Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
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Matemático detecta apologia ao uso do crack no Twitter

Os resultados da pesquisa foram surpreendentes, até mesmo para quem lida com dependentes químicos. A maconha teve 91% de aceitação



1.jpg Além do craque, outras drogas entraram no estudo
01/03/2013 às 15:33

Pequenos depoimentos como a frase: “Fumando duas pedras de crack para começar a tarde bem”, traduzem claramente a apologia ao uso de craque nas redes sociais. Este depoimento publicado no Twitter em dezembro de 2012 serviu de base para uma pesquisa que avaliou como o uso das drogas, lícitas e ilícitas, são retratadas nas redes sociais.

Os resultados foram surpreendentes, até mesmo para quem lida com dependentes químicos, e mostram que nem sempre o que é considerado senso comum é reproduzido na rede.



A ideia de avaliar este tema polêmico partiu do matemático Braulio Medina, cofundador da empresa Vortio, de análises de redes sociais para marcas e produtos. Ex-fumante, ele decidiu usar sua experiência para monitorar a rede e compreender qual a imagem das drogas nela.

Durante 17 dias as menções com o aspecto positivo ao uso das drogas, entre elas: crack, maconha, LSD, ecstasy, Rivotril, cocaína, cigarro e cerveja, foram identificadas num total de 300 mil tweets. Os resultados foram apresentados no YouPix Rio, festival de cultura digital que aconteceu no Rio de Janeiro.

Uma das maiores surpresas, durante a avaliação, foi a aceitação do crack e de outras drogas pesadas. O subproduto da cocaína foi citado mais de 18 mil vezes, e teve 2.338 memes. Das citações, 52,2% foram de apologia à droga e podem ter alcançado mais de um milhão de pessoas.

Para a psicanalista Ivone Ponczek, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o resultado é assustador. ‘Tudo o que se fala sobre o crack é que ele é devastador. Me espanta que essa droga esteja levando uma imagem positiva. Tenho a triste impressão de que existe uma certa atração pelo trágico. Esse resultado nos faz questionar certas campanhas que ligam a droga à tragédia, e podem ter um efeito paradoxal’, diz Ivone.

A cocaína, por outro lado, teve 75% de comentários negativos a seu respeito. Já a maconha foi a droga ilícita com maior aceitação: 91,9% de mensagens positivas e mais de 18 milhões de pessoas potencialmente alcançadas. A droga só perde em aceitação para a cerveja, com 94,4% de citações positivas, e o Rivotril, calmante que não teve sequer uma menção negativa.

'O Twitter é uma rede aberta onde as pessoas expõem mais o que pensam. Se em uma pesquisa você consegue ouvir dezenas ou centenas de pessoas, na rede social eu posso ouvir milhares. Esse é um estudo preliminar, mas a gente já pode perceber um sentimento bastante positivo em relação à droga', afirma Medina.




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