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Médico da Fundação de Medicina Tropical apresenta nova alternativa de combate à Malária

Estudo feito pelo epidemiologista André Siqueira comparou analisou o efeito de um tratamento alternativo em 380 pacientes 09/01/2015 às 17:37
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Parasitos do gênero Plasmodium vivax, que geralmente usam mosquitos como vetores, tem desenvolvido resistência a drogas hoje usadas no tratamento da doença
ACRITICA.COM Manaus (AM)

O aumento nos níveis de resistência aos medicamentos utilizados durante o tratamento da malária, mais especificamente da espécie de parasitos do gênero Plasmodium vivax, motivou o médico infectologista, mestre em Epidemiologia e doutor em Doenças Tropicais, André Siqueira, a buscar uma nova alternativa para o tratamento da doença na região amazônica. Causador de cerca de 90% dos casos da doença no Amazonas, o Plasmodium vivax vem desenvolvendo resistência à cloroquina, usada há cerca de 50 anos como principal medicação contra a infecção. 

Baseado nesses dados, entre janeiro de 2012 e julho de 2013, durante o desenvolvimento da tese de doutorado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Siqueira realizou o estudo ‘Combinação de dose fixa de artesunato-amodiaquina versus cloroquina para o tratamento de fase sanguínea de infecção não-complicada de Plasmodium vivax: ensaio clínico de fase 3 rondomizado, aberto, de não-inferioridade’.

Segundo ele, o estudo comparou o uso de uma combinação dos medicamentos artesunato com amodiaquina e de cloroquina para o tratamento da malária vivax em Manaus. Nessa fase, foram incluídos 380 pacientes que receberam tratamento supervisionado de acordo com o peso.

“Pudemos observar que a combinação em dose fixa de artesunato-amodiaquina é eficaz contra a malária vivax. Também acompanhamos os pacientes por 42 dias ao invés dos habituais 28 dias e assim detectamos mais falhas nos pacientes que receberam cloroquina. Assim temos uma estimativa confiável da resistência do Plasmodium vivax à cloroquina”, explicou.

O trabalho, orientado pelo diretor de Ensino e Pesquisa da FMT-HVD, professor Marcus Lacerda, contou com a parceria da empresa Sanofi e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com a participação de técnicos de microscopia, médicos infectologistas e um cardiologista, enfermeiros, bioquímicos, técnicos de laboratório e vigilância, entre outros profissionais.

Diante dos resultados, o estudo concluiu que a combinação artesunato-amodiaquina apresenta-se como uma alternativa segura e eficaz para o tratamento da malária causada por esta espécie (parasitos do gênero Plasmodium vivax).

Doutor Siqueira disse que o próximo passo é avaliar outras alternativas ao tratamento da malária vivax em várias regiões da Amazônia com e sem combinação com primaquina, associada com mais estudos medindo a eficácia da cloroquina na região. “Desta forma, elementos e evidências estarão disponíveis para que gestores e autoridades competentes estejam bem fundamentados para escolher o melhor tratamento contra esta doença”, concluiu.

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