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Cotidiano
Exame

Mamografia não aumenta o risco de câncer na tireoide, diz especialista

Mulheres foram aterrorizadas por um vídeo em que mulher não identificada diz que os casos de câncer de tireoide em mulheres estariam aumentando devido à realização de mamografias 21/10/2016 às 13:21 - Atualizado em 21/10/2016 às 13:23
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Todo mês de outubro, o movimento Outubro Rosa chama atenção para a realidade atual do câncer de mama e para a importância do diagnóstico precoce pelo mundo
Cristiane de Oliveira - EBC

Todo mês de outubro, o movimento Outubro Rosa chama atenção para a realidade atual do câncer de mama e para a importância do diagnóstico precoce pelo mundo. A campanha divulga a importância da luta contra o câncer que mais mata mulheres em todo o mundo.

Neste ano, no entanto, as mulheres foram aterrorizadas por um vídeo enviado via WhatsApp, e que também circula no Facebook, no qual uma mulher não identificada diz que os casos de câncer de tireoide em mulheres estariam aumentando devido à realização de mamografias e radiografias odontológicas. A mesma mulher também critica os profissionais de saúde que fazem esses exames por não oferecerem aos pacientes protetores de chumbo para a garganta, parte do corpo que abriga a glândula tireoide.

Diante da polêmica surgida nas redes sociais e das dúvidas das mulheres se deveriam ou não fazer a mamografia preventiva, o Portal EBC conversou com o médico epidemiologista do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do INCA, Arn Migowski. Para Migowski, a mamografia é um exame muito seguro, mas não deve ser banalizada, sob o risco de favorecer o desenvolvimento de um câncer na mama. O médico também diz as mamografias não aumentam o risco de câncer na tireoide.

1) Mamografia aumenta o risco de câncer na tireoide?

Não. Isso é um mito. A dose de radiação que atinge a glândula tireoide durante a realização da mamografia é desprezível. A radiação da mamografia, apesar de muito baixa, deve ser controlada e monitorada e deve-se evitar o excesso desnecessário de mamografias de rotina, como ocorre em mulheres saudáveis que começam a ser rastreadas anualmente aos 40 anos ou antes, pois pode aumentar um pouco o risco de desenvolvimento do câncer de mama. Essa prática é muito comum no Brasil. A mamografia é um exame muito seguro, mas não deve ser banalizado.

2) O número de casos de câncer na tireóide aumentou? Quais são os fatores de risco para este tipo de câncer?

A incidência do câncer de tireoide vem aumentando. A principal causa é a prática de realizar check-up, ou seja, exames de rotina em pessoas assintomáticas. Dessa forma são descobertos cânceres que nunca dariam sintomas nem muito menos ameaçariam a vida da pessoa. Isso se chama sobrediagnóstico. Esse excesso de casos de câncer é geralmente tratado com cirurgia para retirada total ou parcial da tireoide. Esse excesso de tratamento desnecessário se chama sobretratamento. A única maneira eficaz de se diminuir o sobrediagnóstico e o sobretratamento do câncer de tireoide é deixando de se praticar exames de rotina (check-up) para esse câncer.

Nas últimas duas décadas, a disseminação da prática check-up com ultrassonografia de tireoide e punção por agulha não diminuiu a mortalidade por câncer de tireoide, mas aumentou em 15 vezes o número de casos diagnosticados na Coreia do Sul e dobrou esse número em países como EUA, Canadá, França, Itália, Austrália, China, Croácia, República Tcheca e Israel.

3) Por que o protetor para a tireoide não é oferecido espontaneamente pelos técnicos durante o exame?

Por não ser necessário.

4) O protetor pode prejudicar o resultado do exame? De que forma?

Sim, pode prejudicar gerando sobreposição ou dificultando o posicionamento. Isso pode gerar a necessidade de novas mamografias e isso sim aumenta desnecessariamente a dose de radiação para a mama.

5) Qual o conselho que você deixa para as mulheres nesse outubro rosa?

Evitem o excesso de exames de check-up. Eles trazem riscos à saúde e geralmente não trazem benefícios. O check-up para câncer de tireoide não deve ser feito. A mamografia de rotina, para rastreamento de câncer de mama, é indicada para mulheres assintomáticas (sem sinais e sintomas da doença) com idades entre 50 e 69 anos, uma vez a cada dois anos, diante de uma decisão consciente da mulher. Começar a fazer check-up com mamografia antes dessa idade ou fazê-lo mais frequentemente aumenta muito os riscos para a saúde da mulher e muito provavelmente não trará benefício. Os riscos que aumentam são de resultados errados da mamografia, de excesso de exames, de exposição desnecessária à radiação ionizante, de excesso de diagnóstico de câncer e de excesso de tratamento para câncer.

É fundamental que as mulheres de qualquer faixa etária conheçam bem suas mamas, para que saibam identificar suas variações normais e reconhecer os sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama. Caso percebam alterações suspeitas, a mulher deve procurar o serviço de saúde o quanto antes. Os sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama são: caroço (nódulo) persistente, geralmente indolor; pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no bico do peito (mamilo); pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço; e saída de líquido anormal pelo mamilo.

É importante também lembrar que cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de práticas como a manutenção do peso corporal adequado, alimentação saudável, prática regular de atividade física e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. A amamentação é também um fator protetor e deve ser estimulada.

Movimento Outubro Rosa

O nome remete à cor do laço que simboliza mundialmente a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.O movimento teve início nos EUA, onde vários estados tinham ações voltadas à prevenção do câncer de mama no mês de outubro, principalmente a partir da década de 1990.

Para sensibilizar a população e estimular o diagnóstico precoce, as cidades se enfeitavam com os laços rosas, principalmente nos locais públicos, mas depois surgiram outras ações como corridas, desfiles e etc. A ação de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, pontes e teatros surgiu posteriormente e não há uma informação oficial de como, quando e onde foi efetuada a primeira iluminação. Neste ano, no Rio, dentre outros pontos, estão iluminados de rosa o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o prédio da Petrobrás e a Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, e, em Brasília, o Congresso Nacional, o Ministério da Justiça e o Palácio do Planalto, entre outros.

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