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Ministro da Saúde cobra humildade de médicos durante lançamento de programa em Manaus

A declaração foi feita pelo Ministro Alexandre Padilha nesta terça-feira (23), durante encontro com os prefeitos do Amazonas para lançar o programa ‘Mais Médicos’ na cidade 24/07/2013 às 09:02
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Ministro deixa a sede da Fieam pela porta dos fundos para evitar manifestação de médicos na Joaquim Nabuco
Mariana Lima ---

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que falta humildade aos médicos brasileiros contrários a programas que facilitam a contratação de profissionais estrangeiros para atuar no País. A declaração foi feita nesta terça-feira (23) em Manaus durante encontro com os prefeitos do Amazonas no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).

Manaus foi a última cidade visitada pelo ministro com o objetivo de divulgar o programa federal “Mais Médicos”. Uma das ações prevê a contratação de médicos brasileiros e estrangeiros para atuar no interior dos estados com carência de profissionais. A contratação aconteceria por meio de cadastro feito pelos profissionais e prefeituras interessadas em participar do programa.

Diante de uma platéia recheada de prefeitos do interior do Amazonas, o ministro afirmou que é preciso que os médicos sejam mais humildes e comprometidos com a população carente que precisa de saúde pública. “Nós, médicos, temos de ser humildes e reconhecer que não fazemos saúde sozinhos. Temos a ajuda de enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos entre outros que abraçaram a saúde publica e que estão nesses municípios enfrentando as dificuldades. Eles estão lá pelo compromisso  com a saúde dessas pessoas necessitadas”, disse Padilha.

Acompanhado de aplausos dos prefeitos, Padilha afirmou que a falta de estrutura física dos municípios do interior não deve ser um obstáculo à ida dos médicos para as cidades mais distantes. “Nós, profissionais da saúde, temos que saber que existem lugares sem delegados ou juízes, sem rua asfaltada, mas  tem pessoas que precisam de nós, dos profissionais da saúde, para viver melhor e ter mais qualidade de vida, gerar emprego e renda para o município. Esse é o nosso compromisso”, disse.

Formado em Medicina pela Universidade de Campinas (Unicamp), Padilha disse que não concorda com a greve dos médicos deflagrada nesta terça-feira (23) em todo o País. “A minha prioridade é a saúde de 200 milhões de brasileiros e não os interesses e propostas de uma categoria. O Ministério da Saúde está aberto para as entidades médicas trazerem propostas para tentarmos solucionar. Apresentamos propostas e soluções concretas de como levar médicos para o interior do País. Se tiverem outras propostas, vamos debatê-las. Mas é preciso que essas propostas resolvam o problema”, finalizou Padilha.

Ministro quer mais vagas nas faculdades

Os Ministérios da Saúde e da Educação irão mapear os municípios do interior do Amazonas que tem condições estruturais e técnicas para receber estudantes de Medicina. O aumento no número de vagas, segundo o ministro da Saúde Alexandre Padilha, ajudará a reduzir o déficit  no interior do País em 15 anos.

O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Dirceu Benedicto Ferreira, afirmou que a universidade não tem estrutura para aumentar o número de vagas. “O Governo Federal quer mais 48 vagas em  Manaus e  80 vagas novas em Coari. Isso é absolutamente inviável por vários aspectos. Não temos médicos-professores, pois o salário de R$ 3 mil que recebem da faculdade não são atrativos; não temos infraestrutura para atender esses novos alunos e esse projeto de levar os alunos ao interior também não é viável”, avaliou Dirceu.

Para o reitor da UEA, Cleinaldo Costa, a infraestrutura atual do curso de Medicina da UEA está próxima da saturação. “A expansão é necessária, mas devemos pensar previamente em ampliar o número de docentes, técnicos-administrativos e infraestrutura”, afirma.

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