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Lixeira pública ameaça voos no interior do Amazonas

A prefeitura do município de Parintins contratou a empresa que reformulou aterro sanitário de Manaus para fazer trabalho igual e assim liberar aeroporto 29/03/2013 às 08:08
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‘Lixão’ a céu aberto de Parintins, hoje aterro controlado, atraia urubus, que comprometiam a segurança dos vôos diurnos operados no aeroporto Júlio Belém
jonas santos Parintins

Uma força tarefa está sendo montada em Parintins (município a 325 quilômetros de Manaus) para fazer a readequação da lixeira pública visando minimizar os impactos ambientais e permitir a reabertura do aeroporto Júlio Belém, fechado pela Justiça Federal, desde 2010 para voos diurnos. Atualmente, ele opera apenas voos noturnos.

A prefeitura contratou a empresa CiZen Ltda, que trabalhou no aterro sanitário de Manaus, para tratar os resíduos sólidos, onde o lixo é depositado. Ainda no mês de abril o prefeito Carlos Alexandre Ferreira da Silva, o Alexandre da Carbrás (PSD), pretende apresentar um novo relatório ao Ministério Público Federal (MPF) ao juiz da 7ª. Vara Federal (Ambiental e Agrária), Dimis da Costa Braga, pedindo a reabertura total do aeródromo da cidade. O município está investindo, de acordo com Carbrás, R$ 2,5 milhões no tratamento do lixo.

Nesta quinta-feira (28), o diretor da empresa Edvar Pereira, disse que em dois meses de trabalho já ocorreu à redução do número de urubus presentes na lixeira.

“Estamos trabalhando três pontos que afugentam a presença de urubus. Um deles é a compactação, a segunda o chorume e o terceiro o pouso”, afirmou. “Os dois primeiros estamos controlando com a cobertura do lixo e retiradas de poças d’água. O pouso não posso evitar, por causa da floresta em volta, mas também estamos dificultando, cruzando arames na frentes dos mourões para que eles não sentem nas cercas”, acrescenta Pereira. Quatro caminhões basculantes, uma pá carregadeira, uma escavadeira hidráulica e um trator de esteira estão sendo usados na compactação dos resíduos sólidos. Em média 120 toneladas de lixo são coletadas diariamente na cidade.

“Em duas semanas esperamos concluir um novo relatório para apresentar ao MPF e ao juiz federal. Já conversei com os procuradores e apresentei o interesse do município em solucionar essa questão. O problema da lixeira foi uma das principais ações logo que assumi a prefeitura”, comentou Carbrás. O aeroporto está interditado há dois anos e seis meses. Ao longo dos anos, na avaliação dele, os resíduos sólidos têm sido depositados no bairro Dejard Vieira sem nenhum critério técnico ou medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública.

Fechado por ordem federal
O juiz federal da 7ª. Vara Criminal (Ambiental e Agrária), Dimis da Costa Braga, interditou o aeroporto de Parintins, em setembro de 2010, alegando perigo aéreo devido à presença de urubus na cabeceira da pista. Oito meses depois, do fechamento, o magistrado permitiu a reabertura parcial somente no horário compreendido entre 19h e 5h. Essa autorização está em vigência ainda hoje.

No despacho, o juiz disse que a competência para a reabertura do aeroporto era da Agência Nacional de Aviação Civil ( Anac) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgãos federais, para aferir se o município de Parintins havia cumprindo uma série de exigências determinadas pelo juízo da 7ª Vara Criminal, dentre as quais, as melhorias na lixeira pública.

O aeroporto é a principal via de entrada dos turistas que vão a Parintins para assistir o Festival Folclórico dos bumbás Garantido e Caprichoso.

Política pública
O planejamento da Secretaria Municipal de Serviços Públicos é investir não só no aterro controlado, mas também em ações de educação ambiental e implantação de projetos para o tratamento e a destinação final do lixo produzido no município. O local onde os resíduos são depositados possui uma área aproximada de 10 hectares sendo praticamente o quintal do Centro de Estudos Superiores da Universidade Estadual do Amazonas. A execução dos serviços reduziu a presença de moscas e o forte odor.

Liberação curiosa
Curiosamente nos dois anos de interdição a Justiça Federal tem feito concessões de reabertura do aeroporto na semana de pico do Festival Folclórico de Parintins. Ou seja, a reabertura para os voos diários ocorrem justamente nos dias que a cidade recebe o maior número de voos e de turistas.

Risco noturno
Após o festival, e nos demais meses do ano, quando o fluxo de passageiros é menor o aeroporto só funciona durante a noite, por causa do risco aviário. Em 2013, a tendência é da procura por passagens aéreas aumentar por causa das comemorações de Centenário dos bumbás.

Instituto sugere duas áreas para aterro
Estudos realizados por técnicos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) apontam dois locais viáveis para a instalação de um aterro sanitário. Um deles seria próximo a comunidade do Macurany, na área suburbana de Parintins, e o outro na área de assentamento do Instituto de Colonização e Reforma Agrária ( Incra),na Vila Amazônia. Segundo o Plano Diretor do Município a Vila Amazônia está inserida na área de expansão da sede de Parintins. Mas após dois anos de discussão, com realização de audiências públicas, o caso não avançou.

 

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