Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
MEDIDAS PREVENTIVAS

Líderes de facções criminosas ficam isolados em celas vigiadas 24h no AM

Segundo a Seap, são ao menos 40 líderes presos e isolados no sistema prisional amazonense. Ações tomadas visam prevenir novos massacres dentro das unidades prisionais



show_show_semiaberto-1533937768_D6A41FC7-E017-47DF-B6A2-D613E5D0AC85.JPG Foto: Divulgação
19/12/2019 às 18:21

A prisão e o isolamento de ao menos 40 líderes de facções criminosas no sistema prisional amazonense, com ações de revistas duas vezes por semana, são algumas das medidas que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) está tomando para evitar novos massacres dentro das unidades prisionais de Manaus. Os presos de alta periculosidade ficam em celas separadas e vigiadas 24h, com saída somente durante visita de familiares.

Nos últimos meses, a Seap também vem realizando rondas noturnas, plantão noturno nos ramais na área de mata, reforço na muralha e isolamento das lideranças dentro do sistema prisional. O objetivo é evitar ou dificultar que aconteçam rebeliões. Em janeiro de 2017, 64 pessoas foram mortas no que ficou conhecido como o ‘massacre do Compaj’, e em maio de 2019, outras 55 pessoas foram executadas.




Massacre no Compaj de 2017 foi o maior do Amazonas em número de mortos. Foto: Divulgação

A informação da Secretaria é que durante este ano, as fiscalizações na entrada dos presídios foram rigorosas e com uso de equipamentos eletrônicos, o que impediu a entrada de material com proibido em presídios, como droga e, principalmente, de telefones celulares.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Seap, em 2018 foram apreendidos 1.185 telefones celulares e neste ano 404. A direção acredita que os presos estão impedidos de se comunicar com o mundo fora das muralhas. Até mesmo os comunicados conhecidos como “salves” estão sendo barrados.

Prisão de líderes

O golpe mais duro para as facções criminosas que atuam na cidade é a prisão dos principais líderes. As prisões aconteceram no Amazonas e em outros estados para onde muitos criminosos fugiram da Justiça, acreditando que continuariam livres e comandando o crime de outros locais do país.

Nessa quarta-feira (18), a Polícia Federal prendeu um dos últimos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), que estava refugiado na Bahia: Alan Barbosa Rolim o “Zaqueu”. De acordo com a Polícia Federal, ele é líder da facção que comandou o massacre de presos no Amazonas em 2019.

Zaqueu foi localizado por policiais federais no último domingo (15), em um Shopping da cidade de Salvador, na Bahia, oportunidade em que foi cumprido em seu desfavor um mandado de prisão preventiva (expedido pelo Juízo da Vara de Execuções Penais de Manaus/AM).

Investigações

Segundo a Polícia Federal, o Inquérito Policial que resultou na prisão dos líderes foi instaurado pela Polícia Federal no Amazonas, atendendo a requisição do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, após o massacre que vitimou 55 detentos em presídios do Amazonas, ocorrido nos dias 26 e 27 de maio deste ano (2019), e teve por objetivo investigar a atuação de organizações criminosas no sistema prisional, no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro.


O ministro Sérgio Moro autorizou a vinda da Força Nacional para controlar a situação nos presídios do AM em 2019. Foto: Divulgação

Há indícios de que o referido massacre a detentos foi executado em decorrência de disputas entre integrantes de uma mesma facção a FDNF, que atua dentro e fora dos presídios na prática de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, homicídios e crimes correlatos, o que fortificou a hipótese da investigação criminal que ficou a cargo da Polícia Civil/AM.

Durante os trabalhos de investigação foram presos pessoas de ambos os sexos, que atuavam fora do sistema prisional, mas que eram ligados às duas principais lideranças em disputa pelo controle da facção criminosa. De acordo com o que se apurou, há indícios de que tais indivíduos se encontravam no centro da disputa e tiveram relação com os fatos que ocasionaram o massacre.

Repórter de A Crítica

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