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Máscara de PET em Jutaí: relatório da Susam que aponta falha é contestado por sindicato

Sindicato dos Médicos do Amazonas contestou afirmação da Susam de que hospital tinha estrutura e o médico errou em procedimento com bebês que nasceram em “situação de prematuridade extrema” 02/02/2016 às 11:03
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O casal de gêmeos prematuros tiveram que usar máscara de oxigênio feita de garrafa PET
SILANE SOUZA Manaus (AM)

O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, contestou o resultado da inspeção realizada pelos técnicos da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) na Unidade Hospitalar de Jutaí (a 750 quilômetros de Manaus), o qual apontou que as máscaras de venturi - de tamanho padrão - estavam disponíveis na unidade, mas não se adequaram aos rostos pequenos dos bebês, que nasceram em “situação de prematuridade extrema”.

O caso, que ganhou repercussão nacional, aconteceu no dia 27 de janeiro. Os bebês, que nasceram prematuros, precisavam de atendimento especial, mas alegando falta de estrutura, os médicos improvisaram uma máscara de venturi feita de garrafa PET para eles. Um dos recém-nascidos morreu.

“Ou seja, não tinha máscara de Venturi”, afirmou Vianna ao destacar que esse tipo de material é comercializado em todos os tamanhos justamente para se ajustar aos recém-nascidos. Conforme ele, uma máscara grande não funciona, pois o equipamento tem que ficar ajustado no rosto da criança para a concentração ideal de oxigênio a um bebê  com insuficiência respiratória.

“Apesar de não ter conseguido falar com os colegas da Unidade Hospitalar de Jutaí, a conduta que eles tiveram é irreprovável. Eles agiram com dedicação, vontade de ajudar, uma forma heróica de quem está preocupado pela vida e de dá atendimento possível no interior, onde tudo falta. Não existe nenhum município no interior que tenha leito de UTI neonatal. A toda hora os médicos dessas regiões têm que improvisar para ter resultados”.

Suporte falho

O presidente do Simeam ainda rebateu as críticas feitas pelo governador do Estado, José Melo, sobre a falta de contato dos profissionais de saúde de Jutaí com a capital. “O programa Telemedicina não funciona tão bem porque no interior a internet, assim como telefones celulares, não funcionam de forma regular. Não é fácil conseguir manter esse vínculo com a rapidez e a facilidade que o governador colocou”, afirmou.

Além disso, Vianna disse que o transporte aeromédico de pacientes doentes graves do interior para a capital está com problemas por falta de repasse de verba. Conforme ele, a empresa que faz esse serviço está sem receber há muito tempo. Outra coisa é que nem sempre, quando é solicitado, há disponibilização de avião. “A solicitação de transporte aeromédico não se atende de forma tão rápida e às vezes nem sempre é autorizada”, contou.

‘Conduta adotada não é condenável’

Para a presidente da Sociedade Amazonense de Pediatria (Seped), Elena Marta Amaral dos Santos, a conduta adotada pelos médicos da Unidade Hospitalar de Jutaí não é condenável. Segundo ela, o profissional de saúde tem que usar equipamentos adequados. Mas, quando não tem, lembra, é preciso criar um equipamento artesanal que possa suprir a necessidade e minimizar os riscos. Como aconteceu em Jutaí, onde os médicos tentaram aumentar a concentração de oxigênio para o bebê que nasceu com insuficiência respiratória.

“O médico que improvisou não vai ser punido porque aquilo é artesanal. Há uns 20 ou 30 anos a gente usava garrafão de água como “capacete de hood” (estrutura de oxigenoterapia para recém-nascidos). Mas isso não era mais para ser usado hoje porque toda maternidade pública ou privada tem que oferecer segurança no nascimento de um bebê. Isso é lei”, frisou.

Durante o atendimento na Unidade Hospitalar de Jutaí, uma das crianças não resistiu e foi a óbito poucas horas depois do nascimento, devido à prematuridade extrema, conforme os médicos. A outra foi removida para Manaus na última segunda-feira e encontra-se internada na Unidade de Terapia Intensiva da Maternidade Ana Braga. O quadro, de acordo com os profissionais, do local, ainda é grave e inspira cuidados.

UTI aérea

O secretário estadual de Saúde, Pedro Elias, informou que, em 2015, o serviço de UTI aérea, que possui duas aeronaves, realizou 774 voos para remoção de pacientes do interior, em 28 municípios. Este ano, foram 32 voos de remoções, alcançando 12 municípios. O serviço está funcionando regularmente, garante ele.

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