Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
CUIDADO DOBRADO

Mesmo considerada sob controle, meningite ainda pode fazer vítimas

Vacina evita contrair a doença e, mesmo assim, o Amazonas registrou 149 casos em 2019



1774281_4FDEB228-32EA-480E-ADF6-990790B72F2F.jpeg Foto: Divulgação
09/06/2020 às 12:37

A meningite é uma doença que atinge as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Caso não seja rapidamente tratado, o quadro pode evoluir para confusão mental, convulsão, falência múltipla de órgãos e até mesmo morte. Aos que conseguem sobreviver à doença, há risco de sequelas graves, como surdez, cegueira e amputações.

No Amazonas, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), a doença é considerada controlada, mas, por ocasião do Dia Nacional da Imunização, comemorado hoje, não custa lembrar que a doença é endêmica, ou seja, se manifesta com frequência em determinadas regiões, geralmente provocada por circunstâncias ou causas locais.



“Algumas pessoas podem achar que algumas doenças desapareceram porque não veem com frequência como a coqueluche, meningite, poliomielite, tétano, mas a verdade é que essas doenças existem”, comentou a diretora médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani.  “A medida que as pessoas deixam de se vacinar, elas perdem a proteção e com isso, quando alguém desenvolve o contato com o vírus e acaba adoecendo, quem não se vacinou fica muito exposto e acaba correndo o risco de ter a doença”, disse ainda,

Os sintomas da meningite são febre alta, irritabilidade, perda de apetite, dor de cabeça forte, rigidez na nuca, vômito e pequenas manchas arroxeadas na pele. Mesmo que a descrição da doença por si só cause certo temor ainda assim a adesão às vacinas disponibilizadas gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde tem sido abaixo do esperado há alguns anos.

“Só um humano pode passar doença meningocócica meningite para outro humano, então nesse caso só existe um jeito, tem que se vacinar por que apenas se vacinando você aumenta a sua proteção”, comentou Sheila.

As meningites bacterianas e virais são as mais comuns e demandam maior atenção da saúde pública por conta de sua gravidade. De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde, em 2019 foram notificados 16.035 casos de meningite no Brasil. Desses, 752 foram na região Norte, e 146 casos foram no Amazonas.

Segundo Sheila, há a vacinação nas UBSs do Amazonas - a Sanofi Pasteur fornece vacinas por meio do SUS para os municípios do Estado. “Sobre os casos de meningite no Amazonas, é muito importante que haja um aumento da cobertura vacinal para que isso reduza. Hoje, o Amazonas tem mais de 30 mil doses de vacina A, C, W-135 e Y para a população adolescente entre 11 e 12 anos. Então é um bom momento para se vacinar e evitar não só ter a doença, mas também que você seja um portador do meningococo”.

Para o público abaixo dos dois anos de idade são os mais vulneráveis à doença. “É importante lembrar que existe o esquema primário da vacinação na rede pública para crianças de três, cinco e doze meses mas é feita só com a vacina contra meningo C. Apenas na rede privada é possível encontrar A, C, W-135 e Y da vacina para a faixa etária dos pequenininhos”.

Adultos podem ser acometidos

Embora seja raro, adultos também podem ser acometidos pela doença. Em 2007, com 21 anos de idade, Daniel Yoshizawa contraiu o vírus da meningite que quase o levou a morte, como consequência, sentado teve que amputar as duas pernas e parte dos dedos das mãos. Após isso, o esporte foi o meio pelo qual ele conquistou não só medalhas, mas também uma nova perspectiva de vida.

Paratleta de  voleibol, do Sesi Suzano (Sesi-SP), Daniel chegou a Seleção Brasileira em 2009 para uma competição na seleção sub-23, em um mundial disputado no Irã. A chegada a seleção adulta aconteceu só em 2013 . Após um hiato de quatro anos, voltou a vestir a camisa amarelinha em 2018 e, no ano passado, ele subiu ao pódio: dessa vez para receber a medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Lima no Peru.

Antes de trilhar uma trajetória tão vitoriosa no esporte paralímpico, ele teve que superar primeiro a meningite, afinal, ele não nasceu com deficiência, mas foi acometido por ela na fase adulta – o que foi, para ele, um dos maiores desafios da sua vida.

“Para mim foi um grande baque porque eu não imaginava que tinha essa sequela. Para as coisas mais simples do dia dia, eu dependia da ajuda de alguém que era da minha família. E esse fato de depender das pessoas me incomodava muito porque  eu era um cara muito ativo e eu falei ‘preciso de alguma forma reverter essa situação”, conta.

“Depois de um ano e meio foi quando a minha vida se transformou de verdade. E o esporte foi uma das oportunidades que eu agarrei com unhas e dentes. Hoje, é a minha profissão, minha fonte de renda e eu sou muito grato a todos que me apoiaram nesse trajeto”, diz ele que, atualmente, é um dos levantadores mais destacados da modalidade.

Conheça os vários tipos de vacina

As Unidades Básicas de Saúde disponibilizam as vacinas penta de células inteiras, Hib, VPC10 e a meningocócica conjugada C, a de maior incidência no País. As doses são oferecidas nas 183 salas de vacina de Manaus. Por serem consideradas vacinas de rotina, a vacina contra a meningite fica disponível o ano todo na rede pública municipal. As vacinas meningocócicas B e ACWY são oferecidas apenas na rede particular.

As vacinas combinadas à tríplice bacteriana (penta ou hexa) são exclusivas para crianças menores de 7 anos. Protegem da meningite por Haemophilus influenzae b e de outras doenças. São recomendadas na rotina a partir dos dois meses de idade.

Já as vacinas pneumocócicas conjugadas (conhecidas como VPC10 e VPC13) protegem da meningite pneumocócica — a segunda forma mais comum de meningite bacteriana no Brasil — e de outras formas de infecção invasiva por pneumococos. A VPC 10 e a VPC13 são recomendadas para crianças a partir dos dois meses. A VPC 13 também é indicada para portadores de algumas doenças crônicas, independentemente da idade, desde que tenham recomendação médica.

Por sua vez, as vacinas meningocócica C conjugada, meningocócica conjugada ACWY e meningocócica B protegem da doença meningocócica (meningites e meningococemia, ou seja, infecção das meninges e generalizada, respectivamente) causadas pelos principais sorogrupos de meningococos. São recomendadas na rotina de vacinação infantil a partir dos dois ou três meses e para portadoras de algumas doenças crônicas, independentemente da idade, com recomendação médica.

Encerrando a lista temos a vacina BCG que previne as formas graves de tuberculose, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar (generalizada), e a vacina Hib (Haemophilus influenzae b), que protege da meningite por Hib, hoje muito rara no Brasil graças à vacinação em massa. Está incluída nas vacinas combinadas hexa e penta da rotina infantil, mas também pode ser encontrada em apresentação isolada para atualização de vacinação de pacientes que têm alguma doença que aumente o risco de infecção por Hib.


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