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Cotidiano
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Microsoft é primeira grande empresa a apostar no comércio legal de maconha

Microsoft está rompendo o tabu corporativo e anunciando uma parceria para começar a fornecer um software que monitora os pés de maconha da “semente às lojas”: o software, um novo produto da área de computação na nuvem da Microsoft, foi criado para ajudar a controlar as vendas e lucros 30/06/2016 às 16:49 - Atualizado em 30/06/2016 às 20:23
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Fotos: Elizabeth Lippman/The New York Times
Nathaniel Popper © 2016 New York Times News Service

À medida que muitos estados legalizaram de alguma maneira a maconha nos EUA, as grandes empresas se mantinham alheias ao novo mercado. Afinal de contas, a maconha continua a ser ilegal de acordo com o governo federal.

Contudo, a Microsoft está rompendo o tabu corporativo e anunciando uma parceria para começar a fornecer um software que monitora os pés de maconha da “semente às lojas”, nas palavras de representantes do setor.

O software – um novo produto da área de computação na nuvem da Microsoft – foi criado para ajudar os estados que legalizaram o uso recreativo ou medicinal da maconha a controlar as vendas e o comércio, garantindo que tudo se mantenha dentro dos limites da legalidade.

Mas até este momento, até mesmo o lado mais chato do mercado da maconha era considerado controverso demais para as grandes empresas. Contudo, agora ficou claro que ninguém será capaz de impedir que a legalização continue: este ano, ao menos cinco estados, incluindo o maior de todos – a Califórnia – irá votar a legalização para uso recreativo.

Até o momento, apenas alguns bancos pequenos se mostraram dispostos a abrir contas para empresas que cultivam ou vendem maconha, e a Microsoft não vai se envolver com essa parte do negócio. Contudo, a participação da empresa na área de conformidade governamental sugere o início da criação de uma infraestrutura legítima para um setor que cresce rápido e chama muita atenção, tanto para bem, quanto para o mal.

“Acreditamos que o crescimento será significativo. À medida que o setor é regulamentado, mais transações irão ocorrer e acreditamos que haverá exigências e ferramentas mais sofisticadas no futuro”, afirmou Kimberly Nelson, diretora-executiva de soluções para governos locais e estaduais na Microsoft.

O pequeno passo da Microsoft em direção ao setor foi anunciado no dia 16 de junho, quando a empresa afirmou que fechou uma parceria com a Kind, uma startup de Los Angeles que criou o software que será comercializado pela gigante. A Kind – uma das muitas empresas de pequeno porte que tentam faturar com a maconha – oferece uma série de produtos, incluindo quiosques de autoatendimento que facilitam a venda do produto, funcionando por meio de alguns bancos estaduais que aceitam esse tipo de cliente.

A Microsoft não passará perto desses quiosques ou dos lugares onde a maconha é produzida. Na verdade, a empresa trabalhará em parceria com a divisão de “soluções governamentais” da Kind, oferecendo o software apenas para governos locais e estaduais que estejam em busca de um sistema de conformidade.

Porém, para uma setor recém-legalizado, a participação da Microsoft em qualquer área é um grande passo adiante.

“Ninguém quer sair do armário, digamos assim. É muito significativo que uma empresa desse calibre esteja correndo o risco de aparecer e se ligar a uma empresa focada especificamente no setor da cannabis”, afirmou Matthew A. Karnes, fundador da Green Wave Advisors, que fornece dados e análises do setor da maconha.

David Dinenberg, fundador e executivo-chefe da Kind, afirmou que demorou muito tempo – e muitas conversas com grandes empresas foram necessárias para convencer a primeira a embarcar.

“Todas as companhias que trabalham com cannabis de alguma maneira buscam o reconhecimento de sua legitimidade. Gosto de pensar que essa foi a primeira peça do dominó”, afirmou Dinenberg, que era empreiteiro na Filadélfia e se mudou para a Califórnia para abrir a Kind.

É difícil saber se outras grandes empresas já forneceram produtos e serviços para companhias do setor da cannabis sem fazer alarde. O estado de Nova York, por exemplo, afirmou que está trabalhando ao lado da Oracle para acompanhar os pacientes que utilizam a maconha com fins medicinais. Mas até o momento nenhuma grande empresa havia divulgado sua participação no setor. Ainda que seja improvável, é possível que o governo federal decida reverter a legalização da maconha nos estados.

A parceria com a Kind é mais um dos passos ousados da Microsoft à medida que a empresa busca substituir o faturamento oriundo do setor de software para desktop, que diminui a cada dia. No dia 13 de junho, a empresa anunciou a compra do LinkedIn.

A Microsoft deu muita ênfase a seu empreendimento de computação na nuvem, o Azure. O software da Kind será uma dos oito programas que vai oferecer aos usuários do Azure Government – e o único ligado à maconha.

O conflito entre as leis federais e estaduais em relação à maconha deu uma aura de improviso ao setor.

As lojas que a vendem são as maiores afetadas pelo fato de os bancos não quererem lidar com o dinheiro que passa pelo setor. Muitas delas foram forçadas a utilizar dinheiro em todas as transações, ou a recorrer a startups como a Kind, com seus quiosques que aceitam pagamento dentro das lojas.

De forma geral, os governos também têm recorrido a startups menores em busca de tecnologias capazes de acompanhar o plantio e as vendas de maconha. Uma produtora de softwares da Flórida, a BioTrackTHC, está ajudando os estados de Washington, Novo México e Illinois a monitorar as vendas.

A Kind ainda não tem contratos com nenhum estado. Contudo, em parceria com a Microsoft, a empresa já se prepara para fornecer o software para Puerto Rico, que legalizou o uso medicinal da maconha no início do ano.

Pensilvânia e Ohio foram os últimos dos 25 estados americanos a legalizar a cannabis de alguma maneira. Entretanto, as maiores oportunidades de negócio virão dos estados que permitirem o uso recreativo da droga, como o Colorado, o Oregon e Washington.

Este ano, cinco estados – incluindo a Califórnia – irão realizar votações para decidir se passarão a fazer parte do grupo.

Karnes diz esperar que a venda legalizada passe de US$4,8 bilhões no ano passado, para US$6,5 bilhões este ano. Ele afirma que esse número pode chegar a US$25 bilhões em 2020, caso os eleitores da Califórnia aprovem o uso recreativo este ano, conforme o esperado.

A abertura do mercado na Califórnia já está levando muita gente a buscar financiamento, e a Microsoft certamente estará na posição ideal para desfrutar do crescimento.

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