Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
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Luta contra o câncer é uma batalha que não se vence só

Quem descobre que tem câncer conta com a dedicação de amigos e da família para superar o diagnóstico nada positivo



1.gif Géssica Jorge da Silva e o filho Attos Vinicus, que fez tratamento contra o câncer por seis anos, ainda precisam sair de Manacapuru para Manaus para o pequeno fazer os exames de rotina, mas o pior passou
31/01/2015 às 16:32

Na próxima quarta-feira, dia 4 de fevereiro, é celebrado o Dia Mundial da Luta Contra o Câncer, uma guerra que não se vence sozinho. Sabendo disso, os amigos de Talisson de Oliveira, 24, se mobilizaram em Manaus para ajudar o amigo, que está internado em Barretos (SP), desde o começo de janeiro. O câncer vem tentando tirar a vida de Talisson há cinco anos, quando ele recebeu o diagnóstico.

Assim que chegou em São Paulo, ele foi desenganado pelos médicos. Foi então que seus amigos, em Manaus, começaram uma campanha para arrecadar dinheiro, com o objetivo de trazer o corpo de Talisson de volta para o Amazonas, mas foram surpreendidos com uma reviravolta. “Graças a Deus ele está reagindo bem e agora vamos usar o dinheiro para ajudar nas despesas do tratamento e na permanência dele e das pessoas que o estão acompanhando: a mãe dele e a avó. A campanha continua”, diz, reanimada com a novidade, Mara Mariana, amiga de infância de Talisson.



Nas redes sociais e também com o apoio da mídia, Mara Mariana disse que as pessoas estão contribuindo como podem. “Para rifar nós ganhamos uma cesta de café da manhã, milhas de viagens e um dia de beleza”.

Outra amiga de Talisson diz que o câncer dominou a rotina dele e da mãe, Regina Souza, e que os dois se sustentam apenas com o aluguel de umas casas, o que não é suficiente para bancar as despesas em São Paulo. “A mãe dele largou tudo para se dedicar exclusivamente ao Talisson”, revela Raissa Cavalcante, que conheceu o amigo no ensino fundamental.

Venceu!

Quem também deixou o emprego de lado para se dedicar apenas à luta contra o câncer do filho foi a mãe de Attos Vinicius da Silva, Géssica Jorge da Silva. Aos 22 anos, em 2010, ela viu o caçula ser diagnosticado com Rabdomiossarcoma Embrionário Anaplásico, um nome complexo e um perigoso tipo de câncer.

“Na hora fiquei em choque. A gente sempre pensa que câncer só existe nas outras famílias. O meu filho tinha um tumor que empurrou o glóbulo ocular dele para fora do rosto. A médica explicou que o câncer já estava ali e uma queda que ele levou acelerou a manifestação da doença”, conta a mãe de Attos Vinicius da Silva. O garoto está com sete anos.

Vinicius tem muita energia, assim como toda criança da idade dele, e a disposição ajudou o pequeno a enfrentar quase seis anos de tratamento com certa alegria. “Quando ele estava fazendo a quimioterapia, que é uma das piores fases do tratamento, ele balançava o fio do soro e me dizia que estava brincando de papagaio. Eu falava para ele ficar quieto, mas preferia ver ele feliz do que desistindo”, confessa Géssica.

A mãe também irradia felicidade e se emociona ao lembrar desses episódios, pois sabe que o pior já passou. “Na época, a médica foi bem clara comigo, ela disse que 50% do tratamento era responsabilidade dela e os outros 50% era comigo. Não me descudei em nenhum momento, segui a lista toda de recomendações da médica”.

Agora, ela vê o filho praticamente curado. “Ainda voltamos para Manaus a cada nove meses para fazer os exames de rotina e ele precisa colocar a prótese”, explica Géssica. Ela mora em Manacapuru, a 79 quilômetros de Manaus.

Para Géssica, vencer uma doença tão cheia de desafios fez de Vinícius uma pessoa solidária. “Ele viu todas as vezes que fomos ajudados e já sabe que é preciso ajudar. Nunca faltamos uma consulta, mas recebemos uma forcinha muitas vezes com as despesas. Hoje em dia, ele diz que eu devo doar as roupas que não uso mais e ele faz o mesmo com os brinquedos”.

Além da vitória

Outra prova de que a solidariedade tem mesmo a ver com quem vence essa luta contra o câncer é a Organização Não Governamental Centro de Integração Amigas da Mama (Ciam), criada por Joana Masulo, uma das guerreiras que derrotou o câncer para ganhar a vida. “O objetivo da Ciam é dar suporte às pessoas que estão em plena luta contra o câncer, especialmente às mulheres que têm o tumor na mama (o mesmo que Joana teve)”.

Joana lembra que descobriu o câncer quando tinha 40 anos, há 19 anos, e que na época era o mesmo que receber um aviso de morte. “Psicologicamente não é uma doença fácil, mesmo hoje. Ainda bem que achei o Dr. Gerson, ele é uma pessoa super humana e dá todo o suporte para o paciente. Foi ele que me deu a ideia da Ong, que oficialmente funciona desde 2004”, diz Joana, que é agradecida por ter o médico mastologista e ginecolista Gerson Mourão para apoiá-la e para sugerir a ideia da Ong.

“Quem tem câncer quer saber como foi para outras pessoas e os seus familiares também. É preciso ter uma referência para ganhar esperança. É isso que nós fazemos, oferecemos reforços para quem quer vencer”, conclui Joana.


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