Sábado, 24 de Agosto de 2019
INVESTIGAÇÃO

Maioria dos vereadores de Iranduba cobra para aprovar Projetos de Lei, diz promotor

Kelisson Dieb e Jackson Pinheiro, ambos vereadores do município, foram presos em flagrante por tentativa de destruição de provas durante a operação



coletiva_7848A8DF-42EF-4A7D-940E-000ED0A06435.JPG Coletiva de imprensa foi realizada na sede do MPAM para divulgar balanço da operação. Foto: Junio Matos
08/08/2019 às 13:53

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) prendeu na manhã desta quirta-feira dois vereadores do município de Iranduba (a cerca de 40 km de Manaus). Em operação deflagrada que acusa o Legislativo da cidade de cobrança de propina para aprovar Projetos de Lei (PLs), promotores apresentaram indícios de corrupção e organização criminosa na Câmara Municipal.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPAM, é o responsável pela apuração da investigação. Segundo o promotor Claudio Tanajura, os vereadores Kelisson Dieb e Jackson Pinheiro foram presos em flagrante por tentativa de destruição de provas. Conforme levantamento do órgão, há indícios que a maioria dos vereadores “aderiu” a ação criminosa.

"Tivemos indícios que eles tentariam atrapalhar as investigações, por isso pedimos a prisão temporária. Tanto é, que o Kelisson foi encontrado com uma arma de fogo caseira. O Jackson jogou o celular no vaso sanitário. Entretanto, além deles, construímos um levantamento que indica a participação da maioria dos vereadores nessa prática criminosa", detalhou.

Ao todo, foram deflagradas 2 mandados de prisão temporária, 15 mandados de busca e apreensão e 15 de busca pessoal em Manaus e em Iranduba. A prática se dava, o promotor explica, quando os vereadores cobravam de R$ 2 a R$ 5 mil para aprovar os PLs pedidos pela população do município.

"Calculamos que desde o início do mandato, em 2017, era feita essa cobrança. Eles lucraram com esses pagamentos algo em torno de R$ 50 a R$ 80 mil. Dependendo de quem ia pedir o PL, se empresário ou cidadão comum, era pedido uma quantia diferente. As negociações ocorriam desde aplicativos de mensagem a telefonemas", relatou o promotor.

A operação, intitulada Avaritia (do latim, cobiça), iniciou em dezembro do ano passado a partir de denúncias da população no município. Nessa primeira fase da operação foram conseguidos hardwares e documentos físicos que serão analisados para a montagem do inquérito à Justiça.

O promotor Luiz Vasconcelos disse que a prisão de outros vereadores será analisada nos próximos dias. "Caso verificado a possibilidade convicta de obstrução para o consentimento de provas, também será feito o pedido de prisão", explicou. Os vereadores presos ainda irão passar pela audiência de custódia que definirá o tempo de prisão referente ao flagrante. Sobre o efeito da prisão temporária, de cinco dias, será efetuado imediatamente, conforme o MP.

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