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Modelos tradicionais de negócios travam batalha contra empresas de tecnologia

Serviços 'digitais' ganham cada vez mais adeptos no Brasil e se diferenciam pela experiência ao usuário 30/08/2015 às 18:02
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Empresas do mundo digital estão incomodando serviços tradicionais
cinthia guimarães Manaus (AM)

Na era dos smartphones onde todas possibilidades do mundo estão na palma das mãos, novas empresas de serviço digitais estão mostrando para que vieram e já começam a incomodar (e muito) a concorrência e seu modelo tradicional de negócios, seja pela facilidade de acesso dos usuários a baixa carga tributária.

A guerra dos taxistas contra o serviço de motorista VIP, a Uber, é um exemplo emblemático de como os negócios digitais que surgiram através de ‘start ups’ tem ganhado a preferência de um novo perfil de consumidor.

O serviço americano que, por enquanto, só funciona nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, já ganhou adversários em Manaus. O vereador Elias Emanuel apresentou no final de julho um projeto de lei que pretende evitar que o sistema de “carona remunerada” ganhe adeptos em Manaus, em prejuízo aos taxistas locais.

Na semana passada, representantes do setor hoteleiro se reuniram com a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), em Brasília, para pedir que o governo estude uma forma de regularizar e cobrar tributo do site de hospedagem Airbnb, que tem tirado o sono das redes de hotéis ao redor do mundo.

Executivos de TV por assinatura no Brasil começam a reclamar do Netflix, pela perda de audiência e de clientes, que por sua vez estão trocando a assinatura de uma empresa de telecomunicação pelo serviço de vídeos "on demand". O Netflix já tem faturamento estimado de R$ 500 milhões no Brasil.

O modelo de streaming não têm a mesma carga de impostos, enquanto do serviço TV por assinatura são cobrados tributos como ICMS, PIS e Cofins.

Após crescentes perdas de receitas, as operadoras de telecomunicações no Brasil pretendem entregar a autoridades locais em dois meses um documento com embasamentos econômicos e jurídicos contra o funcionamento do aplicativo WhatsApp, controlado pelo Facebook, disseram à Agência REUTERS três fontes da indústria.

Estudioso do assunto, o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, explica que o sucesso dos negócios digitais está na praticidade de acesso ao serviço através da Internet, na viralização do negócio e na experiência com o consumidor.

Regulamentação de aplicativos

O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, disse que aplicativos como Netflix e WhatsApp precisam ser alvo de regulamentação.

Alie-se ao concorrente

Grandes corporações digitais ao perceberem o crescimento das concorrentes resolveram se aliar a elas através de grandes aquisições. Recentemente, o Twitter comprou o Periscope, aplicativo de transmissão de vídeos ao vivo, ao notar que poderia ser "engolido" pela nova mídia.

Foi assim com o Facebook que ao assistir a ascensão extraordinária de outras mídias resolveu se aliar a elas. Mark Zuckerberg comprou o Instagram por US$ bilhão em 2012. Em 2014 foi a vez da aquisição do Whatsapp, vendido por US$ 12 bilhões.

Na rapidez das mudanças tecnológicas, o provedor americano AOL sumiu do mercado, o mesmo movimento que está acontecendo com o Yahoo, observou Eduardo Terra, que é professor da disciplina de varejo em cursos de pós-graduação em São Paulo. “Isso acontece com alguém que não soube surfar a onda de inovações. O Google comprou Waze. São movimento de reação a este processo todo. A GoPro (marca de câmeras) conseguiu se reinventar”.


Spotify


Fundado em 2006, na Suécia, o aplicativo de música que já tem 75 milhões de usuários chegou ao Brasil em 2014. O Spotify vende anúncios e remunera os detentores de direitos autorais com royalties.


Uber


O serviço oferece motoristas parceiros a usuários que desejam uma boa experiência em transporte. A corrida feita em carros VIPs é paga com o cartão de crédito previamente cadastrado.


Airbnb


Site de hospedagem em que o usuário dispõe sua propriedade ou leito para locação a terceiros por preços mais baratos que hotéis. Hoje são mais de 45 mil anúncios no Brasil e 1,2 milhão no mundo.

Blog: Eduardo Terra

Presidente SBVC

“Os processos de negócios digitais trazem modelos e discussões regulatória e jurídica grande”. Na minha opinião, o governo tem que criar uma agenda para regulamentação, mas não proibir. Temos que buscar a melhor maneira de tornar isso viável. O Uber já ter 118 mil motoristas cadastrados e se tornou a maior empresa de táxi do mundo sem ser dona de nenhum carro! O Airbnb já tem mais de 45 mil leitos cadastrados no Brasil e não é dona de nada. Há uma batalha desses modelos novos contra os tradicionais. Tudo indica que há uma aceitação muito forte, se não estes negócios não estariam em evidência. Não são negócios coadjuvantes, são negócios que crescem por viralização, que não usam meios tradicionais de comunicação. Spotify e Netflix são ícones que lideram indústrias. As gravadora e as Blockbuster eram concorrentes e agora são indústrias que já morreram. Quando a gente vê a Uber temos que olhar e perceber qual é a próxima loja de disco da história”.

Opinião de:

Ellysson Abinader, usuário da Uber e Airbnb

“Nunca fui tão bem tratado”. Afeito a novidades tecnológicas e um consumidor que valoriza a experiência, o médico amazonense Ellysson Abinader, 34, se tornou um usuário cativo dos serviços Uber e Airbnb. “Sou usuário assíduo da Uber quando vou a São Paulo todo mês. Já indiquei para amigos e ganho crédito. Mas o motivo de eu usar é que nunca fui tão bem tratado numa corrida. Você tem uma água gelada quando entra no carro. Os preços em geral são bem parecidos com o do táxi. Há uma garantia de que o serviço é de qualidade, o motorista passou por uma seleção rigorosa, isso te dá uma segurança”, ressaltou. Ellysson usa o Airbnb desde 2012. “Usei no Rock in Rio e fiquei numa cobertura por um quinto do valor de um hotel da redondeza. Já me hospedei pelo Airbnb em Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles, Miami, Amsterdan, Chicago e Vancouver”, contou.

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