Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020
CIÊNCIA

Mapeamento identifica quantitativo de pesquisadores em atuação no AM

Segundo o levantamento, o Amazonas conta com 2.980 mestres e 1.915 doutores que atuam ativamente em pesquisas em 44 municípios do estado



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21/07/2020 às 10:29

Identificar onde estão e quantos são os mestres e doutores (docentes ou pesquisadores diretos) que atuam ativamente em pesquisas junto às Instituições de Ensino e Pesquisa (IES) na capital e no interior do Amazonas. Esse é o foco do “Mapeamento da Ciência no Amazonas”, trabalho desenvolvido pela Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) do Governo do Amazonas. O estudo é divulgado no mês em que se comemora o Dia Nacional da Ciência e Dia Nacional das Pesquisadoras e Pesquisadores Científicos (8 de julho).

O estudo mapeou o quantitativo de mestres e doutores por município, apontando que 44 municípios, incluindo a capital, Manaus, têm pesquisadores baseados nas cidades e com atuação ativa, desenvolvendo pesquisas e estudos.



A secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tatiana Schor, considera o estudo realizado de grande importância porque poderá auxiliar na construção de políticas públicas mais focadas nas especificidades de cada cidade, tornando de conhecimento público que a Ciência no Amazonas é comprometida e que não está concentrada apenas na capital, Manaus.

“Nossa intenção com esse trabalho é ressaltar e mostrar a importância do fortalecimento de Ciência, Tecnologia e Inovação no interior do estado. Queremos, com esse mapeamento, valorizar a pesquisa e o pesquisador no interior do Amazonas, mostrando ao mundo que temos pesquisa em diversas áreas e que a Ciência está dispersa por todo o território”, salienta Tatiana, que também coordena o Programa da Rede Urbana da Calha Solimões-Amazonas pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas das Cidades na Amazônia Brasileira (Nepecab).

A secretária executiva enfatiza o fato de os pesquisadores estarem morando nesses municípios e desenvolvendo suas pesquisas locais, o que reflete “uma ciência mais comprometida com o desenvolvimento socioeconômico da região”.

“São pesquisadores que moram lá. Eles não fizeram só uma pesquisa e depois foram embora. Eles residem nessas cidades e estão atuando politicamente, ajudando, inclusive, na organização da sociedade. Por isso, precisamos mostrar que temos profissionais comprometidos, que eles estão lá no interior desenvolvendo seus estudos e fazendo ações de apoio às comunidades e populações tradicionais, com compromisso social e colaborando para o desenvolvimento sustentável dos municípios”, ressalta ela, que também é representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Ensino e Pesquisa

O mapeamento produzido pela Secti contou com o suporte das instituições de ensino e pesquisa atuantes em todo o estado, que forneceram seus dados atualizados para a elaboração do trabalho.

Entre elas estão: Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Secretaria de Estado de Educação e Desporto, Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) e Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed).

O “Mapeamento da Ciência no Amazonas” foi elaborado pela geógrafa, Milena Maria Costa da Silva, do Departamento de Políticas Públicas da Secti. O trabalho deve permanecer em atualização por período anual.

A ideia é aprofundar cada vez mais o levantamento, incluindo linhas de pesquisas e laboratórios, além de outras variáveis que possam identificar melhor a realidade vivenciada por esses profissionais no estado.

“Um fator importante desse mapeamento é que pudemos identificar que esses pesquisadores possuem suas bases de pesquisas consolidadas em seus respectivos municípios. Isso é muito bom do ponto de vista da Ciência porque eles podem compreender muito mais da realidade daquela cidade, o que nos ajuda a saber de que forma essas instituições (por meio desses pesquisadores) podem colaborar com os nossos projetos em nível de Governo de Estado”, destaca Milena Silva.

Permanência no interior

Desde que se mudou da capital para o município de Itacoatiara (distante a 176 quilômetros de Manaus) há 17 anos, o professor doutor em Engenharia da Produção do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia da Ufam, Hidelbrando Ferreira Rodrigues, afirma que percebeu a transformação pela qual a cidade passou desde que a chegada das instituições de ensino e pesquisa (Ufam, UEA e Ifam) naquela cidade.

