Domingo, 15 de Dezembro de 2019
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Mercado de combustíveis deve ter grande mudança com aumento das importações

A crescente escassez de combustível produzido domesticamente também deve impulsionar projetos de terminais portuários, usinas de etanol e mesmo refinarias, o que dependerá do estabelecimento de regras claras por um eventual novo governo



gas2.jpg Agentes de mercado acreditam que os problemas financeiros da Petrobras deverão abrir caminho para investimentos privados, principalmente em logística
20/04/2016 às 15:21

O setor privado deverá ampliar a participação no mercado brasileiro de derivados de petróleo nos próximos anos, conforme a estatal Petrobras se prepara para reduzir a presença em operações de distribuição e o setor se prepara para o aumento das importações.

Agentes de mercado acreditam que os problemas financeiros da Petrobras deverão abrir caminho para investimentos privados, principalmente em logística.



A crescente escassez de combustível produzido domesticamente também deve impulsionar projetos de terminais portuários, usinas de etanol e mesmo refinarias, o que dependerá do estabelecimento de regras claras por um eventual novo governo.

A presidente Dilma Rousseff sofreu uma impactante derrota no domingo, quando a Câmara dos Deputados aprovou por ampla maioria o encaminhamento ao Senado de seu processo de impeachment.

"Nós vamos ver uma onda de mudanças no setor, com a Petrobras focando em exploração e produção", disse o vice-presidente de logística, negociação de combustíveis e distribuição da Raízen, joint venture entre a produtora de etanol Cosan e a Royal Dutch Shell.

O presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto, disse mais cedo neste mês que a companhia irá avaliar com cuidado ativos que a Petrobras eventualmente coloque à venda.

A Petrobras, altamente endividada e envolvida em um escândalo de corrupção, pretende levantar 15 bilhões de dólares com desinvestimentos até o final deste ano, sendo que 30 por cento desse valor deverá vir da venda de ativos de distribuição.

Embora a empresa não tenha divulgado em detalhes seus planos, fontes dizem que ela poderá vender o controle da BR Distribuidora, enquanto reportagens na mídia falam sobre possível desinvestimento em gasodutos.

"Toda a cadeia logística primária deve ser passada para investidores privados", disse Gadotti, referindo-se a áreas de armazenamento, gasodutos e terminais portuários.

Ele disse que a estrutura precisará ser modernizada para suportar o crescimento esperado nos volumes e obter ganhos de eficiência, com maior uso de dutos e trens em substituição a caminhões.

"Nós temos um desafio pela frente", disse José Augusto Dutra Nogueira, o chefe de operações da Ipiranga, segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil.

Nogueira disse que também será preciso expandir a capacidade dos portos para receber combustível importado em diversos Estados.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) prevê um forte aumento nas importações de produtos refinados assim que a economia voltar a crescer.

Projeções da agência apontam para importações atingindo 742 mil barris por dia em 2026, ante 323 mil em 2015, se não houver aumento da capacidade de refino no país.

O especialista da Universidade Federal de Itajubá, Luiz Augusto Horta, disse que novos investimentos em refino e em produção de etanol só virão quando o governo estabelecer uma política de preços dos combustíveis clara e previsível.


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