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Mel puro, saboroso e saudável é produzido em município do AM pronto para ser vendido

Município amazonense de Boa Vista do Ramos é o primeiro do Estado a receber a certificação do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) 15/11/2015 às 20:39
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Só há duas certificações de criação de abelha sem ferrão no Brasil. Um dos diferenciais da Coopmel é que não há a derrubada de árvores para a produção de mel
Silane Souza Manaus (AM)

Uma atividade que garante uma série de serviços ambientais e ainda gera renda às comunidades tradicionais do Amazonas está em plena ascensão no Estado. Trata-se da meliponicultura, criação de abelha sem ferrão. O município de Boa Vista do Ramos (a 271 quilômetro de Manaus) foi o primeiro a conquistar o selo do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) da região para a comercialização desse tipo de mel, e o segundo do Brasil.

Esse êxito foi conseguido pela Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia (Coopmel). O técnico do Grupo de Pesquisas em abelhas (GPA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Hélio Vilas Boas, conta que em termos de abelha sem ferrão, o Brasil só tem duas certificações. Uma no Paraná, com as abelhas indígenas Jataí, e agono Amazonas, com as abelhas Jandaíra.

Ele destaca que os produtores da Coopmel se preocupam com a natureza. Por isso, para a produção do mel, é terminantemente proibida a derrubada de árvores seja para retirada de enxames ou coleta de mel, ou para qualquer outro fim. Ao contrário, os cooperados ajudam as abelhas e a floresta, plantando árvores que fornecem alimento para as abelhas.

“Antigamente, a produção de mel era tirada por meio extrativista, a pessoa derrubava a árvore e tirava o mel, mas esse tipo de abelha, a maioria não migra de um canto para o outro, desta forma, elas acabavam morrendo e os insetos e animais consumiam tudo o que restava. Hoje, com a meliponicultura, o manejo tem toda uma prática de conscientização da abelha no meio ambiente e a preservação não só dela, mas da flora”, relata.

Outros benefícios 

Vilas Boas ressalta que uma das vantagens da meliponicultura para os produtores rurais da Amazônia é o fato de as abelhas sem ferrão auxiliarem também na produção de outras culturas, uma vez que, polinizam o terreno onde estão instaladas as colmeias. Ele também salientou que mais de 90% dos meliponicultores deixaram de aplicar defensivos agrícolas na sua lavoura, o que melhora ainda mais a qualidade do mel.

O presidente da Coopmel, Jair Rodrigues Arruda , revela que a organização conta com 72 cooperados.  Conforme ele, o selo de inspeção é uma conquista muito grande para os produtores, principalmente pelo fato de a certificação possibilitar que o produto seja comercializado nas prateleiras dos supermercados do Estado, o que antes não era possível. “Apesar do pouco tempo, nossas vendas aumentaram em 70%”, disse.

Mais mel nas lojas e mercados

O Serviço de Inspeção Estadual  (SIE) para comercialização de mel no Amazonas representa a alta qualidade do produto comercializado pela Coopmel. O selo atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a aquisição dele significa que  a cooperativa está produzindo um produto alimentar (o mel) para o consumo humano de acordo com as normas sanitárias exigidas.

Para o técnico do Grupo de Pesquisas em abelhas do Inpa, Hélio Vilas Boas, a certificação dá credibilidade não só para Boa Vista do Ramos, mas para todo o Brasil. “O selo vai colocar o Amazonas em evidência e assim, outros Estados vão buscar seu selo de qualidade, que é importantíssimo no País. Sem o selo não se pode de jeito nenhum comercializar o produto. E ele vale por um ano, desta forma, a preocupação de manter a excelência é constante”, enfatiza o técnico.

Os criadores receberam técnicas específicas sobre as boas práticas de produção, incluindo coleta e transporte, processamento, armazenamento e embalamento do produto para comercialização. Com a conquista do selo de inspeção, a comercialização do produto pela Coopmel garantirá renda extra para famílias de 23 comunidades rurais situadas em cinco regiões de Boa Vista do Ramos (Lago Preto, Rio Urubu, Ramos de Cima, Ramos de Baixo e Massauari).

A meta da Coopmel era produzir 2 toneladas e 600 quilos de mel este ano, mas por conta do forte verão, a expectativa é que a produção alcance apenas duas toneladas, de acordo com o presidente da organização, Jair Rodrigues Arruda. Porém, ele destacou que cooperativa tem parceria com o Inpa para desenvolver pesquisas que aumentem a produtividade dos meliponicultura de Boa Vista do Ramos.

Ampliação

O selo do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, possibilitando a livre comercialização do mel da floresta produzido pela Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia (Coopmel) em lojas e supermercados de todo o Amazonas.

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