Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
amor em ser mãe

Maria da Glória: matriarca deixa saudades aos 18 filhos, netos e bisnetos

Dona Maria da Glória faleceu, aos 90 anos, cercada de amor e afeto por todos de sua numerosa família



maria1_21EC281B-E02D-41CA-9AAB-7C282CE8EA34.JPG Foto: Arlesson Sicsú
31/07/2021 às 18:55

 Após 90 anos de vida, regados de muitas histórias de superação e também de amor, chegou a hora de Maria da Glória Queiroz Nogueira, a matriarca da família Nogueira, descansar. E hoje, permanece nas lembranças e nos corações dos que tanto a amam. 

Ela foi cercada pela presença constante dos 18 filhos, 47 netos e 36 bisnetos e continuará sendo o exemplo de dedicação à família, assim como o patriarca, Brígido Nogueira. Entre as lembranças guardadas pelos filhos estão a proteção dedicada não só a eles, mas aos netos e bisnetos durante toda a sua vida. 

 “A minha mãe entendeu a maternidade e fez com que isso fosse uma missão. Todos os partos dos netos possíveis, independente dos locais geográficos, ela acompanhou. Ela, durante os 30 anos que moro em Curitiba, nos visitou todos os anos. Ela organizava a própria agenda para que pudesse nos encontrar”, contou um dos filhos, o empresário Hilário Nogueira, 50 anos, apelidado carinhosamente pela mãe como ‘O preferido’.

Covid-19

Ela vinha se recuperando das consequências da Covid-19, que teve no segundo semestre do ano passado, mas mesmo assim conversou com a reportagem bem disposta. Mesmo sendo muito bem assistida pelos familiares, a matriarca descansou no último dia 24 de julho. 

“Eu sempre digo que nós ganhamos na loteria por sermos filhos de uma pessoa dessa. Graças a Deus, Ele a deu lucidez para que ela participasse ativamente das nossas vidas. Hoje nós a agradecemos por tudo o que nos foi proporcionado”, ressaltou o oitavo filho, o bacharel em direito e funcionário de carreira da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas, Thomaz Afonso Queiroz Nogueira, de 61 anos. 

A contabilista aposentada Maria de Fátima Nogueira Lima, 65 anos, não deixou de lado a gratidão pela própria vida. “Em questão de saúde, foi eu quem deu mais trabalho. Fiz uma cirurgia aos 10 anos de idade, em São Paulo. E a peregrinação, dedicação e empenho deles, eu agradeço todos os dias”.



Entre as histórias de vida de dona Maria da Glória estiveram a perda dos pais aos cinco anos de idade, a vida compartilhada com o esposo Brígido Nogueira com quem conviveu por 35 anos, o nascimento dos filhos do casal, até as inúmeras viagens internacionais que fez para matar a saudade deles. 

Durante os anos dedicados aos filhos, o casal deu muita importância à educação como comentou o terceiro filho do casal, o engenheiro eletrônico Antônio Geraldo Nogueira, 65 anos, que relembra do irmão mais velho, de 68 anos, o qual possui pós-doutorado. 

“Eles deram muita importância à educação. Eles nunca fizeram uma mudança de rota por causa da necessidade financeira para que nós, os mais velhos, fôssemos trabalhar para que os mais novos se beneficiassem. Todos nós tivemos a mesma educação”.

Para se ter noção do tamanho do amor dela pela família, logo que se entra na residência de dona Maria, localizada no bairro Aparecida, zona  Sul de Manaus, é possível ver inúmeros retratos espalhados pela casa e até um cantinho dedicado aos netos e bisnetos. 

Aos 20 anos, ela casou-se com Brígido Nogueira, um alfaiate, e, ao longo dos 35 anos que viveram juntos, os dois construíram o alicerce com inúmeras dificuldades, principalmente financeiras, para a criação dos 18 filhos. No entanto, mesmo com a morte do marido e pai dos seus filhos, ela continuou a percorrer a caminhada com dedicação.

Maria da Glória Queiroz Nogueira afirmou, à reportagem, ainda em vida, que não tinha o que reclamar. Apesar de inúmeras dificuldades que teve, ela colheu frutos e carinho da família numerosa tanto de perto quanto de longe. 

“Foram 35 anos de casada, foram poucos anos, mas houve muito amor. Eu amei e fui amada. Da órfã, Brígido me fez a rainha do lar. Nós tivemos muitas dificuldades financeiras, eu era dona de casa e ele era alfaiate, e hoje, eu digo que o terreno foi fértil”.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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