Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
LIXO

Lixão a céu aberto em área verde preocupa população de Rio Preto da Eva

Ignorando a Política Nacional de Resíduos Sólidos, prefeitura da cidade transforma área verde em lixeira



lix_o.JPG (Foto: Márcio Silva)
15/04/2017 às 05:00

Um lixão a céu aberto, localizado no ramal ZF7B,  quilômetro 86 da AM-010, no Município de Rio Preto da Eva, vem tirando o sono dos moradores da cidade. “Inaugurado” há pouco mais de um mês, o terreno, cedido pelo proprietário de uma granja à prefeitura do município, recebe diariamente toneladas de lixo e a população teme a poluição de área verde, de igarapés e o risco de transmissão de doenças.

A Lei n° 12.305, de 3 de agosto de 2010, que começou a vigorar em 2014, proíbe todas as cidades do País de usar lixões a céu aberto e multa o gestor que desobedecer a regulamentação. Além de cortar benefícios federais para os municípios que não se adequarem.



Os moradores denunciaram que, todos os dias, das 7h às 9h, um caminhão de coleta da cidade despeja toneladas de lixo na área verde e, posteriormente, um trator se encarrega de levar o entulho para uma área mais para dentro da mata. “Eles começaram a jogar aí na beira da estrada, mas dias depois, na mesma semana, eles trouxeram essa máquina aí para empurrar o lixo mais lá para dentro”, contou um caseiro de um sítio, que pediu para não ser identificado.

A área verde que vem servindo como depósito de lixo é de propriedade da Granja Santa Teresinha, que estaria recebendo recursos da prefeitura do município para servir de lixeira, segundo denunciantes. Logo na primeira semana, além de despejarem lixo, funcionários da prefeitura desmataram uma área. “O lixo começou a acumular aqui na beira do ramal, aí eles resolveram derrubar umas árvores e jogar o lixo lá para dentro. Eles estavam até enterrando parte dele”, contou uma denunciante, que também pediu para não ter o nome divulgado.

Os moradores estão preocupados com a contaminação da área verde, a possível poluição de um igarapé (que fica a 2 km do local onde o lixo está sendo despejado) e a transmissão de doenças pelas moscas que estão infestando o ramal. “Essa lixeira está causando medo em todo mundo no ramal, o risco de destruir a natureza e transmitir doenças é muito sério, muito grave e ninguém faz nada em nosso favor”, disse o comerciante Valdemir Gonçalves.

Versões

Segundo o secretário de Infraestrutura de Rio Preto da Eva, Isael Carvalho, o lixão foi  embargado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), mas o município está buscando autorização do órgão estadual para voltar a operar.

O procurador geral do município de Rio Preto da Eva, Ricardo Gomes, reforçou  que o terreno não foi escolhido aleatoriamente. “É um terreno que não tem comunicação hídrica, ou seja, não há a possibilidade de poluir os igarapés nem o rio Urubu. Todo o processo de escolha foi acompanhado por diversos órgãos e profissionais”, disse.

O procurador afirmou também que, na quarta-feira haverá uma reunião e visita técnica no terreno com representantes do Ipaam e do Ministério Público Estadual. “São 35 mil satisfeitos e apenas 300 insatisfeitos”, declarou.

Segundo ele, em maio todo o lixo será retirado do local e incinerado, o terreno será isolado e, o solo, impermebilizado. “Aquela área recebeu um preparo, mas como estamos em época de chuva ficou complicado. Novos trabalhos serão feitos para garantir que nenhum desastre ocorra”,

A reportagem não conseguiu contato com os responsáveis pela granja Santa Terezinha.

‘Não temos recursos’, diz prefeitura

O titular da Secretaria de Infraestrutura de Rio preto da Eva, Isael Carvalho, atribuiu às denuncias sobre o lixão a céu aberto a um grupo político que “não quer deixar o município andar”, mas, segundo ele, nos anos anteriores a população convivia com o lixo, urubus e moscas na cidade e “ninguém reclamava”.  

Segundo o gestor,  a prefeitura não tem recursos para construir um aterro sanitário e busca apoio dos governos estadual e federal para  se adequar à nova regulamentação.

De acordo com Carvalho, o dono da Granja Santa Teresinha se “compadeceu” com a situação do município e cedeu um lote do terreno para servir como lixão “temporário ou não”. “Estamos estudando comprar esse terreno. Não estamos fazendo nada da sem estudo,  temos uma equipe técnica trabalhando nisso. Não há riscos de contaminação”.

No entanto, o procurador geral do município de Rio Preto da Eva, Ricardo Gomes, disse que o terreno é de propriedade da Suframa e está cedido para a granja, mas que o município está trabalhando para legalizar e conseguir a posse da terra. “É burocrático, depende da Suframa e também da chancela do Ministério da Indústria e Desenvolvimento”.

Na zona urbana a falta de coleta deixa o lixo acumulado

Apesar do “novo” lixão a céu aberto, os moradores do Município de Rio Preto da Eva estão sofrendo com a falta do serviço de coleta de lixo, que vem se acumulando nas lixeiras, calçadas e ruas da cidade.

 Segundo um comerciante, que não quis se identificar, o problema se arrasta por dois meses porque a prefeitura da cidade não está pagando a empresa de coleta, mas desde segunda-feira o problema se agravou. “Desde segunda o carro não passa, o lixo está se acumulando cada vez mais e ninguém tem uma resposta da secretaria”, disse. Ele disse ainda que o caso se agrava quando os animais de rua rasgam os sacos de lixo e espalham pelas ruas, sujando toda a área pública. “É complicado e a gente acaba sem saber a quem recorrer e o povo fica sendo o maior prejudicado com tudo isso”, disse.

Um morador do ramal ZF7B, localizado no KM 86 da AM 010, que não quis se identificar, disse que desde o início da semana passada o carro de lixo não tem ido despejar resíduos em um lixão que está funcionando há pouco mais de um mês no local. “Os salários dos funcionários está atrasado. Desde segunda eles não aparecem por aqui, aí lá na cidade as pessoas estão reclamando muito porque o lixo está aumentando nas lixeiras e atraindo bichos. Fora o cheiro ruim nos lugares que as pessoas mais jogam lixo”, disse .

Segundo o titular da Secretaria de Infraestrutura, Isael Carvalho, o município e a empresa tiveram problemas burocráticos com a documentação, mas que estão sendo resolvidos. “Estamos atuando no sentido de regularizar e fazer os pagamentos”, disse.


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