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'Momento é de mudança', afirma presidente do BNDES

Luciano Coutinho garante que exposição do banco frente aos negócios (em queda) do empresário Eike Batista é “baixíssima” e se concentra na parte boa das empresas, o que evitará eventuais prejuízos 15/07/2013 às 08:09
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Luciano Coutinho, presidente do BNDES
acritica.com ---

Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho diz que a aposta do governo Dilma Rousseff em Eike Batista foi “uma expectativa compartilhada por todo o mercado”.

À frente do banco que emprestou R$ 10,4 bilhões ao empresário, Coutinho afirmou ontem à Folha que a exposição do banco a Eike é “baixíssima” e se concentra nas empresas com ativos para equacionar financeiramente o grupo. “Quem estiver apostando no caos vai se frustrar”.

Na semana passada, as ações do grupo EBX caíram significativamente. Foi o pior momento desde a emergência do empresário como um dos homens mais ricos do mundo, por seus investimentos sobretudo no negócios de petróleo e gás, justamente aqueles que hoje sofrem com forte desvalorização na Bovespa.

Acossado pelos mais ventos nos seus negócios, Batista teve que reduzir sua participação nas empresas, com o objetivo de acalmar o mercado. A seguir, a entrevista concedida por Luciano Coutinho ao jornal Folha de São Paulo.

Duas apostas do BNDES --Marfrig e grupo EBX-- estão com problemas graves. Houve equívoco nas escolhas?

Não posso falar de casos específicos, mas são companhias que têm ativos altamente atraentes. Tiveram problemas de gestão ou de endividamento, que naturalmente se resolvem. Não é um insucesso

O banco divulgou que aprovou empréstimos de R$ 10,4 bilhões para Eike Batista. No pior cenário, qual o prejuízo?

Baixíssimo. Tanto do BNDES como dos bancos privados. A exposição está concentrada nos ativos de alta qualidade do grupo, principalmente na MPX, que já mudou de controlador e hoje é uma empresa sob liderança alemã. Outro ativo de maior exposição dos bancos é a MMX, que também é cobiçada publicamente. A exposição direta do BNDES ao grupo é pequena.

O governo Dilma apostou em Eike. Foi uma aposta errada?

Foi uma expectativa compartilhada por todo o mercado privado em um conjunto de projetos --a maioria, meritórios e consistentes. Houve um negócio específico que foi frustrante, e essa frustração provocou uma crise profunda de credibilidade em relação ao investidor. Mas o conjunto de ativos gerados é suficiente para equacionar financeiramente e patrimonialmente o grupo e propiciar uma saída organizada. Quem estiver apostando no caos vai se frustrar.

Os empresários estão preocupados com o ritmo da economia, sinalizando risco de redução de investimento. Esse pessimismo vem de onde?

Estamos vivendo um momento de mudança, com a perspectiva de uma política monetária americana mais apertada (juros mais altos). Esse movimento teve efeito muito forte não só no Brasil, mas no mundo todo, e gerou ansiedade em muitos setores. Porém, esse processo tende a se ajustar em algum momento. No médio e longo prazos, teremos apenas um pequeno soluço e vamos retomar o crescimento.

O soluço não está longo?

Começou há seis semanas. Tivemos um primeiro trimestre fraco, mas o investimento foi forte. Apesar dos efeitos das manifestações, vamos ter um primeiro semestre de bons resultados. Essa mudança teve impacto, mas quero chamar a atenção para oportunidades nos investimentos em infraestrutura, energia, óleo e gás, agronegócio e manufatura. Depois desse ajuste, o quadro é benigno. Teremos um câmbio estimulante para vários setores.

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