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Moradores da Portelinha evitam sair de suas casas com medo de novos conflitos

SSP determinou reforço no policiamento na comunidade para que novos conflitos ligados à grilagem de terra sejam evitados. Nas ruas desertas da comunidade rural, poucas pessoas têm coragem de comentar sobre a morte de Dora Priante 19/08/2015 às 20:55
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Faixa em frente à residência onde Dora morava diz que Adson não tinha permissão para vender terras na Portelinha.
Oswaldo Neto Iranduba (AM)

Amedrontados pela morte da líder comunitária Maria das Dores Salvador Priante, a “Dora”, 54, moradores da comunidade Portelinha, no município de Iranduba (a 32 quilômetros de Manaus), estão escondidos em suas casas. Apesar da prisão de Adson Dias da Silva, o “Pinguelão”, suspeito de ter encomendado a morte da presidente, o clima na região ainda é de medo e insegurança.

Ontem (19), a pedido do governador José Melo, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) mandou reforçar o policiamento na comunidade a fim de que novos conflitos ligados à grilagem de terra sejam evitados. Nas ruas desertas da comunidade rural, poucas pessoas têm coragem de comentar sobre a morte de Dora Priante.

“Estou saindo de casa para passar um tempo com meus filhos até essa poeira baixar”, disse o agricultor Vicente Araújo, 74. Enquanto a operação policial acontecia no local, ele colocava o que podia em um veículo para seguir até a residência da filha. “Esse homem era um terror aqui”, disse a filha dele, que não quis se identificar.

A aposentada Maria Josenite, 67, acredita que com a intervenção policial, a rotina calma deve voltar a fazer parte da comunidade. “Tudo isso começou por causa dessa ponte. Antes tudo era tranquilo e não tinha essas coisas. Hoje eu sinto medo de sair de casa”.

disputas

O fato de Adson ter sido o mandante da morte de Dora ainda choca muitos moradores que tiveram contato com ele, entretanto, a maioria é testemunha da rixa envolvendo a liderança da comunidade. Segundo eles, a briga entre Dora e Adson existia há vários anos.

É o caso do pedreiro Wellington Ramos, 28, morador da comunidade Serra Baixa, área vizinha à Portelinha. Ele relata ter trabalhado com Pinguelão por mais de dez anos e afirma que ele é um homem generoso. No entanto, Wellington revela alguns detalhes sobre como se davam os confrontos.

“O que a gente sabe aqui é que eles disputavam em votação a liderança. Existia muita discussão... Eu jamais iria imaginar que uma coisa dessas pudesse acontecer”, disse ele. “Mesmo ele estando com poder, uma parte dele sempre foi boa. O problema é o dinheiro... Ele, sim, é capaz de cegar. A pessoa faz tudo pelo dinheiro”, afirmou Wellington.


Policiais do Grupo FERA, da Polícia Civil, deram apoio a operação. Foto:Euzivaldo Queiroz

Policiamento reforçado na comunidade

Devido aos problemas motivados por grilagem de terra, a SSP, juntamente com as polícias Civil e Militar, realizou uma operação de reforço no policiamento da Portelinha.

O monitoramento será constituído por duas viaturas e duas motocicletas. Além da região, a comunidade Serra Baixa também terá a segurança fortalecida efetivamente nos próximos dias.  

Durante a manhã de ontem, os policiais conversaram com os populares sobre os problemas da grilagem de terras. De acordo com o delegado titular do 31° Distrito Integrado de Polícia (DIP), Paulo Mavignier, a operação será instalada de forma efetiva.

“A operação será efetiva até que haja um posicionamento sobre a questão fundiária do local. Aqui pretendemos manter esse controle para que não aconteçam retaliações por parte de grupos. O Adson e a Dora eram duas lideranças, e o que a polícia não quer é conflitos entre as partes", explicou o delegado.~

OPINIÃO

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