Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019
DESFILIAÇÃO

‘Minha lealdade é inegociável’, diz bolsonarista Romero Reis ao deixar PSL

Empresário pré-candidato ao cargo de prefeito de Manaus anunciou, em carta aberta, sua saída da sigla. Partido vive guerra interna entre apoiadores de Bolsonaro e de Luciano Bivar, presidente do partido



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21/10/2019 às 18:11

Em carta aberta aos filiados do Partido Social Liberal (PSL) e aos cidadãos de Manaus, Romero Reis destacou que sua lealdade ao presidente Jair Bolsonaro é ‘inegociálvel’. Pré-candidato à Prefeitura de Manaus no pleito de 2020, o empresário anunciou, nesta segunda-feira (21), sua desfiliação do PSL em meio à crise interna entre apoiadores de Jair Bolsonaro e do presidente do partido, Luciano Bivar (PSL-PE).

“Ser fiel ao seu grupo político e aos seus ideais é uma obrigação. Quem se elege com discurso alinhado e graças ao apoio de um grupo político não pode, uma vez eleito, abandonar seus aliados em troca das benesses do poder. Quem faz isso com sua liderança, fará com o eleitor”, disparou o empresário, ao alegar que suas ideias vão “em sentido contrário ao grupo que atualmente controla o partido”.



Romero também criticou o uso de dinheiro público para financiar campanhas e políticos. Segundo ele, no próximo ano o PSL terá acesso a aproximadamente R$ 268 milhões.

“Defendo que o dinheiro do Fundo Partidário seja aplicado em segurança, saúde, educação, infraestrutura e geração de emprego. Jamais em campanhas políticas. Com esse montante que o PSL irá dispor, seria possível, por exemplo, construir escolas, postos de saúde, melhorar o sistema de transporte coletivo, dentre tantas outras necessidades públicas”, comentou.


Romero Reis deixa o PSL ressaltando lealdade ao presidente Jair Bolsonaro, que está no centro de uma crise interna no partido. Foto: Reprodução/Facebook

Ainda na tarde de hoje, a assessoria de Reis comunicou que a gota d’água pela desfiliação foi a postura do presidente regional da legenda, Pablo Oliva, que ficou em cima do muro, “aproveitando as benesses do uso do fundo eleitoral, alinhando-se com Luciano Bivar, e ao mesmo tempo acenando para o Presidente Bolsonaro”. O grupo de Romero considera o ato de Oliva como uma grave traição.

Na sexta-feira (18), Pablo Oliva chegou a emitir nota pública negando qualquer crise na sigla. Segundo ele, o que havia era apenas divergência de opiniões na escolha da liderança do partido na Câmara dos Deputados.

O empresário concluiu a carta agradecendo a os filiados do PSL que compartilham dos mesmos propósitos e sentimentos que ele e reafirmando apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

“Não há enfrentamentos, mágoas ou ressentimentos. Apenas considero que, no meu caso, para transformar o Brasil e Manaus, é melhor mudar de legenda do que mudar de convicções” concluiu.

Romero Reis ainda não anunciou para qual partido poderá migrar. Nos bastidores, especula-se que uma posição deve ser anunciada ainda nos próximos dias.

PSL em crise

A guerra interna que permeia o PSL em Brasília e agora respinga na parte regional do partido iniciou com denúncias de irregularidades em campanhas do partido, mas aumentou quando Bolsonaro foi flagrado em vídeo sugerindo a um simpatizante que esquecesse o PSL e que Bivar estaria ‘queimado’.

Desde então, aliados de Bolsonaro e de Bivar travam uma disputa interna. Na quinta-feira, Bolsonaro decidiu tirar a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso, após o envolvimento da parlamentar na polêmica disputa sobre a liderança do PSL na Câmara, e substituí-la pelo senador Eduardo Gomes (MDB-TO).


Joice Hasselmann e Eduardo Bolsonaro protagonizam crise no partido. Foto: Reprodução/Internet

A mudança ocorreu depois de Joice ter assinado tanto uma lista para manter o deputado Delegado Waldir (GO), ligado a Bivar, como líder do partido na Câmara, como outra para derrubá-lo e substituí-lo por Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente. No fim, a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara comunicou que Waldir segue como líder do PSL na Casa.

Em um vídeo publicado no site 'O Antagonista', Waldir acusou Jair Bolsonaro de querer a ‘chave do cofre’. “Inicialmente, o nosso presidente, tentando enfraquecer, estava para tomar o controle [do partido]. No próximo ano tem eleições e ele queria o controle total de todos os diretórios do país, inclusive tinha pedido a minha cabeça em Goiás […] Ele queria a chave do cofre, que é a chave do fundo partidário”.

Nesta sexta-feira, ao ser questionado por jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que já recebeu vários convites de partidos para sair do PSL. “Tô meio bonito, né. Então tem vários convites”, disse. Questionado se algum partido de esquerda o convidou, Bolsonaro ironizou: “Tá chamando a esquerda de maluca ou eu de maluco?”.

>>> Leia Mais: Eduardo Bolsonaro torna-se líder do PSL na Câmara e Delegado Waldir acata

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