Quarta-feira, 22 de Maio de 2019
AZÉ!

Matrizes africanas dão mensagem de Natal e um Ano Novo de muita paz e esperança!

Lideranças religiosas ressaltam a paz, amor e esperança por dias melhores para as duas datas cristãs



25/12/2016 às 05:00

A mensagem universal pregada por Jesus Cristo há mais de 2 mil anos pode até não ser compartilhada 100% por todas as religiões, mas visivelmente encontra eco em todas as crenças por conter um dos mais belos sentidos da vida: o amor ao próximo. Em Manaus, os povos de matrizes africanas carregam, em seu sincretismo, a palavra de fraternidade e solidariedade em meio a um mundo onde a intolerância religiosa, racial ou de qualquer tipo vêm perigosamente encontrando adeptos. A CRÍTICA conversou com algumas lideranças dessas matrizes africanas para saber deles qual a mensagem de Natal e Ano Novo eles deixam para a população amazonense.

O coordenador-geral da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matrizes Africana (Aratrama), Alberto Jorge Silva, destaca várias singularidades em sua mensagem de final de ano. “A nossa mensagem aos nossos irmãos cristãos neste Natal é que a paz, o amor e a fraternidade estejam presentes em todos os lares. Que a paz, do grande criador do Universo, essa força construtiva, essa força criadora, entre no coração de cada um de nós, e que o ano de 2017 seja bem melhor. E que nos ajude a esquecer tantas dores, tantos sofrimentos, tantas perdas de 2016”, disse ele.

O representante das matrizes africanas reforça o sentimento de esperança em dias melhores. “Que, acima de tudo, nós não percamos a esperança, que não percamos a fé de dias melhores, de conquistas. Que nós não percamos a esperança da conquista da paz, e que nosso maior tributo, que nosso maior legado, seja sorriso e o abraço fraterno da compreensão não só para aquele que está lá longe, não só para quem está nas nossas intenções, mas para qualquer pessoa que esteja próximo de nós. Para quem precisa de nós, lembrando que, por mínimo que nós tenhamos, pelo pouco que se tem, é possível dividir com quem não tem. Feliz Natal, feliz ano novo e um excelente 2017”, felicita o coordenador da Aratrama.

As matrizes africanas são bastante variadas, indo do candomblé mais ortodoxo, que não tem Jesus Cristo como salvador, até os terreiros que fazem o processo sincrético de considerar que ele é de fato o filho de Deus e Salvador.

Quase
Alberto Jorge tem uma particularidade: ele quase se ordenou padre. “Saí às vésperas da minha ordenação diaconal. Comecei coroinha mesmo na Igreja de São Raimundo. Fui seminarista, estudei Teologia, Filosofia e na véspera do diaconato eu saí. Hoje tenho ainda grandes e bons amigos dentro da Igreja Católica, entre eles o arcebispo Dom Sérgio Castriani e o arcebispo anterior Dom Luiz Soares Vieira. São lideranças que são literalmente bons amigos, fora os padres e freiras. Temos uma boa interação, um bom diálogo, justamente por conta desse respeito que existe entre nós. Eles entendem a minha posição e eu entendo a posição deles”, disse o representante.

Cristo é Zâmbi
A educadora Telma Félix, 64, é presidente do Instituto Cultural Afro Mutalembê e representante do grupo étnico Bantu, aproveita, na sua felicitação ao povo amazonense, para enviar, também uma mensagem de dias melhores para a população.

“A mensagem que nós trazemos do povo Bantu é de esperança, de fé e que as coisas vão melhorar porquê nós passamos por muitas turbulências em 2016. Nossa fé de que nada fica parado, e que o mundo está em movimento. E nesse movimento nós estamos entrando no ciclo das águas, que vai trazer bonança, calmaria que nós precisamos para ultrapassar o ciclo do fogo que a gente saiu. Nossa mensagem tanto de Natal quanto de ano novo é de esperança e fé por dias melhores”, contou a professora.

Entre o povo bantu, Deus e Jesus Cristo são representandos pela divindade Zâmbi. “Todos nós cremos em um ser superior. E Zâmbi é o Deus supremo que criou tudo. Esse ser superior a quem cultuamos. Sou professora, e como educadora vamos além do nosso terreiro, trabalhando essa temática da diversidade religiosa, sofrendo intolerâncias e muitas baixas, mas para nós a mensagem de Jesus é de fé e esperança, mesmo com todas as dificuldades”, comentou Dona Telma.


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