Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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2 DE ABRIL - DIA PARA DEBATER

Médica e mães de crianças alertam a sociedade para a sensibilização do autismo

Neste domingo (02) é celebrado em todo o mundo o Dia Mundial de Sensibilização para o Autismo, intitulado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007


02/04/2017 às 05:00

Imagine um bebê com seis meses de idade. Você faz expressões com o rosto para arrancar dele um sorriso, mas ele não corresponde. Dá um tchau e ele continua indiferente. Os exemplos apresentados são uns dos sinais de alerta utilizados para o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Neste domingo (02) é celebrado em todo o mundo o Dia Mundial de Sensibilização para o Autismo, intitulado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007.

De acordo com dados da Rede de Monitoramento de Incapacidade de Desenvolvimento e Autismo do Center of Deseases Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, uma em cada 68 crianças é identificada com o autismo.

A neuropediatra Marília Abtibol explica que o autismo é uma desordem no desenvolvimento da criança. “E ele é muito mais frequente do que a gente imagina. Ou seja, o autismo é uma condição de saúde pública. Estima-se que só no nosso País existam dois milhões de autistas, sendo que só metade, ou até menos, tenham o diagnóstico estabelecido”, disse

Segundo Abtibol o diagnóstico da criança pode ser fechado aos dois anos de idade com base no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) da American Psychiatric Association.  A médica alerta que, para isso, além da avaliação clínica, os pais são os principais aliados. “Os pais são os melhores observadores. Para isso, é preciso estar atento aos sinais de alerta. Com um ano de idade os pais já conseguem suspeitar de algo na criança: ‘será se meu filho enxerga? Eu o chamo e ele não olha’, é um dos exemplos”, complementa.

Aos dois anos de idade a suspeita de autismo pode ser fechada, no entanto, a médica faz o alerta que a maioria das crianças só consegue aos quatro. Justamente por isso, ela destaca a importância da conscientização do espectro.

“A criança que tem um diagnóstico precoce, e é submetida a um tratamento e estimulação antecipado, tem capacidade de se desenvolver melhor do que aquela com análise tardia”, pondera a médica com residência em neurologia pediátrica pela Universidade de São Paulo (USP).

A empresária Cristiane Carvalho, mãe de um menino autista, de 10 anos de idade, conta que o filho recebeu o diagnóstico aos sete anos. “A partir dos quatro ele já fazia arte terapia, por indicação da escola, mas não por diagnóstico. O que é bastante comum no caso de autismo de auto-funcionamento, que é o caso dele”, relata a mãe.

Segundo Cristiane o filho leva uma vida normal hoje. “Ele continua com alguns tratamentos como atendimento psicológico e terapia ocupacional. Ele teve uma melhora incrível com os tratamentos e isso me deixa muito feliz. Ele é seguro e independente, mas nem sempre foi assim. Antes ele tinha muitas crises e chorava muito, às vezes chegou a ficar violento”, relata.

Um dos prejuízos apresentados pela médica é a questão da dificuldade que essas crianças têm em reconhecer as emoções e interação social.

Pensando justamente em trabalhar a educação emocional do filho, Cristiane Carvalho em conjunto com a equipe multidisciplinar do tratamento do filho criou braceletes para a criança reconhecer as emoções. “Eles têm uma sequência de emojis com emoções básicas como susto, medo, raiva e estado físico. Ele foi muito bacana e ajudou bastante o meu filho. Ele fica no pulso, é seguro, e vai ajudar muitas famílias”, empodera ela, opinando que as pulseiras servem não só para crianças com o espectro autista, mas também para aquelas não acometidas.

Lauren Ferreira - Publicitária e mãe da Ângela, de 13 anos
“Alguns anos atrás fiz uma espécie de ‘lista de desafios’ que encontro ao longo desta caminhada de ser mãe de uma autista. A interação social está no topo da classificação como um dos desafios mais difíceis. Para a Angela é difícil, pois, de forma geral, o autista naturalmente já não responde aos estímulos que consideramos comuns. Ela, não necessariamente, se interessará por um coleguinha ou um brinquedo que todos acreditam ser “normal se interessar”. Às vezes, pode ter diversos brinquedos perto dela, ou várias crianças... e nada disso chamará sua atenção. Ela acabará se conectando com uma formiguinha, uma borboleta... vai brincar com uma garrafa PET, ou um molho de chaves. Eles têm um mundo deles. O autista é assim. Ela pode ou não interagir. Depende do estímulo, do ambiente, da motivação. Acaba sendo difícil pra ela, pois as pessoas tentam encaixá-la dentro do padrão que eles consideram “normal”. A maioria das vezes é sem querer. Aí ela se aborrece, pois não entende o que ela está “fazendo de errado”, pois em sua visão, ela não está cometendo nenhum deslize.

Sinais de alerta?

Aos 6 Meses
Não faz aqueles sorrisos gostosos ou expressões alegres;

Aos 9 Meses
Não responde às tentativas de interação feita pelos outros, quando esses sorriem, fazem caretas, sons;

Aos 12 Meses
Não segue com o olhar gestos que os outros lhe fazem;

Aos 18 Meses
Não fala palavras e não expressa o que quer;

Aos 24 Meses
Não fala frases de duas palavras que não sejam apenas imitação ou repetição (Ex.: “Colo, mamãe”);

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