Domingo, 26 de Maio de 2019
MADURO

Crise na Venezuela foi 'artificialmente gerada', diz manifesto pró-Maduro no AM

Documento elaborado pela Iniciativa Amazonense em Apoio à Paz na Venezuela define como "covarde" a campanha realizada pela Direita no país



54515387_599449680520717_2905980288427360256_n_2859E897-EB0F-48DA-8928-FDF41DD28F65.jpg
Foto: Reprodução
25/03/2019 às 17:52

“A crise artificialmente gerada na Venezuela não pode nos iludir”, diz o manifesto pró-Maduro redigido pela Iniciativa Amazonense em Apoio à Paz na Venezuela. O documento foi apresentado no ultimo sábado (23), em assembléia realizada no consulado da Venezuela em Manaus, situado no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro – Sul da cidade.

No documento constam 19 pontos a favor do presidente Nicolás Maduro, bem como define como covarde a campanha realizada pela direita no país. “Derrotada nas urnas e no voto, a direita e a oligarquia não se resignaram. Começaram uma campanha covarde contra o povo para desestabilizar o governo”, frisa o documento.

Confira os 19 itens listados no manifesto a favor de Maduro.

Iniciativa Amazonense em Apoio a Paz na Venezuela

Não podemos nos calar diante do que fazem com a Venezuela e seu povo hoje.

A história da Venezuela em 2 de fevereiro de 1999 deu uma guinada quando Hugo Rafael Chávez Frias tomou posse como presidente constitucionalmente eleito. Isso significou que a partir de então as oligarquias que historicamente controlavam o país a ferro e fogo não detinham mais o poder absoluto.

O país passa a mudar e começar a distribuição de renda, há uma diminuição drástica da desigualdade, crescem as oportunidades para os pobres, para o povo, as mulheres, os negros, os jovens.

Inconformada, a direita em 11 de abril de 2002 orquestra um golpe militar em conjunto com os Estados Unidos. O presidente fantoche Pedro Carmona (o brevíssimo) é imediatamente reconhecido pelo governo norte-americano, mas sua curta carreira é abortada no dia seguinte quando tropas leais à Constituição libertam Hugo Chavez e lhe restituem a presidência.

Desde 1998 ocorreram 23 eleições na Venezuela, inclusive a eleição de uma Assembleia Constituinte. O ex-presidente americano Jimmy Carter, na condição de observador internacional, chegou a declarar: “De fato, das 92 eleições que monitoramos, eu diria que o processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo”. Desse total de eleições a oposição venceu em 6 oportunidades, e seus resultados sempre foram respeitados pelo governo.

Derrotada nas urnas e no voto, a direita e a oligarquia não se resignaram. Começaram então uma campanha covarde contra o povo para desestabilizar o governo. Empresários sistematicamente escondiam produtos básicos, como papel higiênico ou leite, por exemplo, para gerar um clima de caos e desordem que pudesse levar à derrubada do governo. Como sabemos, não tiveram êxito.

O eixo central dessa estratégia cruel e desumana, entretanto, é o bloqueio econômico operado pelos Estados Unidos desde maio de 2015. Desde então os Estados Unidos, tanto quanto podem, impedem que a Venezuela compre no mercado internacional não só alimentos, como também remédios, ou efetue transações financeiras nos mercados internacionais.

Entretanto, o que vemos divulgado por setores da mídia e da nossa sociedade é que os Estados Unidos estão oferecendo ajuda humanitária à Venezuela. O que ardilosamente deixam de mencionar são os bilhões de dólares, euros e libras que estão bloqueados na praça internacional por pressão dos Estados Unidos. Dinheiro mais do que suficiente para atender todas as demandas emergenciais que o país enfrenta atualmente.

Esse ódio e essa maldade parecem incompreensíveis, mas nós sabemos qual sua razão de ser. Ela tem nome, se chama cobiça, ganância, lucro. O fato é que a Venezuela hoje detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mais do que a Arábia Saudita. O que motiva os Estados Unidos nessa empreitada imperialista obviamente é o petróleo, e não a democracia. Afinal o que se sabe é que na Arábia Saudita, onde as mulheres até hoje não votam, nos últimos 60 anos houve duas eleições municipais, somente.

Sabemos que as forças da direita e do grande capital não param quando perdem uma eleição. Foi assim no Chile em 11 de setembro de 1973 quando o ditador Pinochet tomou o poder pela força ao presidente socialista Salvador Allende. Já em dezembro de 1972 Allende denunciava o bloqueio econômico internacional promovido pelos EUA. Foi assim na Espanha em 1936 quando o general Franco após um golpe e uma guerra sangrenta instaurou uma longa ditadura no coração da Europa. Foi assim no Brasil quando os derrotados em 2014, ilegalmente depuseram em 2016 a presidenta eleita pela maioria do voto popular.

A crise artificialmente gerada na Venezuela não pode nos iludir. Trata-se do grande poder econômico tentando sufocar e derrotar o povo e a democracia. E mais, é essa as mesmas forças que em 2016 deram o golpe no Brasil e venceram as eleições em 2018. Não é acaso que nosso atual presidente se empenhe tanto em agradar aos Estados Unidos e aos grandes grupos econômicos internacionais, entregando a Base de Alcântara, o pré-sal, destruindo a indústria nacional, numa postura subserviente inadmissível até então.

Hoje já se passaram dois meses desde que o governo de mentirinha de Juan Guaidó foi autoproclamado. Na medida  que essa farsa não produza efeitos e continue a resistência do povo e do governo venezuelanos, que contam com apoio das nações não alinhados com os EUA, a possibilidade de um conflito armado interno na Venezuela não só não está descartada, como aumenta a probabilidade de uma intervenção americana.

Uma intervenção seria desastrosa, mas mais desastrosa ainda seria uma aventura militar brasileira num território de uma nação amiga. Romperíamos com mais de um século de tradição de não-intervenção e não-beligerância, e transformaríamos a América Latina e o Caribe em mais uma região flagelada pela guerra.

Não nos custa imaginar a dor que seria ver jovens brasileiros voltando em caixões para casa.

A derrubada do governo da Venezuela pelas armas hoje teria um alto custo para toda a América Latina e para o Brasil, em vidas, em instabilidade econômica, em insegurança.

A melhor tradição do povo brasileiro é a paz, da tolerância, do diálogo, da concórdia.

Precisamos com urgência que ela prevaleça. Não aos interessa aos brasileiros, aos venezuelanos, nem a nossos vizinhos latino-americanos a guerra. Precisamos que a paz prevaleça. E a paz só será conquistada com o diálogo, o respeito às regras democráticas, e a vontade do povo.

Conclamamos, portanto, todo os brasileiro, em especial, os amazonenses, a se manifestar, por todos os meios disponíveis – pelas mídias, nas conversas com seus amigos, vizinhos, parentes, colegas de trabalho, na rua – contra a agressão que sofre hoje a Venezuela e seu povo. É preciso que os governos saibam o que pensamos e respeitem nossa força e nossa vontade. O governo americano deve cessar imediatamente o bloqueio econômico internacional e a sabotagem interna na Venezuela. O governo brasileiro deve respeitar a Constituição que jurou cumprir e envidar esforços pela paz, pelo diálogo, pela não-intervenção, pelo respeito à soberania dos povos.

Pela paz, pelo diálogo, pela democracia, pela soberania popular.

Iniciativa Amazonense em Apoio a Paz na Venezuela

Manaus, 23 de março de 2019  


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.