“A educação é um mecanismo de transformação social, e isso foi muito visível em Itacoatiara há alguns anos, com a chegada das instituições de ensino superior. Isso trouxe para o município um ‘ar’ de uma cidade universitária”, relata o pesquisador.

Hidelbrando também chamou a atenção para a questão socioeconômica da população que mora nos municípios do entorno de Itacoatiara, na região do Médio Amazonas (Itapiranga, Silves, Urucurituba, Boa Vista do Ramos, Maués, Nova Olinda do Norte e Rio Preto da Eva). Para ele, essas pessoas não teriam condições de morar na capital para cursar o ensino superior.

“As pessoas que moram nesses municípios do entorno preferem morar e estudar em um polo mais próximo a morar na capital, porque isso requer um custo de vida maior. Elas preferem morar nas cidades mais próximas e com uma característica parecida com a realidade delas”, avalia ele, que hoje orienta quatro pesquisas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic).

Ranking

De acordo com a Secti, as informações contidas no “Mapeamento da Ciência no Amazonas” estão suscetíveis a atualizações, podendo variar conforme o calendário de formação de novos mestres e doutores e/ou com a disponibilidade de novos concursos públicos a serem realizados pelas instituições citadas no trabalho.

O levantamento identificou o total de 2.980 mestres e de 1.916 doutores atuantes em todo o estado, definindo o ranking por quantidade de pesquisadores atuantes em cada cidade.

1º – Manaus: 2.079 mestres e 1.618 doutores
2º – Parintins:  177 mestres e 67 doutores
3º – Itacoatiara: 110 mestres e 73 doutores
4º – Humaitá: 84 mestres e 48 doutores
5º –Tabatinga: 79 mestres e 20 doutores
6º – Coari: 71 mestres e 46 doutores
7º – Tefé: 71 mestres e 29 doutores
8º – Benjamin Constant: 38 mestres e 24 doutores
9º – São Gabriel da Cachoeira: 36 mestres e seis doutores
10º – Manacapuru: 38 mestres e um doutor
11º – Maués: 36 mestres e cinco doutores 
12º – Presidente Figueiredo: 32 mestres e nove doutores
13º – Lábrea: 28 mestres, sete doutores
14º – Eirunepé: 23 mestres e dois doutores
15º – Nhamundá: 15 mestres, não há doutores
16º – Iranduba: nove mestres e um doutor
17º – São Paulo de Olivença: cinco mestres, não há doutores
18º – Anori: três mestres, não há doutores
19º – Autazes: três mestres, não há doutores
20º – Barcelos: três mestres, não há doutores
21º – Boca do Acre: três mestres, não há doutores
22º – Carauari: três mestres, não há doutores
23º – Novo Airão: três mestres, não há doutores
24º – Santo António do Içá: três mestres, não há doutores
25º – São Sebastião do Uatumã: três mestres, não há doutores
26º – Nova Olinda do Norte: dois mestres e dois doutores
27º – Atalaia do Norte: dois mestres, não há doutores
28º – Careiro da Várzea: dois mestres, não há doutores
29º – Codajás: dois mestres, não há doutores
30º – Envira: dois mestres, não há doutores
31º – Itamarati: dois mestres, não há doutores
32º – Manicoré: dois mestres, não há doutores
33º – Tonantins: um mestre e dois doutores
34º – Barreirinha: um mestre, não há doutores
35º – Boa Vista do Ramos: não há mestres, um doutor
36º – Careiro: um mestre, não há doutores
37º – Fonte Boa: um mestre, não há doutores
38º – Maraã: um mestre, não há doutores
39º – Santa Isabel do Rio Negro: um mestre, não há doutores
40º – Alvarães: um mestre, não há doutores
41º – Beruri: um mestre, não há doutores
42º – Jutaí: um mestre, não há doutores
43º – Tapauá: um mestre, não há doutores
44º – Urucurituba: um mestre e um doutor.

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