Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
IMPASSE

Marcelo Ramos diz que artistas estão fazendo atos de desinformação sobre a PL 2.633/20

Relator do Projeto de Lei voltado à regularização fundiária afirma que pressão para adiamento da votação exclui os pequenos produtores - o público-alvo



marcelo_e_anitta_7E4CC2EA-81C2-453B-9974-863BF7E204D5.JPG Foto: Reprodução / Internet
19/05/2020 às 18:58

Em um vídeo direcionado a Marcelo Ramos (PL-AM), vários artistas do país se posicionaram contra a votação do Projeto de Lei 2.633/20, destinado à regularização fundiária, do qual o deputado federal amazonense é relator. A campanha #PL2633nao reuniu cantores e atores, como Anitta, Caetano Veloso, Betty Faria, Jesuíta Barbosa, entre outros, que afirmaram  “não é o momento para discutir outro assunto”.

Segundo os artistas, o momento é para se discutir a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) que afeta o Brasil e, principalmente, o estado do Amazonas. O parlamentar também foi questionado sobre a pressa dos deputados para a aprovação do projeto na Câmara Federal.



 

 

Por meio de sua conta no Twitter, Marcelo acusou os artistas de estarem promovendo atos de desinformação a respeito do PL 2.633/20. Logo em seguida, no IGTV do Instagram, o parlamentar rebateu os pontos questionados sobre a redação do texto e convocou os participantes do vídeo para um debate que poderia acontecer ainda nesta terça-feira (19).

Do outro lado, a resposta veio também pelas redes sociais, principalmente, da cantora Anitta, que retrucou o vídeo. Na noite de ontem (18), nos Stories do Instagram, a artista afirmou ter recebido informações de órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) que contradizem a publicação feita pelo deputado.

Além disso, a cantora pediu aos seus seguidores que cobrassem dos parlamentares à frente do projeto, para que fosse freada a tramitação. Com isso, alguns fãs que aderiram ao movimento e comentaram a publicação do deputado federal foram chamados de "anittaminions" pelo político amazonense.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

direita, esquerda, rico, pobre... todos sofrerão com a falta de ar puro para respirarmos. Nosso meio ambiente tem sido tratado com descaso e nós temos o poder de mudar isso. Convido todos vocês a se unirem contra a PL2633 que prejudica ainda mais o nosso verde. Vamos nos instagrans dos governantes pedir pra que não aconteça a votação. Lembrem a eles que somos NÓS que votamos e que seus nomes estão aqui gravados para as próximas eleições. Sem a gente, eles não tem voto, sem voto, não tem mandato. @marceloramospl oficialarthurlira (não consigo tag esse porque ele me bloqueou. Mas vai lá.) @majorvitorhugo @depaguinaldoribeiro @deputadoluistibe @arnaldojardimoficial @efraimfilhopb @baleia.rossi @pauloganime @fredcostadep @wellingtonrobertopb @deputadoleomoraes @acaciofavacho @andreferreira.pe @diegoandrademg @depcarlossampaio @joicehasselmannoficial @_pedrolucasfernandes @jhonatandejesus @depzesilva @rodrigomaiarj

Uma publicação compartilhada por Anitta 🎤 (@anitta) em

 

Na tarde de hoje, pelo Twitter, já em tom de conciliação, Ramos elogiou as iniciativas da cantora pop para promover a preservação da Amazônia, apesar das discordâncias que exaltou os ânimos do debate.

"Mesmo com discordâncias aqui e acolá, a luta pela Amazônia nos une. Quanto a mim, me comprometo em seguir trazendo mais clareza ao PL, na busca pelo entendimento e o equilíbrio entre justiça social e ambiental", disse Marcelo em um trecho da publicação.

Durante a pandemia, a artista pop vem provendo o debate político com ajuda de lives no Instagram e convocando os seus seguidores para mobilizações populares por meio da internet. Participaram também do levante midiático artistas como Monica Iozzi, Bruno Gagliasso, Christiane Torloni, Sérgio Marone, Charles Gavin e Malu Mader.

Posicionamento

À reportagem de A Crítica, Marcelo Ramos destacou que dialoga com a população sobre o projeto e diz estar sendo pressionado por uma parcela da oposição, pelo movimento ambientalista, o governo e o movimento ruralista para adiamento da votação. E completa apontando que os discursos contra a atualização da legislação fundiária estão excluindo os pequenos produtores que desejam a pressa na aprovação.

"Deixar para depois significa que mais adiante eles [ruralistas] não terão compromisso algum em manter o acordo e há o risco deles se reorganizarem e voltarem com os temos do MP 910. Esta sim, nociva ao meio ambiente", defende o deputado.

Questionamentos

A campanha é promovida pela organização para preservação ambiental Amazônia 342. Os ambientalistas avaliam que o PL seria a continuação da Medida Provisória 910, chamada por eles de MP da Grilagem, que havia sido editada pelo presidente Jair Bolsonaro no final de 2019, mas perdeu a validade para votação na Câmara dos Deputados em Brasília.

O texto da MP instituía a autodeclaração de ocupação das terras da União ampliando a de 4 para 15 módulos fiscais. Com isto, de acordo com os movimentos contra a MP, a nova ementa daria mais poder para grupos de grilagem de terras.

A proposta relatada por Marcelo Ramos altera o módulo fiscal que pode variar entre 5 a 110 hectares no novo texto, a Câmara dos Deputados fixa em 6.

Entenda

O PL 2.633/20 apresentado pelo deputado federal Zé Silva (Solidariedade-MG) quer ampliar a regularização de terras da União através da autodeclaração por quem ocupa a terra. A autodeclaração é quando o interessado é quem diz onde é a propriedade, qual o tamanho e há quanto tempo ocupa a área.

Comentário: Tiago Jacaúna, cientista político

"Os estudos sobre análise de redes sociais em ambientes on-line demonstram que as pessoas tendem a seguir ideias ou ideologias de grupos sociais cuja probabilidade de contato no mundo real seja maior, ou levam para o mundo virtual as ideologias que construíram no mundo real, por isso os influencers ou artistas que se aventuram a promover debates políticos tendem a agregar pessoas que já concordam com suas ideias. Em face disso, artistas e influencers podem potencializar ações coletivas conectando e coordenando vontades políticas comuns de pessoas que no mundo real teriam pouca probabilidade de interação. Com efeito, estes sujeitos podem transformar predileções comuns em ação política, bem como afastar aqueles ou aquelas cujas influências das esferas sociais imediatas sejam opostas as suas".

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