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Médicos que cobravam dinheiro para fazer partos em Manaus são políticos no Amazonas

“Dr. Denis” já foi vereador na Câmara Municipal de Manaus e candidato a deputado estadual em 2014. O “Dr. Armando” foi candidato a deputado federal  27/02/2015 às 16:14
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Denis Almeida dos Santos, 46, foi candidato a deputado estado e é ex-vereador de Manaus
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

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Dois dos três médicos que formavam uma quadrilha e que foram presos pela Polícia Civil do Amazonas na operação “Jaleco”, nesta quinta-feira (26), em Manaus, são políticos atuantes no Amazonas e foram candidatos a deputado na Assembleia Legislativa do Amazonas e na Câmara de Deputados, em Brasília. Eles agiam contra paciente grávidas.

O médico Denis Almeida dos Santos, 46, o “Dr. Denis”, já foi vereador na Câmara Municipal de Manaus (CMM), no quadriênio 2009-2012, e candidato a deputado estadual nas eleições de 2014. Já o médico Armando Andrade Araujo, 67, o “Dr. Armando”, foi candidato a deputado federal nas eleições do ano passado.

Nas eleições de 2014, o “Dr. Denis” recebeu 5.338 votos e não foi eleito. Ele foi candidato a deputado estadual com o número 31123, pelo partido PHS e pela coligação “Fazendo Mais por Nossa Gente II”, dos partidos DEM, PEN e PHS. Denis é solteiro, natural de Manaus e é servidor público federal, conforme dados do site Eleições 2014.


“Dr. Armando”. Foto: Eleições 2014

Já o “Dr. Armando”, nas eleições do ano passado, foi candidato a deputado federal pelo Amazonas com o número 4446, pelo partido PRP e pela coligação do PRP. Ele recebeu 453 votos e não foi eleito. Armando é casado, é natural de Aracaju (SE), tem ensino superior completo, também de acordo com dados do site Eleições 2014.

Esquema

Tanto o “Dr. Denis” quando o “Dr. Armando” formavam uma quadrilha especializada em cobrar dinheiro para fazer partos em maternidades públicas de Manaus. Além deles, também foi preso Odilon de Oliveira Gomes, 67. Eles agiam nas maternidades Dona Lindu, Nazira Daou e Ana Braga, na capital, e foram denunciados por pacientes deles.

Segundo a polícia, os três médicos cometeram formação de quadrilha e corrupção passiva e majorada no funcionalismo público. Eles eram investigados há pelo menos um ano e foram presos em cumprimento de mandado de prisão. “Eles faziam uso do aparato público. São perniciosos, e agora estão sendo retirados”, disse o delegado geral de Polícia Civil, Orlando Amaral.


“Dr. Denis” em atuação na CMM. Foto: Divulgação

A operação foi comandada pelo delegado João Neto, titular da Seccional Norte. De acordo com ele, a mulher grávida que denunciou o esquema recebeu oferta de R$ 2,8 mil do médico Armando Andrade para passar pela cirurgia de retirada do bebê dentro da Maternidade Dona Lindu. Pelo menos quatro vítimas foram identificadas e confirmaram os crimes.

Outros profissionais da saúde estão sendo investigados por também fazerem parte do esquema. Segundo a polícia, o grupo cobrava entre R$ 1 mil e R$ 2,8 mil para fazerem cirurgias em hospitais públicos, sendo que um deles pediu R$ 5 mil para fazer um parto na Maternidade Ana Braga, na Zona Leste. Também houve vítimas na Maternidade Moura Tapajós.

Odilon de Oliveira Gomes. Foto: Euzivaldo Queiroz

A polícia recebeu denúncia, também, que os médicos também cometiam abuso sexual contra as pacientes grávidas. Os três médicos presos eram donos de clínicas particulares e também envolvidos na política: o “Dr. Denis” é ex-vereador de Manaus e ex-candidato a deputado estadual em 2014, e o “Dr. Armando” foi candidato a deputado federal em 2014.

Notas

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou que adotou providências para a imediata substituição dos profissionais nos seus locais de trabalho e aguardará o resultado do inquérito policial para aplicar as medidas que a lei prevê. A Susam reafirmou que a cobrança por qualquer tipo de serviço ou procedimento na rede pública é ilegal e deve ser denunciado.

A Susam diz, ainda, que os médicos Armando Araújo e Odilon Oliveira são estatutários e também prestam serviço à rede estadual de saúde através de contrato com o Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam). Ambos foram alvo de processo de sindicância no âmbito da Secretaria, cujos resultados foram encaminhados à Secretaria de Estado de Administração (Sead) e ao Ministério Público (MPE).

Em relação ao médico Denis Almeida dos Santos, foi informado que o mesmo não tem vínculo com a Susam e atua como médico cooperado do Igoam, não tendo chegado à Secretaria nenhuma denúncia contra o mesmo, até a presente data. A Susam reiterou que a cobrança por qualquer tipo de serviço ou procedimento na rede pública é ilegal e deve ser denunciada".

Igoam

O Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam) lamentou a existência do esquema formado pelos médicos. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o departamento jurídico do Igoam foi acionado para apurar os fatos e tomar as medidas cabíveis. O Igoam informou que o fato é individual e não reflete o trabalho coletivo dos demais sócios.

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