Publicidade
Cotidiano
DIA DAS MÃES

Mães poderosas: elas conciliam a vida profissional com a criação dos filhos

O ACRITICA.COM conta a história de mulheres que, mesmo com um universo inteiro dentro e fora de casa para conquistar, jamais deixaram de se dedicar à vida e aos filhos 14/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 14/05/2017 às 11:02
Show vida0114 10f
A Dra. Rossiclei Pinheiro é pediatra e mãe de dois filhos (foto: Evandro Seixas)
Laynna Feitoza e Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Choro. A mãe acorda, carrega, amamenta, embala. Anos passam. Escola. Segura a mãozinha pra fazer o contorno do lápis, arruma a lancheira, “não bate no coleguinha”. Vestibular. Cursinho, “Nada de televisão, vai estudar”. Trabalho. Ajuda a arrumar currículo, passa a camisa amassada, faz um potinho de comida pra levar, “Não acorda tarde”. Sucesso. Do filho e da mãe. Missão aparentemente cumprida, mas a missão, mesmo, é eterna.

Muitas mulheres, enquanto acompanhavam todas as etapas das vidas dos filhos, optaram por dividir os afazeres familiares com os demais afazeres de suas vidas, sejam eles o trabalho, os esportes, e demais atividades. O ACRITICA.COM deste Dia das Mães conta a história de mulheres que, mesmo com um universo inteiro dentro e fora de casa para conquistar, jamais deixaram de se dedicar à vida e aos filhos e, consequentemente, os inspiraram a se dedicarem às próprias vidas.

Rossiclei Pinheiro 
Pediatra e neonatologista
Mãe de Guilherme (25) e Gabriela (22)

A Dra. Rossiclei se define como uma mãe “mista”: nem tão tradicional, nem tão liberal. Ela conta que sempre acompanhou as atividades escolares dos dois filhos, cobrou resultados e exigiu horários para chegar em casa. Por outro lado, quando chegou a hora, eles tiveram liberdade para voar e trilhar seus próprios caminhos. “Conheço muitos médicos que ainda acham que seus filhos também devem ser médicos, mas acredito que eles têm que ser felizes com todas as suas opções”, opina.

Como parte do ofício, ela já acompanhou o crescimento de um sem número de crianças, o que também a torna um pouco mãe de cada uma delas. “Participo do crescimento e desenvolvimento, vibro com todas as suas conquistas, desde quando eles começam a andar, entram na escola, passam no vestibular e nas formaturas. Isso faz parte do ser médico”.

Mas, para Rossiclei, o nascimento dos seus próprios filhos foi o que trouxe ensinamentos que ela jamais encontraria nos livros de pediatria. “Aprendi a compartilhar as descobertas da maternidade com outras mães. Guilherme e Gabriela foram meus melhores professores. Com eles aprendi a valorizar cada queixa das mães”.

Sálvia Haddad 
Escritora e procuradora do Estado
Mãe de Mário (16), Humberto (11) e Salma (5)

A experiência de Sálvia com a maternidade teve e ainda tem diversas facetas: a escritora foi mãe solteira do primeiro filho e, anos depois, mãe viúva dos outros dois. Uma maternidade bem peculiar, como ela diz. “A Sálvia antes de ser mãe tinha uma vida muito diferente da minha. A maternidade é algo profundo e marcante”.

Apesar disso, ela acredita que ninguém tem sucesso completo na tarefa de conciliar a criação dos filhos e a realização profissional. “A independência da mulher e sua entrada no mercado de trabalho trouxe avanços para todas nós, mas a conta chegou. A maior angústia da mulher hoje é justamente se equilibrar nessa dupla jornada de trabalho e filhos. É um leão por dia”.

Em seu livro de estreia, “Mel e fel” (2013), Sálvia também aborda uma de suas maiores provações: a morte do marido durante a gravidez do terceiro filho. Para superar o estado de dor profunda, ela contou com o apoio da família, amigos e muitos médicos, mas a ausência ainda se faz sentir até hoje. “Criar meus filhos sem o pai é responsabilidade dobrada. Mais que isso, é ter o desejo constante e inalcançável de preencher o espaço que o outro deixou. Sempre peço a Ele em minhas orações que eu consiga ser para meus filhos tudo que eles precisam que eu seja”.

