Domingo, 21 de Julho de 2019
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Máfia das funerárias: Embalsamento perigoso e clandestino

Aliciadores, conhecidos como ‘Papa-defuntos’, oferecem serviço técnico que é executado até em garagens clandestinas



1.jpg Aliciador aproveita a fragilidade emocional dos familiares para aplicar golpe. Manuel Viana afirma que os próprios golpistas se expõem ao risco de morte
29/07/2013 às 21:59

O embalsamamento de corpos é feito clandestinamente até em garagens de casas, em Manaus, no esquema comandado pelos “Papa-Defuntos”, responsáveis pelo aliciamento de clientes para funerárias. A denúncia feita pelo Sindicato das Empresas Funerárias do Amazonas (Sinfeam) revela que o comércio funerário ilegal dribla as normas sanitárias e coloca em risco a saúde das pessoas que mantêm contato com o cadáver que recebe  produtos químicos de origem desconhecida.

De acordo com o presidente do Sinfeam, Manuel Viana, depois que os “Papa-Defuntos” aliciam os familiares, nos necrotérios das unidades de saúde, para que aceitem serviços funerários, oferecem o embalsamamento pelo valor adicional de R$ 250. O detalhe é que o corpo que deveria ser levado para um laboratório especializado, onde um técnico em Tanatopraxia – técnica que consiste no atraso da decomposição cadavérica - realiza o procedimento, acaba nas mãos de pessoas sem qualificação para o serviço em local inadequado. 

Ontem, ACRÍTICA mostrou, em reportagem, que eles aliciam os clientes sem nenhuma fiscalização na porta de hospitais, sendo que a prática é proibida pela lei municipal 1.273 de 20 de agosto de 2008. Segundo Viana, os familiares têm a liberdade de escolher à funerária que cuidará do parente morto. Contudo, os aliciadores abordam as pessoas com o intuito de lucrar conseguindo clientes que são oferecidos a várias funerárias. A clandestinidade se agrava quando a família informa que precisa que o corpo seja embalsamado. Nesse caso, os aliciadores  ao invés de acionar uma funerária que participa do esquema, ligam para uma pessoa que realizada o embalsamamento clandestino. 

Conforme o presidente do sindicato, no procedimento correto num laboratório, o corpo é lavado com germicidas para evitar possíveis contaminações. Após a limpeza, é feito o procedimento conhecido como esvaziamento, quando é extraído todo o sangue e introduzido uma solução de embalsamamento composta por uma mistura de conservantes, água, formol, germicidas e fixadores que evitam a putrefação do corpo.

O embalsamado clandestino é feito, na maioria dos casos, apenas com formol ou com produtos químicos que oferecem risco a saúde, cuja procedência não pode ser comprovada.

Risco para os participantes

Outra denúncia grave é sobre os veículos ousados no transporte dos cavares. As normas sanitárias determinam que os veículos fúnebres tenham compartimentos que separem, por meio de cabine, o condutor do caixão. Porém, Manoel Viana, afirma que os corpos são transportados em carros de passeio, sem nenhuma adaptação para a atividade funerária. “As funerárias legalizadas mandam adaptar os carros com cabines funerárias em Curitiba ou em São Paulo. Aqui em Manaus tem várias funerárias que transportam o cadáver em qualquer carro, sobre o banco, inclusive, Fiat Palio”, disse. Ele completa que os próprios “ilegais” correm o risco de contrair doenças.  

“Quem está nesse esquema despreza a norma que deveria ser fiscalizada, mesmo com o risco de ficar doente também”, disse.



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