Publicidade
Cotidiano
PUBLICAÇÃO

Ministério atrasa cadernetas de saúde e aproveitadores estão vendendo similares

O documento essencial para a vida dos bebês está em falta no Amazonas. Ele é oferecido em páginas de redes sociais por valores que variam de R$ 20 a R$ 50 11/07/2017 às 07:44 - Atualizado em 11/07/2017 às 08:14
Show vacina
Quem não tem a quem recorrer, por não ter recebido orientações precisas sobre o assunto, compra o falso documento sem pensar duas vezes.(Arquivo AC)
Silane Souza Manaus

A Caderneta de Saúde da Criança continua em falta nas maternidades do Amazonas e existem pessoas se aproveitando da situação para ganhar dinheiro com a venda da publicação, que é distribuída gratuitamente pelo Ministério da Saúde, inclusive em formato PDF. O documento é oferecido em páginas de redes sociais por valores que variam de  R$ 20 a R$ 50. Quem não tem a quem recorrer, por não ter recebido orientações precisas sobre o assunto, compra o falso documento  sem pensar duas vezes. 

Foi  o caso do vendedor Sidney Pimentel, 29, que depois de percorrer todas as maternidades de Manaus  e não conseguir a Caderneta de Saúde da Criança comprou uma por R$ 30. “Em todos os lugares que fui à resposta era que o documento estava em falta e não havia nem previsão para chegar”, contou. “Apenas no Hospital e Maternidade Chapot Prévost havia caderneta só que ela é dada somente para as crianças que nascem no local”, completou o vendedor. 

Pimentel disse que ficou indignado quando a esposa dele mostrou que a publicação era vendida pela internet em sites e páginas pessoais. Mas comprou mesmo porque não sabia mais o que fazer para garantir o registro das vacinas da filha . “A gente estava com a provisória e a pediatra disse que precisávamos da original e nos mandou ir a qualquer maternidade pública solicitar uma. Mas passei quase dois meses tentando e não consegui. Tive que comprar porque a caderneta é importante para anotar as informações da criança”, declarou.

Nas redes sociais, muitas mães relatam sobre a dificuldade de conseguir o documento nas  maternidades. “Se fosse tão fácil assim, ninguém comprava. Eu estou há oito meses na busca dessa caderneta nos postos e não consigo”, disse a internauta Eline Marques. “A questão é que não tem em lugar nenhum de graça. Minha filha está com nove meses e recebeu apenas uma xérox em preto e branco e até hoje não consegui a original”, afirmou Jamyle Ferreira. 

De acordo com o médico pediatra Kadu Nazareth, a Caderneta de Saúde da Criança é um documento para vida toda, imprescindível para o acompanhamento do desenvolvimento infantil e do histórico de saúde da pessoa até a fase adulta. A publicação também funciona como um documento oficial por comprovar os tratamentos, vacinas e evoluções da criança ao longo da vida. Além disso, traz orientações científicas para os pais.

Sobre a venda do documento, as unidades policiais de Manaus ainda não registraram nenhuma denúncia feita pelos pais, que acabam sendo lesados ao pagar por um documento que é fornecido de graça pelas unidades de saúde pública. O diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Guilherme Torres, explicou que a venda da caderneta  pode ser enquadrado como  crime de peculato (abuso de confiança pública). 

Entretanto, lembra Guilherme Torres, como a Caderneta de Saúde da Criança é distribuída gratuitamente pelo Sistema  Único de Saúde (SUS), que é operado por órgãos federais, a investigação deve ser realizada pela Polícia Federal (PF), que détem a competência para investigar esse tipo de conduta.

Alerta foi feito

Em março deste ano, conforme mostrou A CRÍTICA, o problema da falta de Caderneta de Saúde da Criança nas maternidades de Manaus era bastante evidente, assim como a venda do documento por aproveitadores nas redes digitais e até ao vivo.

Susam e Semsa esperam por Ministério

 A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que nas maternidades que não dispõem mais do documento, as crianças têm recebido um documento provisório e as mães são orientadas a voltar à unidade para resgatar a Caderneta, quando ela estiver disponível. 

“Todos os profissionais da rede estadual de saúde sabem da interrupção do fornecimento da caderneta pelo Ministério da Saúde e estão orientados a realizar o atendimento normalmente, sem prejuízo para os pacientes. Como ainda há o documento no seu estoque, a maternidade Chapot Prévost segue distribuindo gratuitamente a caderneta para os recém-nascidos na unidade”, disse em nota.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), por sua vez, informou que o Ministério da Saúde, responsável pelo fornecimento da Caderneta de Saúde da Criança, descontinuou a produção e envio do documento desde o final de 2015.

“Atualmente, o Ministério da Saúde, na Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, visando minimizar a ausência do documento, elaborou uma Planilha de Programação de Entrega da Caderneta de Saúde da Criança, contemplando Manaus com o quantitativo de 50 mil exemplares, com data de chegada prevista para a segunda quinzena de julho”, garantiu em nota.

Além dessa ação do Ministério da Saúde, a Semsa informou que também está realizando um processo de confecção de mais cadernetas para complementar o quantitativo necessário.

Regularização prevista para o fim de julho

O Ministério da Saúde informou que começou a liberar as cadernetas de Saúde da Criança, que estavam em fase de impressão, e a previsão é de que todos os Estados estejam abastecidos até o final deste mês de julho. Ao todo, serão entregues 3,4 milhões de cadernetas ao custo de R$ 3,5 milhões. O número de tiragem impressa foi baseado no Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e, como reserva, serão adicionados mais 10%.  

É importante esclarecer que a ausência da Caderneta de Saúde da Criança não é um impeditivo da vacinação. Toda criança pode ser vacinada nos postos de saúde, onde recebe um registro de controle da vacinação, podendo atualizar mais tarde a caderneta. O profissional de saúde também tem esse controle por meio dos prontuários.

As Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde podem solicitar ao Ministério o arquivo para a impressão. O Ministério ainda disponibiliza para a população o aplicativo do Programa Nacional de Imunização (PNI) para uso por smartphones e tablets, que contém as informações necessárias para garantir a imunização do cidadão e de sua família. 

O aplicativo é capaz de gerenciar cadernetas de vacinação cadastradas pelo usuário e de abrigar informações completas sobre as vacinas disponibilizadas pelo SUS, inclusive com lembretes sobre as campanhas sazonais de vacinação. O app calcula, por exemplo, a partir da inserção da primeira vacina no calendário, quando o usuário deve comparecer ao posto de vacinação para uma nova imunização.

 

Publicidade
Publicidade