Waldileia Cardoso 
Professora e presidente do comitê governamental da ISKCON Brasil
Mãe da Mukti Pradata (26) e Radhesyam (21)

Dentro do movimento Hare Krishna, Waldileia também é conhecida como Labanga Dasi, que significa “amiga íntima” e “serva voluntária das pessoas”. Em 50 anos de existência da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna no Brasil (ISKCON), a paraense radicada no Amazonas é a primeira mulher eleita para presidir a entidade nacional, que congrega os seguidores da doutrina de origem hindu. Ela aplica à relação com os filhos muitos dos ensinamentos dessa filosofia espiritualista.

“Como educadora, vejo que a filosofia Hare Krishna tem um fundamento interessante sobre maternidade, porque desde o início sabemos que somos mães, mas que os filhos não são nossos. Eles nascem de nós, mas são do mundo. Assim como todos os seres do mundo são nossos filhos também”.

Durante algum tempo, Waldileia e o marido seguiram a vida monástica e missionária dos Hare Krishnas, mas com a chegada dos filhos eles perceberam que precisariam dar mais atenção à família. Hoje em dia, nenhum dos dois rebentos segue o movimento, seus votos e austeridades, o que Waldileia também compreende. “Entendo que não poderia obrigá-los. Eles sempre foram livres para escolher, senão eu iria contra a própria filosofia”.

Tereza Azevedo
Advogada e confeiteira
Mãe da Lídia (19), Lucas (17) e Luiza (14)

Nascida no Rio Grande do Norte e radicada no Amazonas há seis anos, Tereza sempre quis ser mãe, mas acabou tendo que fazer tratamento durante três anos antes de conseguir engravidar de Lídia. A caçula, por outro lado, veio naturalmente. “Ser mãe era o que eu mais queria, então não foi nenhum sacrifício não, aproveitei todas as fases”, conta.

Levada a mudar de Estado constantemente por conta da profissão do marido, Tereza abriu mão de uma carreira no Direito para se dedicar aos filhos em tempo integral. E ela não se arrepende nem um pouco disso. “Algumas vezes dava um desespero quando eu chegava na roda de amigos onde todo mundo era empresário bem sucedido enquanto eu não fazia nada. Mas hoje, quando olho o caráter e a criação dos meus filhos, tenho a certeza que fiz o certo”.

Com os filhos já adolescentes, ela começou a empreender no segmento dos bolos, com o qual sempre teve intimidade, criando a microempresa Tetê Gourmet. “Trabalho com a base dos bolos que sempre fiz em casa para os filhos e amigos, só que agora mais elaborados”.

Patrícia Coelho
Presidente da MLog S/A (empresa controladora da  Asgaard Navegação e da Companhia de Navegação da Amazônia)
Mãe de dois filhos

“Conciliar a vida de empresária da área de Logística e Navegação e a família é exatamente igual ao desafio de todas as mulheres que têm dupla jornada. Uma luta a cada dia. Ser empresária é pensar com muito foco na empresa e ser mãe é pensar sempre nos filhos. Então são dois focos! O problema deste paradoxo é que foco deve ser um só. Então, como fazer? Quebrar o paradoxo.  Dia desses, meu filho tinha uma apresentação na escola e eu estava voltando de uma viagem de trabalho. Corri para pegar o voo e chegar a tempo. Um dia, a professora da minha filha perguntou por que eu nunca ia nas reuniões de pais e professores. Ela devia ter uns seis aninhos na ocasião.  Sem pestanejar ela respondeu: ‘Professora, minha mãe trabalha muito. Ela faz navios. Que outra mãe aqui faz navios, professora?’  Em janeiro de 2015, lançamos o primeiro navio ao mar, o Asgaard Sofia, e levei meus filhos para acompanhar a cerimônia. Quando estávamos voltando para casa, meu filho disse: ‘Mãe, eu tenho muito orgulho de você!’ Pronto. Essa é a minha recompensa”.

