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Mercado de trabalho: evite surpresas desagradáveis que podem surgir ao longo da carreira

Mesmo profissionais senior podem ser surpreendidos com uma demissão. Aprenda a evitar o susto com ações preventivas 25/10/2015 às 01:57
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Se preparar com cursos de especialização, MBAs e de idiomas além de um plano B são dicas para evitar ser surpreendido por uma demissão
juliana geraldo Manaus (AM)

A crise econômica se intensifica e o risco do desemprego bate mais forte à porta. Mesmo profissionais sênior como gerentes, coordenadores e diretores de empresas não estão isentos de serem eliminados em um processo de redução de custos. Para evitar ser surpreendido e só então se preparar para a recolocação no mercado de trabalho, especialistas em recrutamento e recursos humanos ouvidos por +dinheiro dão algumas dicas para profissionais experientes e ensinam a ‘plantar as sementes’ para um novo emprego, com antecedência.

O gerente regional da Wyser e Head Hunter, Otávio Granha, diz que uma ação importante para se tomar, mesmo que aparentemente o emprego esteja seguro, é a elaboração do chamado ‘plano B’. Segundo ele, a empregabilidade e a nova colocação do profissional são definidas quando este ainda está no emprego anterior e não depois.

“O plano B consiste em o profissional, inclusive o executivo, se preparar para as adversidades com inteligência”, defende ele que gerencia a empresa responsável pela seleção de profissionais com remuneração acima de R$ 7 mil para grandes corporações.

Prevenção

Entre as ações, ele cita a formação de uma network - rede de relacionamento - com associações de classe, lideranças e tomadores de decisão em geral. “Quem não é visto não é lembrado. Esse é um dito muito correto e se aplica neste caso. Sempre ajuda ser conhecido e bem relacionado, até mesmo com head hunters, uma vez que eles podem lembrar do profissional quando estiverem selecionando candidatos para vagas em multinacionais, por exemplo”, detalha.

Outra dica do especialista é aproveitar a remuneração enquanto estiver empregado para investir em qualificação profissional. “Cursos variados, como especializações, idiomas e certificações auxiliam bastante. Deixar para fazer esse aprimoramento depois de uma demissão é sempre mais complicado”, alerta.

Perfil no linkedin

A diretora executiva da Rapport consultoria e Head Hunter, Cinthia Caruso, explica que manter um bom currículo no papel continua sendo importante, mas diz que o Linkedin - rede social online para profissionais e empregadores - tem sido a principal ferramenta de seleção e a mais eficaz para os head hunters acharem os candidatos ideais para cada vaga.

“Então se o profissional quer ser visto, ter um perfil bem feito no Linkedin é um bom começo, porque a plataforma nos permite pesquisar na hora todas as informações que nos interessam e nos dá acesso às recomendações de outros profissionais que já trabalharam com aquela pessoa. É uma forma mais prática de recrutar os candidatos corretos e atender as exigências das empresas”, defende.

Outro ponto que conta bastante, em relação ao Linkedin, segundo Cinthia, é a network do executivo. “Quando buscamos um gerente, buscamos as conexões dessa pessoa para saber se ele é um profissional bem relacionado. O número de pessoas na rede do Linkedin desse profissional também é observado. Toda vez que queremos candidatos com carreiras mais administrativas e de gestão fazemos uso desses critérios”, aponta.

Currículo executivo

Mais uma dica é elaborar um bom currículo para o preenchimento de vagas executivas nas empresas. De acordo com ela, além dos requisitos comuns, quem quer impressionar, precisa manter o documento sempre atualizado, contendo o resumo de suas qualificações e os resultados atingidos nas posições em que liderou.

“É preciso colocar fatos e números que comprovem as metas atingidas pelo executivo no cargo ocupado. O idioma também tem papel importante. Quanto mais melhor”, aconselha. AperfeiçoamentoA especialista em coaching executivo, Vera Larrat, reforça que o profissional que não tem uma pós-graduação ou MBA em seu currículo pode ter suas chances diminuídas no mercado de trabalho.

“Apesar de não garantir empregabilidade, ajuda e muito no momento de uma recolocação ou promoção, pois as empresas estão em busca não só de profissionais tecnicamente competentes mas com ampla cultura geral e boa visão sistêmica do cenário nacional e mundial”.

Ela destaca que tanto os cursos nacionais como um investimento mais ‘pesado’ para se fazer uma especialização no exterior são válidos. “Tudo vai depender do objetivo profissional da pessoa, da motivação para o curso, sua experiência e suas condições financeiras”, enumera.

Blog: Romualdo Freitas, Gestor tributário

“Eu já atuava há seis anos em uma empresa, em Manaus, na área de gestão tributária. Estava bem posicionado, mas devido à instabilidade ocasionada pela crise econômica, fui um dos profissionais que foi desligado em um corte de custos. Eu já tinha conhecimento de que havia profissionais especializados em reposicionamento de executivos no mercado de trabalho. Portanto, quando foi necessário, procurei uma empresa especializada para que ela pudesse facilitar o processo. Essa pessoa identificou o meu perfil profissional e pesquisou vagas nas quais eu me encaixaria. Como ela fez a pesquisa corretamente, a aposta foi bem certeira. No meu primeiro processo seletivo já fui contratado. Mas, a principal dica que dou é que o profissional esteja sempre atento ao mercado. Durante os seis anos em que trabalhei na empresa anterior fiz uma segunda graduação e uma pós-graduação. Estar preparado para qualquer adversidade é o melhor remédio”, analisa.

Três Perguntas: Vera Larrat, coach

Qual é a importância de o executivo ter em mente um ‘plano B’ em caso de demissões?

Os ‘planos B’ são necessários pois ajudam a definir ações concretas caso obstáculos apareçam. O primeiro passo é identificar quais são as alternativas para dar sequência na carreira.

Caso seja demitido, deseja seguir buscando oportunidades no mesmo segmento ou está aberto a outras áreas? Quer abrir seu próprio negócio, ou atuar como consultor, professor?

É importante estudar a fundo o mercado para identificar exigências e oportunidades e planejar. Planejamento a médio e longo prazo será o pano de fundo para definir os próximos passos.

Cursos nacionais de especialização têm peso no currículo ou o melhor são os MBAs fora do País?

Há boas opções no Brasil com custo e benefício interessantes e, em momentos de incerteza, é importante ponderar esses aspectos antes de se decidir. O que é fundamental para se manter atento ao que o mercado exige? ?Dar foco nas prioridades, fazer uma boa gestão do tempo para não afetar tanto a qualidade de vida, conciliando a vida profissional com a pessoal, cuidar da saúde física e mental, manter-se antenado com as oportunidades do mercado e conectado com pessoas. Tudo isso com tranquilidade e maturidade que o momento pede.


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