Domingo, 19 de Janeiro de 2020
NA CÂMARA

Ministro da Educação defende entrada da Polícia Militar nas universidades

Weintraub argumentou que, como hoje a Polícia Militar não é permitida a entrar nos campi das universidades federais, estudantes e criminosos se sentem seguros para produzir drogas nesses espaços



educa_C244BA05-F30C-4170-8C59-FE00A03767C3.JPG Foto: Reprodução / Câmara
11/12/2019 às 14:27

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi à Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11) para esclarecer a declaração em que disse haver plantações de maconha nas universidades brasileiras. Na ocasião, ele apresentou um material que disse ter colhido na internet, inclusive reportagens veiculadas em 2008, para reafirmar que há plantação e produção de drogas nos campi das universidades federais. E usou essas matérias para defender a entrada da Polícia Militar nos campi.

Weintraub argumentou que, como hoje a Polícia Militar não é permitida a entrar nos campi das universidades federais, estudantes e criminosos se sentem seguros para produzir drogas nesses espaços. "As drogas estão amplamente difundidas no Brasil e a estatística na universidade é o dobro. Metade usa droga nas universidades. E por isso plantam maconha. A demanda é tão grande e tão natural que eles plantam maconha. E se sentem seguros, já que a polícia não entra", defendeu Weintraub, dizendo que "as plantações de maconha são reflexo de um consumo desenfreado de drogas nas universidades".

Ele ainda alegou que, por conta dessa restrição de policiamento, os campi das universidades federais podem até servir de "abrigo para os bandidos". "A PM faz o que pode. Esta à disposição. A PM luta e enxuga gelo nessa guerra do tráfico. Corre risco todo dia. Quando o PM sai na rua fardado, o bandido sabe que é PM. Mas a MP não sabe quem é bandido. E nas universidades eles encontram refúgio, já que a PM não pode entrar no campi", disse o ministro da Educação.



Apesar de ser defensor das escolas cívico-militares, Abraham Weintraub garantiu que a ideia de permitir a entrada da PM nas universidades não tem viés ideológico. "Eu sou a favor da autonomia universitária para questões de ensino. Pode ensinar o que quiser, pode falar de Karl Marx. Não tem problema! Agora a PM tem que entrar no campi", defendeu o ministro, dizendo que as universidades brasileiras "estão pedindo socorro" por conta da "epidemia das drogas".

Weintraub disse ainda que não se importa se alguém usa drogas em casa, mas afirmou que, como ministro da Educação, não pode permitir que isso aconteça nas universidades porque esse não é o ambiente que ele quer para os seus filhos nem para os filhos dos outros. "Estou aqui lutando para isso para que o dinheiro do pagador de imposto vá para um ensino seguro. Para que os nossos filhos e a próxima geração consiga ler e escrever, para que não sejam doutrinados, manipulados e não dependem de maconha, cocaína e metanfetamina", argumentou.

Os argumentos de Weintraub foram contestados várias vezes pelos deputados de oposição, que apresentaram e aprovaram o requerimento de convocação que levou o ministro à Comissão de Educação da Câmara nesta quarta. Muitos deputados chegaram até a classificar como mentiroso o material apresentado pelo ministro. A audiência pública realizada na Comissão de Educação, portanto, também contou com muitas farpas e bate-boca entre oposição e posição. Veja como foi o debate:



*Por Marina Dias do Congresso em Foco


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