Segunda-feira, 10 de Maio de 2021
Setor primário

Mais de R$ 3 milhões são destinados a produtores rurais de juta e malva no AM

Segundo o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o setor primário é essencial para o Estado, e que hoje enfrenta dificuldades como a baixa oferta ao mercado



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25/11/2020 às 15:47

Com o intuito de amparar o produtor rural do interior do Amazonas, o Governo do Estado realizou, na manhã desta quarta-feira (25), o pagamento de aproximadamente R$ 3,6 milhões referentes à subvenção econômica da juta e da malva. Ao todo, 758 produtores rurais de 10 municípios do Amazonas foram contemplados. A cerimônia aconteceu no Serviço Social do Comércio (Sesc), localizado no município de Manacapuru (distante a 101 quilômetros de Manaus).

Segundo o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o setor primário é essencial para o Estado, e que hoje enfrenta dificuldades como a baixa oferta ao mercado.

“Hoje nós estamos fazendo aqui o pagamento da subvenção da juta e da malva. Desde que eu assumi em 2019, isso tem sido uma prioridade. Porque eu acredito muito no resgate dessa atividade que há algum tempo ficou esquecida. Nós temos mercado consumidor, tanto o nosso povo em Manacapuru, quanto os outros municípios. Hoje nós temos uma demanda muito grande, mas uma oferta muito pequena. É necessário que seja investido mais nesse setor tão importante para a economia do Estado”, declarou Wilson Lima.

O valor corresponde à safra remanescente de 2018/2019 e à de 2019/2020, totalizam mais de 7 mil toneladas de fibras que serão pagas por meio da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS).

De acordo com o presidente da ADS, Sérgio Litaiff Filho, o benefício será concedido com novo valor reajustado pelo Decreto nº 41.830/2020, que estabelece em R$ 0,50 o pagamento por quilo de fibra de juta e malva embonecada. O valor é 25% superior ao preço de R$ 0,40 praticado anteriormente.

“Ano passado, o governador atualizou o pagamento das safras, que não era realizado há cinco anos e, nesse ano, mais uma vez o governador atualiza todos os pagamentos das safras referentes à juta e malva. Isso é de grande importância para os juticultores, pois demonstra a clara certeza que eles têm um parceiro na atividade que eles realizam, e esse parceiro tem sido o Governo do Estado, através da ADS. A gente fica muito feliz em anunciar esse pagamento mesmo em um ano atípico, em que conseguimos fazer com que os juticultores tenham resgate, não só da atividade mas, acima de tudo, da dignidade de todos eles”, afirma.

Amparo

O agricultor Marcelo Carvalho de Farias, de 45 anos, conta que o pagamento da subvenção veio em hora certa. Pois, devido o baixo rendimento por conta da pandemia, o produtor rural não teria renda suficiente para pagar as contas e ainda garantir a ceia de Natal da sua família.

“Esse pagamento representa algo muito importante para nós produtores. Hoje, estamos passando por uma decadência do coronavírus. Nossa produção ficou resultou em uma renda muito baixa devido a pandemia. Esse dinheiro vai vir em uma boa hora para alimentarmos nossas famílias. Hoje é um dia importante pra todos os agricultores de Manacapuru. Até porque o Natal está chegando perto. Não tínhamos renda para fazer uma ceia. Esse é um grande presente de Natal em meio às dificuldades que estamos passando. Gosto muito de ressaltar a importância dos produtores rurais daqui para Manacapuru. Sem nós agricultores, o município não teria a estrutura que tem hoje”, contou Marcelo.

Outro produtor rural contemplado foi Edmar Ramires de Lima, de 57 anos. Segundo o agricultor que trabalha com juta e malva desde os 15 anos, a produção de fibras é um legado de família que contribuiu bastante para o crescimento da região.

“Sempre digo que a produção de juta e malva é o maior legado que meu pai deixou. Ele nos ensinou a plantar e colher. É um produto que traz muitos recursos ao agricultor e também ao município. É um produto que não estraga facilmente. Este incentivo vai ajudar a retomada da produção. Eu sou um agricultor que consegue produzir 18 toneladas. Hoje eu estou produzindo uma faixa de apenas 8 toneladas. A juta e a malva é o produto que mais traz renda para nós de Manacapuru”, ressaltou Edmar.

Independência do segmento

O secretário Petrúcio Magalhães, titular da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror)contou que foi firmado uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para que seja possível aprimorar técnicas de plantio de malva em terra firme para produção de sementes. O que, segundo ele, irá potencializar o segmento.

“No ano passado sofremos um distrato com uma empresa que era responsável por fornecer as sementes aos agricultores. A alternativa que nos restou foi firmar uma parceria com a indústria. Portanto 41 mil toneladas foram colocadas à disposição tanto de malva quanto de juta com a parceria do sistema Sepror. Portanto essa safra teve sim uma dificuldade em questão da licitação. E esse ano para próxima safra, nós estamos com um orçamento de R$ 800 mil para não mais fazer esse processo. Pretendemos fazer uma espécie de credenciamento com associações e cooperativas.

Da safra remanescente de 2018/2019, um total de 211 juticultores dos municípios de Anamã, Anori, Beruri, Manacapuru, Manaquiri e Parintins receberão o benefício referente à comercialização de aproximadamente 1.500 toneladas de fibras naturais, totalizando R$ 722.416,93.

Também serão pagos cerca de R$ 2,9 milhões referentes à safra 2019/2020, quando 5,8 mil toneladas de juta e malva foram produzidas por 758 juticultores do Amazonas, oriundos de Anamã, Anori, Beruri, Caapiranga, Codajás, Itacoatiara, Manacapuru, Manaquiri, Nhamundá e Parintins.

Os valores serão disponibilizados nas agências do Banco Bradesco por ordem alfabética: no dia 25/11, o benefício será pago aos cadastrados com a inicial de A a H; no dia 26/11, para as iniciais de I a Q; dia 27/11, de R a Z. A ADS ressalta que não é possível realizar o saque em postos bancários.

Incentivo

A concessão de subvenção econômica a produtores de juta e malva é realizada pelo Governo do Estado através da ADS, em cumprimento da Lei nº 2.611, de 4 de julho de 2000, tendo como objetivo incentivar a produção dessas culturas por conta do apelo sustentável de sua cadeia produtiva.

Cultivadas nas áreas de várzeas, sem insumos químicos, elas são uma alternativa ecológica para a confecção de embalagens, principalmente na substituição das sacolas plásticas. 




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