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‘Mentira, calunia e difamação’, diz Braga sobre Lírio Parisotto assumir vaga do AM no Senado

Com indicação da presidente Dilma para Braga assumir Ministério de Minas e Energia, cadeira do Amazonas no Senado será ocupada pela esposa de Eduardo. Segundo suplente é o empresário Lírio Parisotto 29/12/2014 às 11:53
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Eduardo Braga
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

“Um grande desafio”. É assim que o senador Eduardo Braga (PMDB) vê a indicação da presidente Dilma Rousseff (PT) para que ele assuma a cadeira de ministro de Minas e Energia (MME) na próxima gestão presidencial, decisão tomada na última terça-feira (23). “É exatamente nos momentos de grandes desafios que surgem grandes oportunidades. Vamos ter que trabalhar muito, e espero corresponder a confiança da presidente”, disse Braga ao telefone.

O ex-governador do Amazonas reconhece a necessidade de avançar em questões cruciais para o desenvolvimento do setor. “Precisamos de uma política de óleo gás, de uma política de mineração. Leilões de compra e de concessão de energia, também precisamos reforçar nessas áreas. Estamos marcando conversas com o (Edison) Lobão (atual ministro de MME), companheiro de partido, para compreender todos os desafios. E já conversei com a Graça Foster (presidente da Petrobras)”, afirmou Braga.

O Ministério de Minas e Energia é responsável por gerir todo setor energético e de mineração no País e por apresentar projetos a serem remetidos à aprovação do Legislativo, além de ter vinculado em seu corpo instituições e órgãos federais estratégicos como a Petrobras, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Partidário

A indicação de Braga ao MME segue a regra assumida por Dilma de favorecer partidos políticos da coligação que a reelegeram como presidente na formação de sua nova estrutura de gestão. A sigla de Eduardo, o PMDB, assumiu mais outros cinco ministérios (Agricultura, Pesca, Turismo, Aviação Civil e Portos). Já o PRB ficou com o Ministério do Esporte, PCdoB com Ciência e Tecnologia, PT no Ministério da Defesa, PSD com Ministério das Cidades e o Pros com Educação.

“Na realidade, o partido tem me apoiado de uma forma muito intensa. Mas essa é uma escolha da presidenta, que já tabalhou comigo no início da transição do governo Lula. Ainda ontem (23) falávamos sobre isso. Ela era coordenadora da transição e eu, governador, enfrentando uma crise de apagão, que não se conseguia resolver no governo Fernando Henrique. Conheci ela (Dilma) num momento de tensão na área de energia. Tivemos problemas, mas não tivermos apagões permanentes como antes”, disse Braga.

Entretanto, Braga é engenheiro eletricista por formação e, apesar das habilidades técnicas, ele afirma que a nova função será voltada mais para a área administrativa, já que dentro do MME e dos orgãos vinculados há técnicos e engenheiros responsáveis. “É óbvio que minha formação acadêmica me ajuda. A engenharia não é algo de absoluto desconhecimento. Mas a minha função não será como engenheiro, e sim junto com técnicos para formular políticas, para que o governo possa avançar”

Substituição

Com a saída de Eduardo Braga do Senado para assumir o MME, a vaga do Amazonas deixada por ele será ocupada pela primeira suplente, Sandra Backsmann Braga, esposa de Braga e ex-primeira dama do Estado. Entretanto, caso Sandra decida deixar o cargo, a cadeira poderá ser ocupada pelo segundo suplente, o mega empresário Lírio Parisotto, dono da fabricante de CDs e DVDs Videolar - que conta, inclusive, com unidade no Pólo Industrial de Manaus.

Parisotto é gaúcho e um dos homens mais ricos do País, segundo a revista Forbes – com forturna estimada em US$ 2,5 bilhões. Ele não mora na capital do Amazonas e é um grande investidor empresarial, tanto que recentemente conseguiu comprar a Innova Petroquímica (empresa que antes era controlada pela Petrobras) através da venda de cerca de R$ 800 milhões em ações de companhias brasileiras.

Sobre a possibilidade de Parisotto assumir a vaga do Amazonas no Senado, Eduardo Braga defendeu o colega e afirmou, em poucas palavras, que “isso não procede”. “Isso é calúnia, mentira e difamação de alguns que continuam permeando... Na minha opinião, o Lírio é o maior investidor individual no Amazonas. Ele gera mais emprego no Amazonas do que muitos que pensam em poder criticá-lo”, completou.

Histórico

Eduardo Braga é um empresário e político nascido em Belém, no Pará, com 54 anos, formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e atualmente filiado ao PMDB. Desde 2010 ele era senador pelo Amazonas e agora deixará o cargo para assumir o Ministério de Minas e Energia. Braga tentou, também este ano, ser governador do Amazonas para próximo quadriênio, mas perdeu as eleições locais para o seu ex-aliado e atual governador, José Melo (Pros).

Braga foi governador do Amazonas de 2003 a 2010, em dois mandatos seguidos. Ele iniciou a carreira na política aos 21 anos, como vereador de Manaus, em 1983. Depois, foi eleito deputado estadual em 1986 e, em seguida, foi deputado federal, entre 1991 e 1992. Entre 1993 e 1994 foi vice-prefeito de Manaus ao lado de Amazonino Mendes e, de 1994 a 1996, se elegeu prefeito de Manaus. Em 2002, com apoio de Amazonino, se elegeu governador do Amazonas, ficando no cargo até 2010.


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