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Mau uso de lentes de contato pode ocasionar infecções graves e até cegueira

A advertência é a da médica oftalmologista Cristina Garrido, que aponta o crescimento dos casos envolvendo jovens amazonenses 22/05/2013 às 11:23
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Cristina Garrido diz que a venda de lentes sem qualquer controle cria um paciente potencial para ser transplantado e, com isso, aumenta a fila de espera
Ana Celia Ossame ---

O uso inadequado e sem orientação médica de lentes de contato está provocando infecções graves e até cegueiras, principalmente em jovens no Amazonas. A advertência é a da médica oftalmologista Cristina Garrido, ao apontar que 19,5% dos 200 que estão na fila para transplante, chegaram a essa condição por conta de infecção grave devido ao mau uso do equipamento ótico.

O Banco de Olhos completou nove anos de atividade no mês passado contabilizando a realização de 905 transplantes de 1.398 córneas doadas. Para Cristina é importante chamar a atenção para este fato na medida em que pessoas que necessariamente não precisariam estar na fila por transplantes, agora dependem desse procedimento para tentar voltar a enxergar.

A médica levou o problema para ser discutido em São Paulo no mês passado, em evento nacional sobre transplantes. No evento, apresentou o caso de um paciente de 24 anos que comprou lente colorida e fazia limpeza delas com soro fisiológico usado para inalação, completamente inapropriado para esse tipo de procedimento. A contaminação foi inevitável e foi tão grave que causou cegueira bilateral, ou seja, nos dois olhos, o que explica porque o mau uso das lentes está levando muito mais gente para a fila de transplante. “Se a pessoa nasceu com um problema ou o desenvolveu por um trauma ou acidente, é compreensível, mas estar na fila por uma causa de uma lente contaminada, o que é evitável, deve preocupar as autoridades da área da saúde”, acrescentou.

CEGUEIRA

Ao citar caso de pacientes que perderam o globo ocular e outro que nem o transplante resolveu o problema gerado pelo uso de lente contaminada, Cristina Garrido lamentou que a venda de lentes coloridas de contato esteja disseminada em toda a cidade, a preços baixos, induzindo as pessoas a comprar como se fosse um produto qualquer.

A compra em locais não indicados como lojas de conveniência em posto de gasolina, em camelôs estimula o uso sem cuidados com o prazo de validade, em horários inadequados como durante o sono, fatores que provocam dilatação e com isso a contaminação, como o de um paciente que foi acometido por uma ameba na córnea, levando-o a cegueira. Com isso, toda uma estrutura montada pelo governo para ajudar aqueles que têm um problema grave, de forma gratuita, tem que atender o mau usuário, que chegou a essa condição por desinformação, acrescenta a especialista, anunciando a realização de uma campanha de esclarecimento sobre a questão.

Entre as principais causas de doenças dos pacientes que estão na fila do transplante são a  ceratopatia bolhosa, infecções e úlceras de córneas, leucomas e ceratocônia, entreoutras, explica Garrido.

Segundo ela, é importante destacar a evolução do tratamento de pessoas que por algum motivo perderam a visão e agora, em Manaus, podem fazer o procedimento cirúrgico que antes exigia deslocamento a outros estados.

Lente favoreceu caso de ameba

Trabalhando na área de logística, Marcolino Nascimento, 44, sofreu contaminação no olho esquerdo, após tomar banho de rio com as lentes no ano de 2009. Ele usava lentes de contato há 22 anos por ter miopia de cinco graus. O diagnóstico inicial foi ceratite, mas a inflamação não cedeu com a medicação aplicada e um ano depois, já com a visão bastante comprometida, descobriu que, na verdade, estava com ameba, o que exigiu medicação muito forte para matar a bactéria.

“Eu nunca imaginei que isso fosse possível, mas vi de perto o perigo da falta de cuidado com a lente”, afirmou ele, que só depois de eliminar a doença pode inscrever-se para o transplante ocorrido em julho de 2012, quando voltou a enxergar. Segundo Marco, como é conhecido, nem mesmo os cuidados mantidos com a limpeza do material foram suficientes para evitar a contaminação porque  nadou usando as lentes. “Fico pensando hoje nos riscos de quem compra lente de contato em camelô ou em qualquer lugar sem a menor orientação quando à higienização”, alertou.

Um ano após o transplante, ele continua em acompanhamento ,pelas médicas Cristina Garrido e Rosimary Diniz Santin. Por ter ficado com a visão turva provocada por catarata, terá que fazer nova cirurgia para tratar esse problema. Para Marco, é importante ter um Banco de Olhos em Manaus, porque assim evita-se viajar para receber o tratamento adequado na visão, mas isso não deve ser motivo para fazer mau uso de lentes de contato. “As pessoas precisam saber dos riscos por meio de campanhas de esclarecimento”, assegurou.

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