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Cotidiano
sessão esvaziada

Magistrados evitam comentar 'La Muralla 2', que envolveu membros do Judiciário

Presidente e vice preferiram não falar sobre a operação da PF, que fez busca e apreensão no gabinete da desembargadora Encarnação Salgado e que, hoje (15), culminou no afastamento dela 15/06/2016 às 13:04
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Foram cumpridos mandados de busca e apreensão no TJ e no Fórum Henoch Reis. Foto: Winnetou Almeida
Lucas Jardim Manaus (AM)

Na primeira sessão do Pleno após o início da operação ‘La Muralla 2’, deflagrada pela Polícia Federal semana passada, o que se viu no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM) ontem (14) foi um auditório esvaziado e membros do Judiciários evitando comentar o assunto.

Na última quinta-feira (9), policiais federais realizaram diligências em dois prédios do TJ-AM (Ed. Arnoldo Péres e o Fórum Henoch Reis), cumprindo mandados de busca e apreensão nos gabinetes da desembargadora Encarnação das Graças Salgado e do juiz da Vara de Execuções Penais (Vep), Luiz Carlos Valois Coelho.

De acordo com o inquérito policial, desde a primeira “La Muralla”, os nomes dos magistrados apareceram em conversas entre criminosos da facção Família do Norte, relacionada a vários crimes ocorridos no capital e interior do Amazonas, e advogados que os representam. Na manhã de hoje (15), Encarnação Salgado foi afastada das suas funções por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ontem, a presidente do TJ-AM, desembargadora Maria das Graças Pessoa Figueiredo, disse que não poderia falar sobre a operação devido à mesma ter sido deflagrada em um período em que estava fora do exercício de suas funções. No entanto, o desembargador Aristóteles Lima Thury, que era efetivamente o presidente em exercício na semana passada, disse que não se manifestaria sobre o ocorrido quando foi questionado pela reportagem.

AUSÊNCIAS

Além disso, a lista de ausentes na sessão foi extensa, com sete dos 19 desembargadores não comparecendo, entre eles, Ari Jorge Moutinho da Costa, Djalma Martins da Costa, João Mauro Bessa, Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura, Nélia Caminha Jorge e Wellington José.

Flávio Humberto Pascarelli Lopes, eleito próximo presidente do Judiciário do Estado, cargo que passa a exercer a partir do mês que vem, também não compareceu, assim como o Procurador-Geral de Justiça do Amazonas, Fábio Monteiro. Flávio chegou a falar sobre a operação quando ela foi deflagrada (confira no box ao lado).

Segundo a assessoria do TJ-AM, a maioria está de férias ou justificou sua ausência previamente. Dos 10 processos que figuravam na pauta do dia, oito foram adiados: três devido ao seu relator ter faltado a sessão e os outros cinco por ausência de ‘quórum’ qualificado (ou seja, por não haver desembargadores o suficiente para julgar).

Entenda a operação

A “La Muralla 2” foi deflagrada na manhã da última quinta-feira (9), focando membros do Judiciário e advogados em suas investigações. Ela é a continuação de uma operação da Polícia Federal cuja primeira fase, deflagrada no ano passado, cumpriu 194 mandados.

A operação, além de realizar buscas e apreensões nos gabinetes da desembargadora Encarnação das Graças Salgado Luís Carlos Valois Coelho, também mirou em quatro escritórios e quatro residências de advogados, segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB/AM), Marco Aurélio Choy.

No total, o superintendente da Polícia Federal, Marcelo Rezende, disse que 15 procedimentos foram expedidos pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para serem cumpridos nesta fase da operação, que conta com a participação de mais de 100 policiais federais, além de representantes do STJ e da Procuradoria Geral da República (PGR).

Encarnação foi ouvida na última sexta-feira (10), na sede do TJ-AM, em função da prerrogativa de foro por exercício de função. Marcelo Rezende, até sexta-feira (10), já tinham sido ouvidos os advogados Klinger Oliveira, as irmãs Maria Goreth Terças e Luciana Terças e Flávicia Dias de Souza, além dos servidores do judiciário, entre eles Brígido Augusto dos Santos, auxiliar de gabinete de Encarnação Salgado. Até esta data, o juiz Luis Carlos Valois não tinha sido ouvido, devido a ainda estar colhendo documentos e informações sobre a motivação de estar sendo investigado por determinação do STJ.

Uma das poucas vozes do tribunal a se manifestar sobre a “La Muralla”, Flávio Humberto Pascarelli Lopes, próximo presidente do órgão, disse que “uma situação como essa arranha a imagem de qualquer instituição”.

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