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Medidas de segurança não implementadas reduziriam incêndios em boates do AM

Projeto do Crea/AM enviado em 2012 à Câmara Municipal de Manaus, e não votado, reduziria situações de risco apontadas pelo Corpo de Bombeiros 04/02/2013 às 08:12
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Semana passada, mais de 60 casas noturnas foram interditadas na cidade porque ofereciam risco a seus frequentadores
ANA CELIA OSSAME ---

Um projeto de lei estabelecendo vistorias periódicas em imóveis com mais de três pavimentos e a obrigatoriedade de Certidão de Inspeção Predial (CIP) para edificações públicas e privadas foi encaminhado à Câmara Municipal de Manaus (CMM), ano passado, pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-AM). Mas sua votação não foi encaminhada. A implementação de medidas indicadas reduziriam em muito as situações de risco apontadas pelo Corpo de Bombeiros na maioria dos prédios da capital amazonense com riscos a incêndios.

Na época, o projeto foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal, Luiz Alberto Carijó, que prometeu realizar audiências públicas para discuti-lo. Na sexta-feira, o presidente do Crea-AM, Telamon Barbosa Firmino Neto, voltou a afirmar a necessidade de discussão, aprovação e implementação das medidas que podem prevenir ocorrências como a do incêndio da boate Kiss em Santa Maria, Rio Grande do Sul (RS).

De acordo com o presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), arquiteto Roberto Moita, existe um passivo de mais de 40 anos nesse aspecto na cidade que precisa ser cuidado paulatinamente. Hoje, no entanto, as situações mais urgentes são esses estabelecimentos como casas de show e restaurantes que atraem muitas pessoas, mas futuramente as escolas e outros locais serão vistoriados pela força-tarefa.

ESCOLAS

Ao comentar o início das aulas no ano letivo, Moita reconheceu a necessidade de fazer vistorias nos prédios escolares, mas considera esses locais menos problemáticos no aspecto da segurança pela atividade ali desenvolvida.

“Temos quatro anos para fazer ações integradas com essas que estamos fazendo por reconhecermos a necessidade de ordenamento da cidade”, afirmou o arquiteto, lembrando, no entanto, que é preciso agir com calma porque existem centenas de estabelecimentos e situações que precisam de olho mais apurado neste momento. As escolas em geral, tanto da rede pública quanto da particular, não têm histórico tão grande de riscoquanto se sabia das casas de show, advertiu.

ESCOLAS

O presidente disse saber que, além das escolas, todos os demais estabelecimentos públicos precisam renovar as vistorias do Corpo de Bombeiros, mas como existem lugares públicos precisam de atenção diferenciada. Já as escolas receberão essa atenção posteriormente.

Implurb dá orientação a proprietários

O presidente do Implurb, Roberto Moita, comentou, ainda, a denúncia feita por um diretor de escola de samba à reportagem, dizendo que fiscais da prefeitura costumam retardar a liberação da documentação dos estabelecimentos comerciais com o objetivo de cobrar propina para deixá-los funcionando.

O empresário disse que para abrir os estabelecimentos, muitos precisam pagar para os fiscais e na hora de fechá-los, pagar também aos policiais, do contrário são ameaçadas de não poder mais trabalhar. “Os fiscais estão viciados em propinas para fazer vista grossa e manter os proprietários nas mãos”, afirmou. 

Moita disse não aceitar denúncias vazias e recomendou aos proprietários supostamente extorquidos a recolherem provas desse fato com filmagens ou gravações porque a maioria das denúncias feitas até agora não se sustentam. De acordo com ele, como há facilidade do uso de equipamentos que filmam, é uma alternativa para os empresários.

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