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Cotidiano
OPINIÃO

Maioria da bancada do Amazonas é a favor de intervenção militar no Rio de Janeiro

Grande parte dos parlamentares amazonenses defende que as “duras medidas” intervencionistas sejam adotadas nos estados onde a violência e a insegurança campeiam as cidades brasileiras 19/02/2018 às 18:55
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Foto: Reprodução/Internet
Antônio Paulo Brasília (DF)

A depender da bancada de deputados e senadores do Amazonas, o decreto de intervenção federal no estado do Rio de Janeiro, a ser apreciado no plenário da Câmara dos Deputados na noite desta segunda-feira (19), será aprovado sem maiores dificuldades. Cinco dos dois oito deputados federais ouvidos pelo Portal A Crítica são favoráveis à medida extrema adotada pelo presidente Michel Temer na área de segurança pública fluminense.

Além de apoiar a intervenção federal, sob o Comando do Leste, grande parte dos parlamentares amazonenses defende que as “duras medidas” intervencionistas sejam adotadas nos estados onde a violência e a insegurança campeiam as cidades brasileiras.  

“Sou a favor do decreto de intervenção no Rio de Janeiro e acho que o governo federal deveria tomar as rédeas, o controle da segurança pública especialmente nas cidades onde os índices são críticos. Defendo medidas mais enérgicas nas fronteiras nacionais para combater o tráfico de armas e entorpecentes, atingindo as verdadeiras causas do crime organizado”, argumenta o deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM).

Para o deputado Carlos Souza (PSDB-AM), a intervenção é necessária, mas  a considera paliativa. Segundo o tucano, o governo federal deveria aproveitar essa medida e lançar um pacote nacional de medidas sociais em conjunto com as forças federais; com um levantamento cadastral nas “áreas vermelhas” para separa o que ele chama de “joio do trigo” e investir na geração de emprego, esporte, lazer e em ações de cidadania. “Caso contrário, essa intervenção terá data de início e fim”, opina Carlos Souza.

Remédio amargo

Na opinião do deputado Hissa Abrahão (PDT-AM), a intervenção é um mal necessário, é um remédio amargo que serve para equacionar uma situação crítica no Rio de Janeiro. Ressalta, no entanto, que o Exército – que vai executar a intervenção federal – precisa ter poder de polícia, ação integrada, comando e coragem para afastar e segregar, por exemplo, os policiais suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. “Claro, não é a solução, pois, a solução foi dada lá atrás, há 30 anos quando Leonel Brizola e Darcy Ribeiro diziam que era preciso investir em educação, em escolas para não investir depois em cadeias”.

Intervenções nos estados

É recorrente a opinião de deputados e senadores de que a intervenção federal seja estendida aos estados brasileiros com problemas da segurança pública. E desse pensamento compartilha o deputado federal Gedeão Amorim (MDB-AM). Para ele, é inconcebível que a medida seja isolada porque o problema da insegurança não está localizado somente no Rio de Janeiro, mas ramificada em todo o país, nas grandes e pequenas cidades.

“Não tem como não votar a favor deste decreto até porque conhecemos essa história deste os anos de 1980. Mas, pensar uma ação isolada não atingirá os objetivos centrais de uma medida como esta. É preciso ampliar para outras regiões do Brasil que passam pelo mesmo problema”, declara Gedeão Amorim.

Mais cauteloso, o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) reitera a necessidade da intervenção no Rio de Janeiro, mas não defende a extensão da medida para outros estados. Segundo o parlamentar, é preciso analisar caso a caso para tomar decisões tão drásticas. Questionado sobre o Amazonas, da necessidade de intervenção na segurança pública do estado, Pauderney pontua que o principal problema é o sistema penitenciário e que o próprio governo do estado poderia assumir o comando da Seap.

Trâmite

A votação, em plenário, do decreto de intervenção federal no estado do Rio de Janeiro, assinado pelo presidente Michel Temer na última sexta-feira (16), está marcada para as 19 horas.

A Câmara se manifestará sobre o decreto presidencial por meio de um projeto de decreto legislativo (PDC). Para o PDC ser aprovado, será necessário o apoio da maioria simples dos votantes, presentes pelo menos 257 deputados. Uma vez acolhido pelos deputados, o projeto irá para o Senado.

Em caso de rejeição, o PDC será arquivado e o decreto de intervenção federal não será submetido ao Senado. Se aprovado esta noite, os senadores vão apreciar o decreto de intervenção na manhã desta terça-feira (20).

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