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Cotidiano
AMAZONAS

Mais da metade das famílias recusa doar órgãos de parentes após morte cerebral

Ano passado, 126 pessoas foram notificadas como potenciais doadores de órgãos no estado amazonense, mas somente 23 realizaram a doação de algum órgão ou tecido. Assim, a alta taxa de recusa familiar (57%) tornou-se motivo de preocupação 27/04/2016 às 16:26 - Atualizado em 27/04/2016 às 16:55
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De acordo com os dados do Ministério da Saúde, 400 pessoas estavam aguardando por um transplante no estado do Amazonas em 2015 (Divulgação)
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De acordo com os dados do Ministério da Saúde, 400 pessoas estavam aguardando por um transplante no estado do Amazonas em 2015. Desse total de pacientes na fila de espera, 216 necessitavam da doação de um rim, quatro de fígado e 180 de um transplante de córneas. Durante o ano passado, 126 pessoas foram notificadas como potenciais doadores de órgãos no estado amazonense, mas somente 23 realizaram a doação de algum órgão ou tecido. Assim, a alta taxa de recusa familiar (57%) tornou-se motivo de preocupação.

Segundo o médico Leonardo Borges de Barros e Silva, coordenador da Organização de Procura de Órgãos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), os motivos para a recusa pela família são diversos: desde crenças religiosas que impedem a realização da doação até o desconhecimento e não aceitação da morte encefálica, o que faz muitos familiares acreditarem que a condição do ente querido com o corpo quente e o coração batendo seja um indicativo de que ele sobreviverá.

“Entretanto, o diagnóstico de morte encefálica – conhecida também como morte cerebral – é irreversível, ou seja, o paciente perde todas as funções que mantêm a sua vida, como a consciência e capacidade de respirar. O coração permanece batendo e os demais órgãos funcionando. Com exceção das córneas, pele, ossos, vasos e valvas do coração, é somente nessa situação que os órgãos podem ser utilizados para transplante”, observa o especialista.

Autorização

O consentimento informado é a forma oficial de manifestação à doação. A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica dependem da autorização do cônjuge ou parente maior de idade, obedecida a linha sucessória, firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte.

“Evidentemente, a manifestação em vida da pessoa a favor ou contra a doação de seus órgãos e tecidos para transplante pode ou não favorecer o consentimento após a morte, mas, de acordo com a lei, é a vontade da família que deve prevalecer”, explica o médico Leonardo Borges de Barros e Silva.

Segundo números do Ministério da Saúde, 261 transplantes foram realizados no estado do Amazonas em 2015. Desses, 207 foram de córneas, 50 de rim e quatro de fígado. “O ponto positivo é que, em 2015, cresceu o número de doadores efetivos e dobrou o número de transplantes renais”, conta Leny Nascimento da Motta Passos, Coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) do Amazonas.

Gesto de herói

Com objetivo de conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e, principalmente, colocar esse tema em pauta nas discussões familiares para reduzir a taxa de recusa, o Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Faculdade de Medicina da USP, realiza o Projeto “Gesto de Herói – o poder de doar vida”.

A exposição itinerante, que já passou pela cidade de Rio Branco, no Acre, acontecerá durante o ano de 2016 em mais nove capitais nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, onde a taxa de recusa familiar é maior. A partir do dia 29 de abril, o estande do Projeto ficará disponível por dez dias no Millennium Shopping, em Manaus, para que a população amazonense possa esclarecer as principais dúvidas relacionadas à doação e transplante de órgãos.

Além da exibição de depoimentos reais de familiares de doadores falecidos e transplantados, os visitantes contarão com painéis explicativos sobre o processo e, ainda, a presença de especialistas nessa temática para responder perguntas. Com entrada gratuita, o Projeto “Gesto de Herói – o poder de doar vida” percorrerá ainda os estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Serviço

Projeto “Gesto de Herói – o poder de doar vida”

Quando: 29 de abril a 8 de maio de 2016

Onde: Millennium Shopping - Av. Djalma Batista, 1.661, Chapada – Manaus/AM

Realização: Ministério da Saúde e Fundação Faculdade de Medicina da USP

*Com informações da assessoria de comunicação.

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