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Cotidiano
Moradores alarmados

Área do Cacau-Pirêra, no Iranduba, pede socorro com a cheia dos rios no AM

Enchente do rio Negro por um lado e do Solimões pelo outro traz riscos de todos os tipos para as comunidades 07/06/2017 às 05:00
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A dona de casa Ivete Batalha teve a casa ilhada por conta da cheia (Foto: Márcio Silva)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A cheia dos rios no Cacau-Pirêra, localidade do Município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus) expõe a fragilidade de uma área onde a dificuldade de locomoção é aliada a mazelas como o lixo e a proliferação de animais peçonhentos como cobras e outros.

Em bairros como a Cidade Nova, logo na entrada daquele distrito interiorano, se concentram todos esses problemas, reclamaram desesperançosos moradores para a equipe de reportagem de A CRÍTICA.

No local, várias casas estão reféns da subida das águas. Uma delas pertencente ao casal Raimundo Almeida da Rocha e Janete Batista, ambos com 49 anos de idade. Ele serralheiro e ela cozinheira, ambos sempre têm que molhar os pés para sair da sua residência, na rua 5.

Ao lado da casa deles há uma ponte improvisada que dá acesso à outra parte do bairro. Segundo eles, os próprios moradores a construíram, após esperarem bastante pelo apoio do poder público.

“Órgãos de defesa civil estiveram aqui mas não fizeram nada por nós”, comentou Raimundo Rocha. Em certo momento da entrevista, ele fez questão de literalmente “enfiar o pé na lama” para mostrar a dificuldade que tem para sair e entrar em sua casa em face da cheia dos rios.

“A situação é precária demais, e não temos condições de comprar madeira para fazer uma ligação entre essa ponte e a nossa casa”, garante Janete Batista. Um agravante na situação do casal “ilhado”: durante a entrevista a dona de casa estava sentindo fortes dores nas costas, e aguardava por familiares para lhe atender. O problema é que chegar até ela é problemático tendo em vista, além da área alagada, também um matagal.

“Quando vou trabalhar de calça comprida sempre tenho que arregaçá-la para não molhar. Além disso estou com essas dores nas costas que, apesar de não terem nada a ver com a cheia, mas mesmo assim prejudica”, diz ela.

“Essas águas têm cobras, sapo e até poraquês (Electrophorus electricus) é uma espécie de peixe actinopterígio, gimnotiforme, que pode chegar a dois metros de comprimento e pesar cerca de vinte quilogramas. É uma das conhecidas espécies de peixe-elétrico, com capacidade de geração elétrica que varia de cerca de 300 volts a cerca de 0,5 ampères até cerca de 1 500 volts a cerca de três ampères), comentou Janete. 

Na rua 6, uma casa, a de número 183, está abandonada por uma família que encontrou, como opção, residir em uma moradia bem em frente da sua. A CRÍTICA tentou contato com o chefe dessa família, mas ele preferiu não dar entrevista. Possivelmente irritado com tantas mazelas em sua comunidade.

Na rua 8, também do bairro Cidade Nova, dona Ivete Batalha de Andrade, 46, também trava uma verdadeira guerra para sair de casa: a água forma um lago ao redor de sua casa. “Não tenho dinheiro para comprar madeira para fazer a maromba”, reclama a moradora.

Cota

A última taxa do Rio Negro registrada ontem (6) foi de 28m99. De acordo com as informações repassadas pelo Porto de Manaus, ainda neste dia as águas baixaram 1 centímetro.

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