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Cotidiano
Hospital 28 de Agosto

Médicos fazem ‘cotinha’ para pagar ônibus de técnicos sem salário no Hosp. 28 de Agosto

Com pagamentos atrasados há dois meses e sem dinheiro para pagar o transporte, terceirizados chegam a ir e voltar a pé para trabalhar no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto 29/09/2016 às 17:07 - Atualizado em 29/09/2016 às 18:02
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Os médicos chegaram a arrecadar R$ 300 para custear passagens de ônibus dos técnicos (Evandro Seixas)
Vinicius Leal Manaus (AM)

Com dois meses sem receber salários, técnicos de enfermagem terceirizados do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, em Manaus, não têm dinheiro para pagar o transporte e chegam a ir e voltar a pé para o trabalho. Devido a situação, médicos e outros funcionários da unidade de ajudam como podem, fazendo até “cotinha” para bancar as viagens de ônibus dos servidores.

“A gente não é carteira assinada e estamos com dois meses de salário atrasado. Não tempos direito a vale transporte e muitos têm que tirar de onde não existe para honrar com a profissão. Pago aluguel, moro com dois filhos, mãe e pai, e tenho que tirar dinheiro da comida de casa para trabalhar. Ou quando me submeto a ir e voltar a pé. Muitos fazem isso”, disse uma técnica de 37 anos, que preferiu não se identificar.

Segundo ela, colegas de profissão ajudam dando o dinheiro para o ônibus dos técnicos. “Como não temos dinheiro de vale transporte, a gente acaba pedindo dos médicos. Eles ficam sensibilizados, mas têm pessoas que ficam com vergonha de pedir. Chegamos mortas de cansada e eles percebem. Pedimos num modo de desespero para não voltar a pé. Hoje, por exemplo, não tenho dinheiro e vim a pé. Moro no bairro da Raiz”, disse.

Um dos médicos que atua no hospital afirmou que eles chegaram a arrecadar cerca de R$ 300 para custear as passagens dos técnicos. “Muitos profissionais sequer estão vindo para o trabalho por conta das dificuldades. São guerreiros, mas que não possuem condições financeiras de vir trabalhar sem receber os salários”, afirmou o profissional, relatando que a instituição vem enfrentando problemas financeiros de diversas naturezas.

‘Antiga’ Total Saúde

Segundo os técnicos de enfermagem, a empresa responsável pelo pagamento deles é uma cooperativa, que há cerca de dois meses substituiu o serviço terceirizado antes era exercido pela Total Saúde, uma das empresas envolvidas nos desvios de verbas da Saúde no Estado, cujo esquema foi desmantelado este mês na Operação Maus Caminhos, da Polícia Federal.

“Éramos da Total Saúde. De noite era a Total Saúde e no outro dia já era essa outra cooperativa. Nós ficamos aqui, mas sendo outra empresa”, explicou outra técnica de enfermagem, de 27 anos, que não quis se identificar. “A Total atrasava o salário também e saiu por causa disso. Muitos estão na Justiça porque até hoje não receberam o salário correto”, completou.

Entretanto, mesmo com a mudança de empresa, os salários ainda atrasam. “Eles não dão satisfação, não justificam nada e ficamos a sem recorrer. Essa empresa mantém um ou dois funcionários aqui para pegar o nosso ponto e tem um escritório no Petrópolis. A gente procura lá e informam que não têm autorização para falar. É uma pessoa super grossa, que destrata, diz que não tem previsão e fica por isso mesmo”, reivindicou a técnica.

Amazon Clinical

Segundo a assessoria de imprensa do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, a empresa terceirizada responsável pelos técnicos é a IS de Souza, com nome comercial de Amazon Clinical, com sede na rua Genesis, Petrópolis, na Zona Sul da capital. Conforme dados do Portal da Transparência, a empresa já recebeu, este ano, R$ 410.670,00, em quatro pagamentos distintos.

A reportagem entrou em contato com a IS de Souza/Amazon Clinical pelo telefone (92) 3346-7384 e uma funcionária respondeu que “a Susam não está fazendo o repasse”, e por isso o pagamento dos salários está atrasado há dois meses.

Entretanto, em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) atribuiu responsabilidade pelos atrasos à empresa, mas não deu prazo para o pagamento dos salários. “O pagamento [...] é feito mediante prestação de contas, que deve ser feito pela empresa prestadora de serviços junto à Susam. A empresa [...] só entregou a documentação relativa aos serviços prestados nos meses de julho e agosto na semana passada, e a Susam está cumprindo os trâmites legais para autorizar os pagamentos”.

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