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Locadoras de Manaus sobrevivem a era digital e se reinventam

Donos das únicas duas locadoras de vídeos de Manaus contam como reinventaram esse comércio e agregaram serviços diferenciados 03/10/2015 às 16:36
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Empresário Joaby Carvalho, proprietário da Amazônia Vídeo, dispõe de aluguel de games e cópia de documentos
Natália Caplan ---

A alta histórica do dólar e a consequente queda do real tem mexido com todos os setores econômicos do Brasil. E, se a crise atinge desde o mercadinho do bairro até as fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), imagine aquele tipo de empreendimento já considerado obsoleto. É o caso das duas locadoras de filmes da capital: “Amazônia Vídeo”, no bairro Betânia, Zona Sul; e “Take Vídeo”, no Parque Dez, Zona Centro-Sul.

Elas são as sobreviventes das 200 lojas do ramo que existiam na cidade na década de 1990. Há aproximadamente três meses, a “Bandeirante Vídeo”, situada na Cidade Nova, Zona Norte, também encerrou as atividades. Na tentativa de manter as portas abertas, o dono da primeira, Joaby Carvalho, 31, decidiu mudar o investimento. Ao invés de comprar lançamentos, ele busca itens raros e fora do padrão “blockbuster”, ou seja, “popular”.

“Trabalhamos com filmes fora do circuito normal de cinema: clássicos, estrangeiros e culturais. Aquilo que chamamos de ‘underground’, que não está na mídia, não são tão conhecidos. Temos filmes de diversos países, como Alemanha, França, Irã, Japão e Polônia”, diz. “Temos uma lista de filmes relacionados à Ditadura, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Segunda Guerra Mundial entre outros temas que você não encontra em outro lugar”, completa.

Com preços de R$ 5 e R$ 8 para locação de DVD e Blu-Ray (2D e 3D), respectivamente, ele também optou por oferecer outros serviços, como aluguel de games para PS3 e Xbox (R$ 10 cada), transferência de filmes VHS para DVD, cópia de documentos e até separou um espaço para a venda de roupas. Segundo o comerciante, depender somente da atividade de vídeo locadora se tornou inviável.

“Até compro lançamentos, mas apenas em Blu-Ray. O retorno é baixo e o espaço necessário para guardar é grande. Vamos ser a resistência, o nicho de mercado: não cresce, mas também não acaba”, afirma, ao declarar que não basta oferecer opções, é preciso conhecer os produtos. “Meu trabalho é assistir os filmes e saber o conteúdo para indicar aos clientes específicos. Sou um colecionador também, não penso somente no comercial”, enfatiza.

Na área há 17 anos, Carvalho tem 100 clientes fixos, a maioria da época em que ele ainda era funcionário de outro estabelecimento. Questionado sobre os “vilões” que teriam enfraquecido o setor e se pretende, futuramente, abdicar da locadora de vídeo, o empreendedor declarou que não pretende desistir tão fácil. Para ele, o fim do comércio de filmes em grandes redes renova a esperança de tempos melhores.

“Não é porque chegou uma fase ruim, que vou largar. Tudo que for raro, eu vou atrás. Eu importo, compro de colecionadores”, conta.

Em números

10 por cento foi a queda nas vendas de DVDs e Blu-Rays no atacado entre 2012 e 2013 (musicais), segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD).

Netflix

A Netflix não é a principal concorrente das locadoras. Por não oferecer lançamentos, ela ganha destaque com séries exclusivas e acervo de filmes que marcaram o cinema. Com um valor fixo mensal, o usuário assiste o que quiser.

Amazônia Vídeo

Av. Adalberto Valle, nº 9, próximo ao Baratão da Carne, Betânia.

Contato: 99259-4508

Take Vídeo

Av. Perimetral, nº 614, 


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