Caso em Aberto

‘Massacre do Abacaxis’ completa um ano e grupos cobram resolução do caso

Seminário realizado por organizações civis busca relembrar os mortos na ocasião e cobrar resolução do caso pelo poder público

Karol Rocha
04/08/2021 às 18:10.
Atualizado em 09/03/2022 às 00:30

(Foto: Junio Matos)

Um ano após o conflito que resultou na morte de ribeirinhos e indígenas das terras Maraguá e Coatá-Laranjal e da região dos rios Abacaxis e Marimari, nos municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, no Amazonas, integrantes de organizações da sociedade civil clamam pela celeridade das investigações e apuração acerca do caso ocorrido em agosto do ano passado.

Os pedidos de justiça e celeridade nos processos, além da celebração da memória dos mortos, foram os temas centrais do seminário “Um ano do massacre do Abacaxis: Haverá justiça?”, realizado desde a terça-feira (3), de modo online e presencial, na sede do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação (SARES), no bairro Aparecida, zona Sul de Manaus.

De acordo com o coordenador do Sares, padre Paulo Tadeu, o intuito da ação não ocorreu somente para relembrar as pessoas que morreram durante o conflito, mas também chamar a atenção de autoridades públicas para a resolução do caso, que teve envolvimento da Polícia Militar do Amazonas.

“Nós achamos que a Policia Militar levou à morte desses dois seres humanos. Até hoje ninguém foi identificado totalmente e os ribeirinhos choram a perda dos familiares. Então, essa ação truculenta não se pode fazer mais, amanhã isso pode se repetir e não é isso que nós queremos”, comentou.

“Que a Policia Militar possa rever certas ações. Eles poderiam ter chegado lá, consultado as famílias pedindo maiores informações e isso não aconteceu, nós estamos aqui fazendo a memória para que continue as investigações e que a justiça aconteça. Nós não deixaremos passar em silencio”, disse.

Segundo a integrante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Luiza Machado, até então, não há informações concretas a respeito do andamento das investigações, o que faz com que as organizações busquem por justiça.

“Passado um ano e a gente se pergunta: será se essas organizações de fato estão empenhadas em solucionar o caso? Em promover a segurança das populações da região? Por que nada foi feito ainda. As investigações estão correndo, mas ainda não tivemos ninguém responsabilizado”, destacou.

“A cúpula de Segurança Pública do Amazonas continua a mesma, os agressores dessas pessoas continuam lá e mais do que isso, a região enfrenta o agravamento do problema pelo descaso. A gente tem registro de pessoas que foram torturadas após a saída da Policia Federal e da Força Nacional. A gente tem mantido conversas com órgão públicos, mas não temos sido atendidos”, reforçou ainda.

De acordo com o que foi apurado pelo Ministério Público Federal (MPF), naquela época, o conflito iniciou após moradores das comunidades ribeirinhas da região terem denunciado o uso do rio Abacaxis para pesca esportiva sem licença ambiental, o que culminou em suposto atentado contra um dos tripulantes.

Por conta disso, instaurou-se um clima de tensão na região, o que levou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) a enviar efetivos policiais para a área. O conflito, que teve envolvimento da Polícia Militar do Amazonas, resultou na morte de dois indígenas Munduruku e três ribeirinhos, além do desaparecimento de dois adolescentes. Dois policiais do Comando de Operações Especiais (COE) também foram mortos durante o ocorrido.

À época, a SSP-AM havia informado que a operação visava desarticular uma organização criminosa que atua no local com a prática de tráfico de drogas, ameaças, homicídios e crimes ambientais.

PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO

A programação iniciada na terça-feira (3), iniciou com uma mesa de diálogo com os relatos de quem viveu a tragédia e o contexto sociopolítico no Amazonas. A atividade teve a participação do bispo da Arquidiocese de Manaus, Dom Leonardo Steiner, e de lideranças indígenas e ribeirinhas da região.

À tarde, os representantes das organizações se reuniram com órgãos competentes a fim de entenderem sobre o andamento dos procedimentos jurídicos instaurados. E nesta quarta-feira (4), foi realizada uma Celebração Ecumênica em homenagem às vítimas do massacre.

O Seminário teve a participação de inúmeras organizações da sociedade civil como a Arquidiocese de Manaus, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação (SARES) e Articulação das Pastorais do Campo.

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