Sábado, 20 de Julho de 2019
VACINA

Mesmo com surto controlado, vacinação ainda é solução contra sarampo no AM

O boletim epidemiológico da FVS/AM informa que, de janeiro a dezembro deste ano, dos 10.262 casos confirmados da doença no Brasil, o Estado registrou 9.779 mil casos (95%)



sarampo_depois_337D64D3-9E1D-4402-8524-411AC7A07E07.JPG AM concentra 95% dos mais de 10 mil casos de sarampo no Brasil (Foto: Winnetou Almeida)
27/12/2018 às 02:03

Mesmo com 97% de cobertura vacinal em crianças de seis meses a menores de cinco anos, o Amazonas deve manter intensificadas as ações de imunização e identificação do sarampo para evitar um novo surto do vírus. A pouca procura e baixo estoque da vacina tríplice viral, somados à entrada de imigrantes venezuelanos no Brasil, foram fatores cruciais para que a situação saísse do controle neste ano, aponta especialista.

O boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Estado Amazonas (FVS/AM), informa que de janeiro a dezembro deste ano, dos 10.262 casos confirmados da doença no Brasil, o Estado registrou 9.779 mil casos (95%), sendo seis óbitos por sarampo. Segundo o infectologista da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT/AM), Antônio Magela, a situação está sob controle, mas ainda há casos sendo notificados.

Magela enfatiza que a imunização é a ferramenta para o combate efetivo. “Nós atingimos a cobertura? Sim. Mas isso não é estático, é um processo dinâmico. Vacinamos todas as pessoas que tinham que ser vacinadas, mas existem muitas que ainda precisam tomar a segunda dose e sabemos que mais crianças nasceram, depois desse período. Então a vacinação deve ser a principal arma para que possamos controlar definitivamente o sarampo, para que as pessoas não adoeçam. A vacina é a única maneira totalmente eficaz”, destaca.

Apesar da estabilização no quadro do surto de sarampo no Amazonas, a identificação e notificações da doença deve continuar. “Toda vez que um município notifica apenas um caso da doença, novamente inicia o ciclo de 90 dias, desta forma, ficamos longe da eliminação da doença do Estado. É fundamental a vigilância ativa e o reforço da imunização para o público alvo”, enfatiza o diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque.

Vacina

De acordo com o infectologista Antônio Magela, o cenário de um possível surto já era antevisto, entretanto a displicência na cobertura vacinal foi uma brecha para que a doença se alastrasse rapidamente. O trabalho inicial consistiu em identificar a situação e os fatores, para poder diagnosticar, isolar e tratar adequadamente os pacientes.

“Seria uma questão de tempo termos pacientes que vieram da Venezuela com sarampo e que pudesse causar o surto aqui em Manaus, já que até então não tínhamos uma cobertura vacinal considerada ideal pelo Ministério da Saúde, que é de 95%. Em julho, nós alcançamos uma cobertura de 57%. O Brasil inteiro passou por uma redução da disponibilidade da vacina nos últimos anos e a população, com a baixa procura, acabou contribuindo para que a cobertura vacinal sofresse baixa e ficasse suscetível a sofrer um surto”, explica.

A vacina tríplice viral, que imuniza contra sarampo, rubéola e caxumba, é recomendada para a faixa etária de seis meses a 49 anos, e está disponível em 183 salas de vacina em  Manaus. A lista com o endereço dessassalas  pode ser acessada no site da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) (https://semsa2018.manaus.am.gov.br/).

 Números estaduais

Dentre os 11.313 casos notificados de sarampo no Amazonas, 8.903 (78,7%) foram notificados na capital e 2.410 (21,3%) estão distribuídos em 51 outros municípios do Estado.

Dos 9.779 casos confirmados, 5.447 (55,7%) são do sexo masculino e a maior concentração está entre a faixa etária de 15 a 29 anos, com 4.515 (46,2%), casos registrados. Ainda estão em investigação 24 casos, sendo que 15 deles, são pacientes menores de cinco anos, público alvo da campanha de vacinação.

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