Ana Eliza Praciano
Juíza Federal do Trabalho
Mãe de Flaveliza (28), Ana Flávia (24) e Maria Letícia (7)

Antes de se tornar magistrada, há 19 anos, a juíza Ana Eliza Praciano, 48, já era mãe de Flaveliza e Ana Flávia. Elas foram o principal estímulo para a busca do seu crescimento pessoal e profissional. “A maternidade me mostrou o sentido real da palavra doar, enquanto que meu trabalho como servidora pública do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região me ensinou o real sentido da palavra servir. Sinto-me tremendamente realizada em doar e servir - simultaneamente e diariamente - à minha família e à população do Estado em que nasci e cresci”, destaca ela.

Mais recentemente, em 2009, nasceu a Maria Letícia, 7. Em 2013, ela assumiu a titularidade da Vara do Trabalho de Lábrea e em 2014, a de Humaitá. Apesar da responsabilidade de um trabalho árduo, diário e difícil, ser mãe a impulsionou a conquistar novas coisas. “Penso que a vida é assim, novos desafios e novas esperanças surgem a cada dia, contudo, o foco em servir àqueles que buscam na justiça a igualdade econômica e social, bem como a harmonia da minha família, serão sempre meus principais estímulos na busca constante de crescimento”.

Suymara Braga
Educadora e empresária
Mãe de Maria Eduarda (6) e Valentina (3)

Quando ficou grávida de Maria Eduarda, a educadora e empresária sabia que a vida iria ter que passar por grandes adaptações, principalmente profissionais. “No âmbito pessoal, exigiria mudanças administráveis, mas que seriam em prol de algo bem maior”, diz ela. Quando Valentina chegou, a certeza que todo o cansaço e cessões valeriam a pena só reforçaram nela a vontade de querer acertar sempre.  Com as duas filhas, a rotina é sempre triplicada. Até porque, entrelaçadas à mãe/educadora/empresária estão as filhas celebridades – a mais velha é miss e, a mais nova, é modelo. 

Com isso, Suymara divide-se nos compromissos profissionais e nos compromissos das filhas, que estão entre apresentações, desfiles, presenças especiais e afins. “Tem dias que após deixar na escola, participo de reuniões, resolvo vários assuntos para à tarde poder fazer as tarefas e à noite estar em um evento em que elas precisem cumprir agenda (risos). Apresentamos um espetáculo de Ópera recente para elas e ambas já assistiram musicais renomados. Como temos uma rotina profissional bem intensa, viagens fora do calendário de férias fazem parte do nosso cronograma porque viajar também e uma (ótima) forma de aprender. Procuramos ter momentos inesquecíveis assim, em família”, assegura a educadora.

Isabela Persilva
Enfermeira obstétrica e doula
Mãe de Beatriz (14), Arthur (9), Enzo (7) e Bernardo (4)

A enfermeira obstétrica e doula Isabela Persilva sabe muito bem como é exercer a maternidade quando a sua profissão exige acompanhar famílias no nascimento dos filhos – e de novas mães. “Confesso que no início me sentia dividida, principalmente quando tinha comemorações na escola das crianças ou quando eram partos prolongados, que passava mais de 24 horas fora de casa. Hoje me sinto privilegiada com a profissão que escolhi, assim como sou abençoada demais em ter e criar quatro filhos maravilhosos! Como eles já estão crescendo, até falam quando me veem saindo de casa para uma visita ou um parto: “Vem bebê aí mãe!’”, brinca ela.

Ela confessa que precisa se desdobrar para os afazeres diários com os filhos, como pegar no pé na hora das tarefas, orientar, cuidar, dar carinho, muitas vezes sair correndo de casa, e de vez em quando nem dormir. “Afinal, nesse ofício como parteira contemporânea não tem dia, não tem hora, não tem local. Sempre brinco quando me convidam para algo ou me organizo para um evento: ‘Vou sim, desde que nenhum bebê resolva nascer!’ E quando resolvem, a gente incorpora a Mulher Maravilha, pega as crianças, deixa com o marido, muda de roupa dentro do carro e parte para a chegada de mais um novo serzinho aqui nesse mundo”, diverte-se Isabela.

Publicidade
Publicidade