Domingo, 15 de Dezembro de 2019
SAÚDE PÚBLICA

Ministério da Saúde não faz nada correto no combate à obesidade, diz Marcio Atalla

Preparador físico acredita que órgão erra ao sobretaxar produtos e proibi-los em escolas. Para ele, o foco da luta deve ser o sedentarismo. Esta semana uma pesquisa apontou que a obesidade cresceu, no Brasil, 60% em 10 anos



marcio.JPG Foto: Reprodução/Internet
20/04/2017 às 05:00

Manaus aparece em 7° no ranking nacional da obesidade. Esse é um dos dados divulgados no dia 17 deste mês por uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde (MS) em todas as capitais do País. Em entrevista ao Portal A Crítica, o preparador físico Marcio Atalla opinou que as características climáticas da cidade devem ter contribuído para o resultado não satisfatório de Manaus e de Rio Branco, também da região Norte, que aparece na 1ª colocação no ranking.

“Posso arriscar. A população de Manaus, por ser uma terra muito quente, acaba se locomovendo mais de carro e de ônibus. Isso acaba diminuindo o número de movimentos das pessoas. É algo bem típico da região Norte, diferente de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Acredito que tenha a ver também com o nível de informação, mas o ponto maior é na diminuição no número de movimentos [em decorrência do calor]”, declarou Atalla.



A Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) aponta que no Amazonas, mais da metade da população (56,3%) está com excesso de peso. Para Atalla, o MS não faz um trabalho eficaz de combate à problemática. Entre os erros da instituição estão sobretaxar produtos, como açúcar e refrigerante, como forma de reduzir a obesidade.

“De verdade, o Ministério da Saúde não faz nada no sentido correto. Precisamos de uma boa política de saúde pública. Para eles é mais fácil sobretaxar. Florianópolis, por exemplo, tirou o refrigerante e a frituras das escolas e a obesidade só aumentou. O consumo de refrigerante caiu nos últimos dez anos, mas a obesidade não reduziu. Temos que olhar de maneira mais racional e prática, não ficar focados somente no sobrepeso e na obesidade. O aumento de pressão alta e de diabetes, em decorrência da obesidade, causa um impacto financeiro impagável”, opinou, se referindo ao grande número de cirurgias e custeio de medicamentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em virtude da doença.

Em Manaus, 19,2% das pessoas entrevistadas disseram ter diagnóstico médico de hipertensão, e 5,6%, de diabetes. De acordo com a pesquisa, o crescimento da obesidade é um dos fatores que pode ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão, doenças crônicas não transmissíveis que piora a condição de vida do brasileiro e podem até matar.

O professor de Educação Física relatou que em países europeus, como a Dinamarca, com um grande consumo de pães; e o Japão, com amplo consumo de arroz, não há altos índices de obesidade. O segredo, segundo ele, está no estilo de vida que adotaram. Por isso é importante o combate ao sedentarismo.

“Por exemplo, o Japão tem a maior expectativa de vida do mundo, com 83,5 anos. O japonês consome 100 quilos de arroz por ano e a obesidade lá é baixa. O estilo de vida é totalmente diferente. Japonês anda muito”.

O estudo aponta que a obesidade cresceu, no Brasil, 60% em 10 anos. Nesse grupo estão pessoas na faixa etária entre 25 e 44 anos de idade. Isso tem aumentado, principalmente, os índices de pacientes hipertensos e diabéticos. Em Manaus, o problema atinge 20,3% da população.


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