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Lixeira a céu aberto é foco para proliferação do mosquito Aedes aegypti em Manaus

Lixeiras viciadas viram acumuladores de água e se tornam cenário propício para reprodução do mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya 14/02/2016 às 18:27
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Lixeira a céu aberto é foco para o mosquito Aedes aegypti
SILANE SOUZA ---

A disseminação do Zika vírus e sua ligação em casos de microcefalia tornaram-se uma emergência de saúde pública internacional. Mas o decreto emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e as milhares ações de combate ao Aedes aegypti, que também transmite dengue e febre Chikungunya, não tem feito a população manauense de um modo geral se conscientizar.

As lixeiras a céu aberto (viciadas), cenário propício para a proliferação do mosquito, são encontradas em diversos bairros da cidade, especialmente na Zona Leste, área que registrou o maior índice predial (3,6) de transmissão de doenças pelo Aedes aegypti, de acordo com o Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) de 2016.

Nas comunidades Nova Floresta e Nova Conquista, ambos no bairro Tancredo Neves, classificado como de alto risco para transmissão de doenças pelo Aedes, conforme o LIRAa de 2016, as lixeiras viciadas estão por toda a parte.

Na rua Amazonas, no Novo Conquista, duas grandes erosões preocupam os moradores do local, pois quando chove o barranco cai. Além disso, nos dois lugares o ‘buraco’ virou depósito de lixo. “São os próprios moradores que jogam o lixo dentro da cratera porque o carro coletor de lixo não passa aqui”, contou o ajudante de pedreiro André Alves da Silva, 36.


Erosão formou lixeira a céu aberto no Nova Conquista

Na rua das Pampoulas, na 3ª etapa do bairro Jorge Teixeira, uma lixeira viciada toma conta de parte da via e da antiga praça de alimentação que funcionava no local. De acordo com a comerciante Eliane Vieira dos Santos, 41, o presidente do bairro pediu para os moradores colocar o lixo em frente de casa para quando o carro coletor de lixo passar levar, mas não tem jeito, as pessoas continuam jogando o lixo na calçada.

O lixo acumulado não é encontrado apenas nas ruas da cidade, em uma fábrica abandonada na rua Abelardo Barbosa, no Coroado, outro bairro da Zona Leste classificado como de alto risco para transmissão de doenças pelo Aedes aegypti, conforme o LIRAa de 2016, resíduos plásticos tomam conta de toda a área. Fora isso, dentro do prédio, há várias poças de água acumulada.

De acordo com o eletricista Iranildo Mota, 46, no local funcionava a fábrica Vulcaplast Indústria da Amazônia LTDA, que decretou falência em meados de 2012, deste então, o espaço ficou abandonado. “Eles fecharam as portas e só tiraram as máquinas. Mas até o ano passado tinha um vigia, que ficava com um cachorro tomando conta do lugar, acho que era para o pessoal não roubar o que ainda tinha ficado, mas agora não tem mais nada além do lixo”, destacou.


Lixo jogado em ruas do Jorge Teixeira atraem insetos

Inspeção

Nessa segunda-feira (14), a partir das 14h, as ocorrências de focos de dengue e malária, lixeira viciada e igarapé represado serão inspecionados pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Caama), da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na Comunidade Nova Floresta, bairro Tancredo Neves, Zona Leste.

De acordo com o presidente da Caama, deputado estadual Luiz Castro (Rede), a visita técnica de inspeção foi solicitada pelos moradores do local. “O objetivo é encontrar soluções para os problemas já citados, assim como as denúncias da presença de caramujos africanos e erosões em locais próximos a residências”, informou.

Conforme ele, representantes das Secretarias Municipais de Meio Ambiente (Semmas) e de Limpeza Pública (Semulsp) e a Fundação de Vigilância de Saúde do Amazonas (FVS-AM) foram convidados a participar da inspeção.

Em números

Cinco bairros da Zona Leste foram classificados como de alto risco para transmissão de doenças pelo Aedes Aegypti, de acordo com o LIRAa 2016: São José Operário, Coroado, Tancredo Neves, Armando Mendes e Zumbi.

Chuva agrava

A comerciante Eliane Vieira dos Santos, relatou que na rua das Pampolas, 3ª etapa do bairro Jorge Teixeira, quando chove o comércio fica cheio de lixo porque a água leva todos os entulhos depositados na lixeira viciada na calçada.

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