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Cotidiano
VACINAÇÃO

Apenas 40% da população do AM tomou a vacina contra o sarampo, diz pesquisa

Estudo do ICTQ aponta que os mais jovens, com idade abaixo de 24 anos, e os mais idosos, são os grupos com maior risco pela falta de imunização no Estado 09/11/2018 às 14:23
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Pessoas da Classe D e E são as que mais se vacinaram no Amazonas (Foto: Reprodução/Internet)
Amanda Guimarães Manaus (AM)

Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) apontou que 35% dos brasileiros ainda não se vacinaram contra o sarampo no País. No Amazonas, o número de pessoas que relataram a imunização com as vacinas tríplice viral ou a tetra viral chega a 40%. Nessa quarta-feira (7), a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) reconheceu que a meta de vacinação entre crianças de 3 a 4 anos para 2018 não foi alcançada no Estado.

O estudo do ICTQ também registra que "os mais jovens, com idade abaixo de 24 anos, e os mais idosos, são os que mais estão correndo riscos em relação a falta de imunização" no Amazonas. Conforme o órgão, o índice de pessoas que tomaram a vacina contra o sarampo, varia de acordo com a idade e classe sócio econômica.

Os dados registram que a taxa de vacinação entre pessoas de 18 a 24 anos ficou entre 42%, enquanto de 25 a 34 anos, alcançou 26%. Já na faixa etária entre de 24 a 44 anos, o índice de imunização ficou 25%, e de 45 a 59 anos em 31%. A partir dos 60 anos, a porcentagem atingiu 50% no Estado.

"O instituto fez a pesquisa por conta do surto das doenças erradicadas. Os dados apontam que a população do Amazonas deve procurar a unidade de saúde mais próxima para se vacinar contra o Sarampo. A baixa imunização e migração de povos estrangeiros, como Venezuelanos, tem provocado o surgimento dessas doenças", explicou o professor do instituto, Rafael Poloni.

Ainda a pesquisa apontou que as Classes A e B tiveram um índice de imunização de 28%. Já a Classe C, de 31%, e as Classes D e E, de 45%. Segundo o professor do ICTQ, o resultado do estudo aponta uma aproximação entre a população de baixa renda do Estado e a rede de saúde pública. 

 "Acontece que as classes D e E utilizam o Serviço Móvel de Urgência (SUS), então acaba sendo mais imunizado pelo contato mais próximo com as unidades de saúde. O Programa de Saúde da Família existe e identifica a demanda de vacinação por família", comentou Rafael.

Sem carteira

O ICTQ registrou durante a pesquisa que parte da população, no Brasil, não tem carteira de vacinação, ou não sabe onde está guardada. No País, o índice chega a 40%. No Amazonas, 36% das pessoas não tem, ou não sabem informar onde está suas carteiras de controle de imunização.

"A pesquisa mostra que parte da população não tem a carteira, mas mesmo assim não é motivo para deixar de procurar uma unidade de vacinação. Quando existe um problema desse tipo, as unidades costumam fazer um calendário básico e repetir algumas vacinas. O importante é não deixar de se vacinar", completou o professor de instituto de pós-graduação. 

Pesquisa

Conforme o instituto, a pesquisa qualitativa foi realizada com homens e mulheres, com idade a partir dos 16 anos. As entrevistas foram feitas de forma pessoal e individual, com abordagem em pontos de fluxo populacional, com 2.126 pessoas de todas as regiões do País, em 129 municípios.

O ICTQ também relatou que as entrevistas de campo foram realizadas entre 12 e 17 de setembro de 2018. O desenho amostral foi elaborado com base em informações do Censo 2010/ Estimativa 2018 (fonte IBGE) e contemplou os seguintes estágios: Estratificação por Unidade Federativa e porte dos municípios; Sorteio dos municípios;  Sorteio do ponto onde foi realizada a pesquisa; Seleção do entrevistado utilizando cota de sexo e idade. Para controle do perfil foram utilizadas cotas de sexo e idade, de acordo com o Censo 2010/ Estimativa 2018.

A margem de erro máxima para a amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.

Campanha

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Bernardinho Albuquerque, informou que o Amazonas alcançou a meta de 97% na campanha nacional de vacinação no Estado, mas quando é analisado por faixa etária, a cobertura não foi alcançada, entre crianças de 3 e 4 anos.

Segundo a FVS-AM, quatorze municípios que não alcançaram cobertura vacinal de rotina. São eles: Beruri, Codajás, Iranduba, Itacoatiara, Juruá, Manacapuru, Maués, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Silves, Tabatinga e Tefé.

Casos de sarampo

Conforme o último Boletim Epidemiológico, o Surto de Sarampo no Amazonas traz no acumulado do ano 10.736 casos notificados, distribuídos em 51 municípios do Estado. Destes, 2.357 foram confirmados, em 33 municípios. Seguem em investigação 7.425 casos e outros 954 foram descartados. Na última semana foram notificados 15 casos da doença em Manaus e um em Itacoatiara.

A capital do Amazonas é responsável por 78% das notificações, e no interior Manacapuru é o município com maior número de notificação cerca de 9,7% de casos notificados, seguido por 2,3% em Itacoatiara, 1,2 em Iranduba, 1,1% Coari, 1,0% em Parintins, 0,8% em Juruá, 0,5% respectivamente em Autazes e Manaquiri e 4,8% distribuídos em 43 cidades amazonenses.

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