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Médicos e pacientes afirmam que maternidade Ana Braga não tem condições de funcionar

Na manhã desta segunda-feira, 1°, uma das mesas de parto, onde são realizadas as cirurgias, quebrou no exato momento em que uma mulher dava à luz a um menino. De acordo com funcionários que não quiseram se identificar, além dos equipamentos, também falta roupa limpa e adequada para trabalharem no ambiente cirúrgico, o que contraria as normas de saúde para o procedimento 01/06/2015 às 20:16
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O caso ocorreu na manhã desta segunda-feira (1)
Acritica.com Manaus (AM)

A maternidade Ana Braga, localizada na Zona Leste, está funcionando em péssimas condições de estrutura. É o que denunciam pacientes e médicos. Um dos exemplos mais graves ocorreu na manhã desta segunda-feira, 1°, quando uma das mesas de parto, onde são realizadas as cirurgias, quebrou no exato momento em que uma mulher dava à luz a um menino. A paciente, não identificada até o momento, caiu no chão deixando a equipe médica assustada, sem saber se ela e a criança haviam se machucado, sendo que à gestora da maternidade já tinha sido informada, pela equipe médica, que o equipamento precisava de reparos e não podia mais ser usado.

De acordo com funcionários que não quiseram se identificar, além dos equipamentos, também falta roupa limpa e adequada para trabalharem no ambiente cirúrgico, o que contraria as normas de saúde para o procedimento. A falta de vestimentas obriga médicos a revezarem “batas” sujas para efetuarem os partos.

Médicos confirmam o descaso, embora o façam de forma velada, temendo represálias. Os profissionais relataram diversos absurdos que presenciam diariamente dentro da unidade e alguns "malabarismos", senão "milagres", que fazem para evitar complicações nas pacientes devido às más condições do local.

Segundo eles, as parturientes (mulheres que se encontram em trabalho de parto ou que acabaram de dar à luz) ficam "amontoadas" com os recém-nascidos por falta de climatização. Em uma pequena sala adaptada e sem climatização, ficam até nove mulheres com seus bebês, além de acompanhantes. Elas só podem usam abanadores para amenizar o calor.

Represália

Médicos e enfermeiros contam que a situação tem sido "abafada" pela direção na tentativa de evitar que o descaso se torne público. “A ordem é se não está satisfeito, pede pra sair. Quem não quiser trabalhar nessas condições pode pedir pra sair que as enfermeiras irão assumir o controle”, frase supostamente da direção, reproduzida por médicos.

Os profissionais que trabalham na maternidade Ana Braga fazem parte do Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (IGOAM). O próprio instituto, segundo os profissionais, denunciou as más condições às entidades médicas competentes, mas não avançou nas cobranças de melhorias. O IGOAM mantém contrato com o Governo do Estado. Conforme relato dos médicos, um fórum com os cooperados foi realizado internamente, pelo instituto, para reunir e debater as queixas.

Direção da maternidade

Em nota, a direção da maternidade Ana Braga afirmou que é improcedente a informação de que a unidade esteja com sua estrutura em “péssimas condições”. A unidade acompanha rigorosamente a situação de seus equipamentos hospitalares, com realização de manutenção preventiva e correta. O relatório relativo ao último mês de abril mostra que, de 213 equipamentos inspecionados, apenas 14 necessitaram de algum tipo de manutenção corretiva.

A unidade dispõe de serviço de lavanderia e não procede que os profissionais não tenham a sua disposição as vestimentas cirúrgicas necessárias (limpas, esterilizadas e organizadas) para a rotina de atendimento. A maternidade é regularmente abastecida pela Central de Medicamentos do Estado (Cema) e quando ocorre de haver falta de algum medicamento no mercado – que eventualmente prejudique o abastecimento regular do produto pela Cema – a unidade imediatamente reúne seu corpo clínico para definir a adoção de medicamentos alternativos, com total segurança e sem qualquer prejuízo para o paciente.

Posição

Sobre o incidente ocorrido com a maca de parto, na manhã desta segunda-feira (1º), a direção esclareceu que o equipamento havia passado por inspeção e que já foi solicitado um laudo da empresa responsável para averiguar as causas da ruptura. A paciente envolvida no incidente passa bem, permanece internada na unidade se recuperando do parto cirúrgico a que foi submetida e, apenas por medida de segurança, está passando por uma bateria de exames complementares que assegurem não ter sofrido qualquer problema durante o ocorrido.

O seu recém-nascido está sob cuidados intensivos, por um quadro de saúde que não tem qualquer relação com o episódio desta segunda-feira. Em relação à segurança no estacionamento da unidade, a direção informa que a área é iluminada com refletores e seguranças.

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