “um quadro intolerável de difamação e perversa leviandade”.

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