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Cotidiano
IMÓVEIS

Tempo de mercado imobiliário em recessão faz a hora e a vez do inquilino

Crise econômica torna o mercado de locação de imóveis mais favorável aos inquilinos. Para proprietários, é tempo de tomar medidas flexíveis para não ficar com seu imóvel ‘encalhado’, mas também não sair no prejuízo 04/04/2016 às 01:30
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Como a busca pela compra do imóvel ainda não está aquecida, vale de tudo para ‘conquistar’ o inquilino e evitar custos extras durante o mês (Arte: Tiago Rocha)
Juliana Geraldo Manaus (AM)

A dobradinha ‘recessão econômica e inflação alta’ tem gerado um efeito inusitado no mercado imobiliário de locação de imóveis. Para não sair completamente no prejuízo, donos de imóveis tem flexibilizado as negociações com inquilinos antigos e novos, oferecendo preços de alugueis mais baixos. A estratégia é uma boa saída para quem não consegue vender seus imóveis e ajuda a economizar com custos como IPTU, condomínio e manutenção.

De acordo com o Índice FipeZap, que acompanha o valor de locação em nove cidades brasileiras, o preço médio dos novos contratos de aluguel caiu 3,34% e registrou queda real de 12,66% em 2015,. Esta foi a primeira vez que o índice sofreu retração desde 2008.

Em Manaus, o mercado acompanha o cenário nacional. Segundo o  presidente da Rede de imóveis do Amazonas (Riman) e empresário do setor imobiliário, Jorge Ayub, os preços cobrados pelos alugueis estão em queda, pelo menos, desde o último trimestre do ano passado.

“Um apartamento de dois quartos na região do Parque Dez, por exemplo, que até o início de 2016 era ofertado por R$ 2 mil hoje está disponível por até R$ 1,7 mil - uma diferença de 15% no valor”, exemplifica ele.

Cenário

De acordo com Ayub, essa redução nos valores, que coloca o inquilino em uma situação temporariamente mais confortável, tem relação com um cenário econômico dos últimos cinco anos.

“É preciso lembrar  que há  cerca de 5 anos, Manaus teve um grande número de lançamentos imobiliários e o ápice de entregas desses imóveis, coincidiu com o início da retração econômica que hoje vivemos”, lembra.

Devido a esse movimento, conforme o especialista, o que se  observa é  um maior número de imóveis ofertados em relação à procura. Sem conseguir vender, tenta-se alugar e mesmo assim é preciso jogo de cintura na negociação para não perder o inquilino que procura comprometer a menor parcela possível de sua renda com moradia.

‘Com a faca e o queijo’

O biólogo, Rafael Rabelo, 29,  por exemplo, tem procurado uma casa para alugar com dois quartos de, no máximo, R$ 1,5 mil. Ele conta que tem sido mais fácil encontrar propostas atrativas.

“Em uma das casas que visitei, aconteceu de a pessoa se oferecer para baixar o valor do aluguel, mas o que tenho observado com mais frequência são as facilidades oferecidas para fecharmos negócio, o que antes não acontecia”, destaca.

Entre as facilidades, Rafael cita o abrandamento da exigência do cheque-caução - valor pago pelo inquilino na assinatura do contrato de aluguel - que antes correspondia a dois ou três meses do valor do aluguel e agora está reduzido para um mês em alguns casos. “Uma situação que também encontramos foi a dispensa do cheque e o aceite de um fiador, que antes também era difícil”, comenta.

Outra mudança, ainda segundo Rafael, tem sido o preço cobrado pelos imóveis maiores. “Um imóvel de três quartos está sendo oferecido quase pelo mesmo preço do que um imóvel de dois quartos, o que facilita bastante porque dá para dividir as despesas com mais pessoas, como é o meu caso”, completa.

Estratégias

Tanto quem depende do aluguel de um imóvel para complementar sua renda, quanto os que fazem do mercado de locação um negócio estão lançando mão de estratégias para driblar a concorrência. Como a busca pela compra do imóvel ainda não está aquecida, vale de tudo para ‘conquistar’ o inquilino e evitar custos extras durante o mês.

Baixar, o preço do aluguel, facilitar as condições para o fechamento do contrato, oferta de imóveis mobiliados e de vantagens como internet grátis são algumas das  ferramentas utilizadas pelos proprietários dos imóveis.

Celso Caridali, 37, que aluga apartamentos em dois bairros da cidade, diz ter notado uma diferença no mercado. “Estou conseguindo manter os valores cobrados, mas percebo que as pessoas estão procurando imóveis já mobiliados para não ter esse gasto e com maior número e quartos para poder dividir despesas. Se não for assim, elas simplesmente não alugam. Quem tem pai e mãe está voltando para casa. Economia é a palavra de ordem”, avalia.

Segundo ele, os apartamentos de R$ 1000 estão sendo menos procurados e os mais baratos sofrem com a rotatividade. “As pessoas não cumprem com os compromissos por muito tempo e já saem”, queixa-se.

Já Marília Fonseca, 36, teve que readaptar os planos para conseguir alugar parte do seu imóvel. “Passei quase quatro meses com a placa de aluga-se para a parte superior de um imóvel que tenho com três quartos. Depois desse tempo, vi que não conseguiria alufgar. Então desmembrei em três pequenos apartamentos e em menos de um mês aluguei todos”, conta. Além disso, a proprietária ofereceu vantagens como a internet inclusa para atrair os inquilinos.

Blog: Maria Lourdes, proprietária de imóvel

“Comprei um apartamento que até meados de 2015 vinha sendo usado para locação. Mas de lá para cá, passei a ter dificuldades. Para mim é complicado, pois tinha despesas que eram cobertas com a renda do aluguel. Já vou para nove meses com o imóvel desocupado. As pessoas ligam, perguntam, e até vão lá olhar, mas acabam optando por um imóvel menor e mais barato. O preço está de acordo, o que ocorre é que as pessoas estão apertando o cinto mesmo, ainda que tenham que abrir mão de comodidades".

Dicas para negociar

Em época de crise econômica, negociar da melhor forma possível com o inquilino é sempre o melhor remédio. Confira algumas dicas para não ficar com seu imóvel ‘encalhado’ e também não sair no prejuízo:

  • Ofereça um preço competitivo: muitos proprietários ofertam os imóveis por preços incompatíveis com a realidade do mercado;
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  • Pesquise o preço de imóveis similares ao seu na internet e nos arredores de onde ele está localizado. Não adianta pedir R$ 3 mil por mês se nas proximidades existem vários imóveis de R$ 2 mil, por exemplo;
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  • Faça as contas: é melhor ficar com um imóvel parado por três meses ou alguar um preço mais em conta e terr alguma renda entrando em caixa?  Para esse cálculo, veja o quanto você vai gastar por mês de condomínio e IPTU, enquanto o imóvel estiver vazio;
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  • Seja flexível nas condições de contrato: pedir um cheque-caução de menor valor - 1 mês de aluguel como garantia ao invés de três - é uma alternativa.  Aceitar um fiador para garantir o contrato pode ser outra solução;
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  • Seja flexível nas  garantias. Algumas imobiliárias ou proprietários exigem garantias exageradas e restritivas que podem dificultar a locação do imóvel. Não é porque um inquilino foi problemático que todos serão;
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  • Seja flexível quanto as multas. Ao redigir o contrato, em muitos casos, o proprietário estabelece uma multa alta se o inquilino sair do imóvel antes de 30 meses, por exemplo. A intenção é evitar a rotatividade. Porém, esse item pode dificultar o acordo. Nesse caso, considere só cobrar a multa se o inquilo permanecer menos de 6 meses ou um ano.
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